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Saúde Publicado em Por Stéfano Barcellos

Terçolho em Cão: Causas, Sintomas e Tratamento

Terçolho em Cão: Causas, Sintomas e Tratamento
Checado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Visao Geral

Observar qualquer alteração nos olhos do seu cão pode ser motivo de preocupação. Entre os problemas oculares comuns, o terçolho — também chamado de — merece atenção especial. Embora seja frequente em humanos, muitos tutores desconhecem que os cães também podem desenvolver essa inflamação nas pálpebras. O termo terçolho cão refere-se exatamente a essa condição ocular canina, caracterizada por um inchaço doloroso localizado na borda palpebral, geralmente associado a infecção bacteriana das glândulas ou folículos dos cílios.

Este artigo tem como objetivo esclarecer tutores sobre as causas, os sintomas e as opções de tratamento para o terçol em cães, com base em informações de fontes veterinárias confiáveis. A principal mensagem é clara: não tente diagnosticar ou tratar em casa sem orientação profissional, pois lesões palpebrais podem ser confundidas com outras doenças mais graves, como calázio, blefarite ou até tumores. Ao final da leitura, você saberá reconhecer os sinais de alerta, entender as diferenças entre condições semelhantes e saber quando procurar um veterinário oftalmologista.

Pontos Importantes

O que é o terçol em cães?

O terçol, ou hordéolo, é uma inflamação aguda e geralmente infecciosa que ocorre nas glândulas palpebrais. Nos cães, assim como nos humanos, existem dois tipos principais:

  • Terçol externo: afeta a glândula de Zeis (glândula sebácea associada aos cílios) ou o folículo piloso dos cílios. Manifesta-se como um pequeno abscesso na margem da pálpebra, visível externamente.
  • Terçol interno: envolve a glândula de Meibômio (glândula oleosa que lubrifica a margem palpebral). O inchaço é voltado para o interior da pálpebra, podendo ser mais doloroso e menos perceptível a olho nu.
A causa mais comum é a infecção bacteriana, predominantemente por , que penetra nas glândulas através de microtraumas, coceira excessiva ou má higiene ocular. Fatores como alergias, doenças dermatológicas (dermatite, sarna demodécica) e imunossupressão podem predispor o animal ao problema.

Diferença entre terçol e calázio

É fundamental distinguir o terçol do calázio, outra condição palpebral frequente. Enquanto o terçol é infeccioso e doloroso, o calázio é uma obstrução inflamatória não infecciosa de uma glândula de Meibômio, que forma um nódulo geralmente indolor. Essa diferença é crucial, pois o tratamento difere: o terçol exige abordagem antibiótica, enquanto o calázio pode se resolver com compressas mornas ou, em casos persistentes, com drenagem cirúrgica. Conforme destaca o MSD Manuals — Calázio e hordéolo (terçol), a avaliação profissional é indispensável para o diagnóstico correto.

Sintomas do terçol em cães

Os sinais clínicos mais comuns incluem:

  • Inchaço localizado na pálpebra (superior ou inferior)
  • Vermelhidão e calor ao redor da lesão
  • Dor evidente: o cão pode piscar excessivamente, manter o olho semi-fechado ou esfregar a pálpebra com a pata
  • Secreção ocular purulenta ou mucosa
  • Crostas na margem palpebral
  • Sensibilidade à luz (fotofobia)
Em casos mais graves, pode ocorrer celulite periorbital (infecção que se espalha para os tecidos ao redor), febre e mal-estar geral.

Diagnóstico veterinário

O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado no exame oftalmológico com auxílio de lâmpada de fenda ou oftalmoscópio. O veterinário irá avaliar a localização, o tamanho, o grau de inflamação e a presença de secreção. Exames complementares podem ser solicitados para descartar outras causas:

  • Citologia do conteúdo purulento para identificar a bactéria
  • Cultura e antibiograma em casos recorrentes ou resistentes a tratamentos iniciais
  • Testes de lágrima (Teste de Schirmer) para avaliar olho seco associado
Segundo o Gold Lab Vet — Terçol em cachorro, é importante que o tutor não confunda com outras lesões, como pápulas alérgicas, nódulos de colágeno ou tumores palpebrais (adenoma, carcinoma), que exigem condutas completamente diferentes.

Tratamento

O tratamento do terçol em cães deve ser sempre orientado por um veterinário. Nunca tente espremer ou furar o inchaço, pois isso pode agravar a infecção e causar complicações como celulite ou danos à pálpebra. As abordagens incluem:

  1. Compressas mornas: aplicar compressa limpa e úmida (água morna) sobre a pálpebra fechada por 5 a 10 minutos, 3 a 4 vezes ao dia. O calor ajuda a drenar a secreção e aliviar a dor.
  1. Colírios e pomadas antibióticas: geralmente prescritos para combater a infecção local. Exemplos comuns incluem colírios com tobramicina, gentamicina ou associações com corticoides (apenas sob prescrição, pois corticoides podem piorar infecções não controladas).
  1. Antibióticos sistêmicos: em casos de infecção extensa, celulite ou múltiplos terçóis, o veterinário pode receitar antibióticos orais (amoxicilina com clavulanato, cefalexina) por 7 a 14 dias.
  1. Colar elizabetano: essencial para impedir que o cão coce ou esfregue a região, evitando trauma secundário e propagação da bactéria.
  1. Drenagem cirúrgica: se o terçol não responder ao tratamento clínico ou formar um abscesso grande, o veterinário pode realizar uma pequena incisão para drenar o pus, sempre sob anestesia local.
  1. Tratamento de condições subjacentes: se houver alergias, olho seco ou dermatite, esses problemas devem ser manejados para prevenir recidivas.

Prevenção

A prevenção envolve cuidados básicos de higiene e saúde ocular:

  • Limpeza suave diária ao redor dos olhos com gaze úmida ou produto recomendado pelo veterinário
  • Evitar que o cão coce os olhos em superfícies ásperas
  • Manter as vacinas e vermifugações em dia
  • Controlar alergias e doenças dermatológicas
  • Levar o animal para check-ups oftalmológicos periódicos, especialmente raças com tendência a problemas oculares (Shih Tzu, Bulldog, Poodle).

Lista: 5 sinais de alerta que exigem consulta veterinária imediata

  1. Inchaço que aumenta rapidamente em tamanho ou se espalha para outras áreas do rosto.
  2. Secreção purulenta abundante com mau cheiro ou sangue.
  3. Febre, apatia ou perda de apetite associada ao problema ocular.
  4. Dificuldade para abrir o olho (blefaroespasmo intenso) ou olho muito vermelho.
  5. Lesão que não melhora após 48 horas de compressas mornas ou que retorna após tratamento.

Tabela comparativa: Terçol (hordéolo) vs. Calázio em cães

CaracterísticaTerçol (Hordéolo)Calázio
NaturezaInfecção bacteriana agudaObstrução inflamatória não infecciosa
DorIntensa (o animal evita toque, pisca excessivamente)Geralmente indolor ou com leve desconforto
LocalizaçãoNa margem palpebral (borda dos cílios)No interior da pálpebra (mais profundo)
AspectoPequeno abscesso amarelado com pusNódulo firme, sem pus, de cor rósea ou amarelada
Sintomas associadosVermelhidão local, calor, secreçãoApenas nódulo, sem inflamação aguda
EvoluçãoMelhora com antibióticos e compressas; pode drenar espontaneamentePode permanecer por semanas ou meses; muitas vezes requer drenagem cirúrgica
TratamentoAntibiótico tópico/sistêmico, compressas mornas, colar elizabetanoCompressas mornas, anti-inflamatórios; se persistir, incisão e curetagem

Perguntas Frequentes (FAQ)

O terçol em cães é contagioso para humanos?

O terçol é causado por bactérias que fazem parte da flora normal da pele, como o Staphylococcus aureus. Em condições normais, a transmissão para humanos é improvável, mas pessoas com imunidade baixa devem evitar contato direto com a secreção do olho do animal. Sempre lave as mãos após manipular a região afetada.

Posso usar colírio de uso humano no meu cão?

Não. Colírios humanos podem conter substâncias tóxicas para cães (como conservantes) ou concentrações inadequadas. Além disso, muitos colírios contêm corticoides que, se usados sem diagnóstico, podem mascarar ou agravar infecções e até causar úlceras de córnea. Apenas o veterinário pode prescrever o colírio apropriado para o seu cão.

Quanto tempo leva para o terçol sumir?

Com tratamento adequado, a maioria dos terçóis começa a melhorar em 48 a 72 horas e desaparece completamente em 1 a 2 semanas. Se não houver melhora nesse período, é necessário reavaliação veterinária.

O que fazer se o terçol estourar sozinho?

Deixe o pus sair naturalmente e limpe suavemente a área com soro fisiológico ou gaze umedecida em água morna. Mantenha o colar elizabetano para evitar que o cão lamba ou coce. Não tente espremer o restante. Consulte o veterinário para verificar se é necessário continuar o tratamento antibiótico.

Existe raça com mais predisposição a terçol?

Raças com cílios longos ou pelagem facial abundante, como Shih Tzu, Lhasa Apso, Poodle, Maltês, e Bulldogs, tendem a ter maior acúmulo de secreção e trauma ocular, aumentando o risco. Além disso, cães com dermatite atópica ou alergias alimentares também são mais suscetíveis.

Como diferenciar terçol de um tumor palpebral?

Terçóis geralmente surgem de forma rápida (dias), são dolorosos e têm aparência inflamatória (vermelho, inchado, com pus). Tumores palpebrais, como adenomas ou carcinomas, costumam crescer lentamente (semanas a meses), são indolores e não apresentam pus. Qualquer nódulo que persista por mais de 2 semanas ou que não responda ao tratamento deve ser investigado por biópsia.

É seguro fazer compressa morna em cães braquicefálicos?

Sim, desde que a água não esteja quente demais (deve estar morna, confortável ao toque do seu punho). Cães braquicefálicos (como Bulldog Francês, Pug) têm olhos mais expostos e são mais sensíveis, portanto a compressa deve ser aplicada com cuidado para não pressionar o globo ocular. Use gaze ou algodão, nunca toalhas ásperas.

O terçol pode voltar depois de tratado?

Sim, principalmente se a causa subjacente não for resolvida (alergia, olho seco, dermatite). Cães que tiveram um terçol têm maior chance de desenvolver novos episódios. Manter a higiene ocular e o acompanhamento veterinário periódico reduz o risco de recidiva.

Em Sintese

O terçol em cães, apesar de ser uma condição relativamente comum e geralmente benigna, exige atenção e cuidado adequados. A inflamação dolorosa na pálpebra pode ser causada por infecção bacteriana, e o tratamento correto envolve compressas mornas, medicamentos prescritos por veterinário e, em alguns casos, drenagem cirúrgica. É fundamental que o tutor não tente resolver o problema por conta própria, especialmente utilizando colírios humanos ou tentando espremer o inchaço, pois isso pode levar a complicações sérias como celulite ou lesão ocular permanente.

Além disso, é importante lembrar que nem todo “carocinho” na pálpebra é terçol. O diagnóstico diferencial com calázio, tumores e outras doenças inflamatórias só pode ser feito por um profissional habilitado. Por isso, diante de qualquer sinal de inflamação ocular persistente, o melhor caminho é consultar um veterinário clínico geral ou, de preferência, um oftalmologista veterinário.

A prevenção, através de higiene ocular regular e controle de condições predisponentes, é a melhor estratégia para evitar o desconforto do animal. Cuidar dos olhos do seu cão é um ato de amor que garante qualidade de vida e bem-estar. Não hesite em buscar ajuda profissional sempre que notar alterações — a saúde ocular do seu melhor amigo merece todo o cuidado.

Referencias Utilizadas

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos encontrou seu lugar num território que poucos se arriscam a habitar: a fronteira entre tecnologia e linguagem. Com mais de quinze anos de experiência como desenvolvedor e editor, construiu reputação na curadoria de conteúdo digital no Brasil não por seguir tendências, mas por se negar a enxergar como domínios separados o universo do código ...

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