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Cultura Publicado em Por Stéfano Barcellos

Primeiro Jornal: Quando Foi Lançado e Sobre O Que Falava

Primeiro Jornal: Quando Foi Lançado e Sobre O Que Falava
Analisado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Entendendo o Cenario

A comunicação sempre foi uma necessidade intrínseca do ser humano. Desde as pinturas rupestres até os discursos em praça pública, a troca de informações moldou civilizações. No entanto, um marco decisivo na organização da informação foi o surgimento do jornal — um veículo periódico destinado a divulgar acontecimentos relevantes para a sociedade. A pergunta "quando foi lançado o primeiro jornal e do que ele falava" não possui uma resposta única, pois depende de qual critério adotamos: o de um boletim oficial da antiguidade ou o de uma publicação impressa e regular já na era moderna.

Este artigo aborda as principais candidaturas ao título de "primeiro jornal", desde a romana (59 a.C.) até o (1605), passando pelos primeiros periódicos brasileiros. Serão analisados o contexto histórico, o conteúdo veiculado e a importância dessas publicações para o desenvolvimento do jornalismo como o conhecemos hoje. Ao final, uma tabela comparativa e uma seção de perguntas frequentes ajudarão a esclarecer as principais dúvidas sobre o tema.

Na Pratica

A Acta Diurna: o precursor na Roma Antiga

Em 59 a.C., durante o primeiro consulado de Júlio César, foi criada a (em latim, "atos do dia"). Tratava-se de uma espécie de boletim oficial que registrava as decisões do Senado, resultados de batalhas, nomeações de magistrados, nascimentos e óbitos na nobreza, além de avisos públicos — como a realização de jogos e espetáculos. As informações eram gravadas em tábuas de pedra ou metal e expostas em locais de grande circulação, como o Fórum Romano. Cópias manuscritas também eram enviadas para províncias distantes, permitindo que cidadãos romanos acompanhassem os acontecimentos da capital.

O conteúdo da refletia o interesse do Estado em manter a população informada e controlar a narrativa política. Embora não fosse um jornal no sentido moderno — faltava-lhe periodicidade regular e cobertura de notícias diversas —, ela estabeleceu os pilares do jornalismo: a coleta de fatos, a redação oficial e a disseminação pública. Historiadores consideram esse documento um predecessor direto dos jornais contemporâneos. Segundo a Wikipédia, a continuou a ser publicada até pelo menos o século III d.C., sendo um importante registro da vida pública romana.

O primeiro jornal impresso: Relation aller Fürnemmen und gedenckwürdigen Historien

Se a é o ancestral mais antigo, o título de "primeiro jornal impresso e periódico" é geralmente atribuído ao (alemão para "Relato de todas as histórias notáveis e memoráveis"), publicado a partir de 1605 em Estrasburgo (na época, parte do Sacro Império Romano-Germânico). Seu editor era Johann Carolus, um livreiro e impressor que utilizou a prensa de tipos móveis de Gutenberg para produzir uma folha semanal com notícias de diversas regiões da Europa.

O conteúdo do abrangia guerras, desastres naturais, eventos políticos, descobertas geográficas e comércio. Cada edição trazia informações compiladas de correspondências e relatos de viajantes, oferecendo aos leitores uma visão ampla do que ocorria no continente. A periodicidade semanal e a circulação paga (por assinatura ou venda avulsa) tornaram-no um modelo precursor do jornalismo moderno. A Universidade de Estrasburgo conserva exemplares originais que atestam a importância histórica dessa publicação.

A chegada da imprensa ao Brasil

No Brasil, a imprensa chegou tardiamente devido à política de controle da Coroa Portuguesa, que proibia a instalação de prensas tipográficas na colônia. Com a transferência da corte portuguesa para o Rio de Janeiro em 1808, o príncipe regente D. João VI autorizou a criação da Imprensa Régia. Em 10 de setembro de 1808, foi lançada a , o primeiro jornal impresso e publicado em solo brasileiro. Seu conteúdo era fortemente controlado: notícias da família real, decretos do governo, informações sobre guerras na Europa e anúncios oficiais. Era um periódico de quatro páginas, com tiragem limitada e destinado a uma elite letrada.

Paralelamente, em junho de 1808, começou a circular em Londres o , fundado por Hipólito José da Costa. Embora impresso no exterior, muitos historiadores o consideram o primeiro jornal brasileiro, pois era escrito em português, dirigido ao público da colônia e defendia ideias liberais e autonomistas. Seu conteúdo incluía ensaios políticos, críticas à administração portuguesa, notícias internacionais e debates sobre a independência. O circulou até 1822 e exerceu grande influência na formação da opinião pública brasileira.

Evolução do conceito de jornal

A trajetória da ao e à mostra como o jornalismo evoluiu de boletins oficiais para veículos de informação independente. No século XVII, surgiram jornais com periodicidade fixa (diária, semanal ou quinzenal), financiados por assinaturas e anúncios. O conteúdo diversificou-se: política, economia, cultura, ciência e entretenimento passaram a fazer parte das páginas. A liberdade de imprensa, conquistada gradualmente em diferentes países, permitiu que os jornais se tornassem um pilar da democracia.

Hoje, o jornalismo enfrenta novos desafios com a digitalização, a desinformação e a crise de modelos de negócio. Porém, a essência permanece a mesma: informar a sociedade com precisão e responsabilidade. Compreender as origens dos jornais ajuda a valorizar essa profissão essencial.

Características dos primeiros jornais

A seguir, uma lista dos principais atributos que definem os primeiros jornais da história, tanto na antiguidade quanto na era moderna:

  • Periodicidade regular: desde a (diária) até o (semanal) e a (duas vezes por semana).
  • Conteúdo de interesse público: decisões políticas, eventos militares, desastres, comércio e cultura.
  • Suporte físico: tábuas de pedra ou metal (Roma antiga), papel impresso com tipos móveis (século XVII).
  • Distribuição ampla: exibição pública (Roma), venda em livrarias e assinaturas (Europa), circulação restrita à elite (Brasil).
  • Controle editorial: na , o Estado editava o conteúdo; nos jornais modernos, a liberdade editorial foi sendo conquistada aos poucos.
  • Função social: informar, formar opinião e, em alguns casos, entreter.
  • Fontes de informação: correspondências, relatos de viajantes, documentos oficiais e testemunhas.

Tabela comparativa dos primeiros jornais históricos

Para facilitar a visualização das diferenças e semelhanças entre os principais candidatos ao título de "primeiro jornal", apresenta-se a tabela a seguir:

NomeAno de lançamentoLocalConteúdo principalFormatoPeriodicidade
Acta Diurna59 a.C.Roma (Império Romano)Decisões do Senado, resultados militares, nascimentos/óbitos da nobreza, anúncios públicosTábuas de pedra ou metal expostas em locais públicosDiária (aproximadamente)
Relation aller Fürnemmen und gedenckwürdigen Historien1605Estrasburgo (Sacro Império)Notícias políticas, guerras, desastres, comércio, descobertas geográficasFolha impressa em papel, formato fólioSemanal
Gazeta do Rio de Janeiro10 de setembro de 1808Rio de Janeiro (Brasil)Atos da família real, decretos do governo, notícias europeias, anúncios oficiaisJornal impresso de 4 páginasDuas vezes por semana
Correio Braziliensejunho de 1808Londres (Inglaterra)Ensaios políticos, críticas à administração portuguesa, notícias internacionais, defesa da autonomia colonialJornal impresso em papelMensal (inicialmente)

Esclarecimentos

Qual foi realmente o primeiro jornal da história?

Não há uma resposta única. Se considerarmos o conceito de "boletim público com periodicidade e conteúdo noticioso", a romana (59 a.C.) é a candidata mais antiga. Se restringirmos o termo a "publicação impressa e regular", o (1605) é o mais aceito. Para o Brasil, o (1808) ou a (1808) marcam o início da imprensa nacional.

O que a Acta Diurna noticiava?

A trazia informações de interesse público romano: decisões do Senado, nomeações de magistrados, resultados de batalhas, nascimentos e mortes de personalidades, e anúncios como jogos e festivais. Era um boletim oficial, sem opinião ou crítica.

Qual era a diferença entre o Relation e a Acta Diurna?

O era um jornal impresso (papel), com periodicidade semanal, vendido a assinantes, e trazia notícias de várias regiões da Europa, enquanto a era um boletim manuscrito ou gravado em pedra, exposto publicamente e restrito a questões do Império Romano. Além disso, o já seguia um modelo de negócio (venda), enquanto a era patrocinada pelo Estado.

Por que o Brasil demorou tanto a ter jornais?

Portugal proibia a instalação de prensas tipográficas na colônia para evitar a circulação de ideias consideradas subversivas. Somente com a chegada da corte portuguesa em 1808 essa proibição foi revogada, permitindo a criação da Imprensa Régia e o lançamento da .

O Correio Braziliense era realmente um jornal brasileiro?

Sim, embora fosse impresso em Londres, era escrito por brasileiros, em português e dirigido ao público do Brasil. Defendia ideias de emancipação política e criticava a administração colonial, o que o torna, para muitos historiadores, o primeiro jornal genuinamente brasileiro.

Os primeiros jornais tinham liberdade de expressão?

Não. A era controlada pelo governo romano. O dependia de licenças das autoridades locais. A era censurada pela Coroa portuguesa. O teve mais liberdade por ser impresso na Inglaterra, mas também enfrentava restrições. A liberdade de imprensa é uma conquista histórica recente.

Como os jornais antigos eram distribuídos?

A era afixada em lugares públicos. O era vendido em livrarias ou por assinatura. A era vendida em papelarias e pela própria Imprensa Régia, enquanto o circulava por correio e navios para o Brasil.

Qual a importância de estudar o primeiro jornal?

Entender as origens do jornalismo ajuda a compreender como a informação foi usada para informar, controlar ou emancipar sociedades. Também mostra que a busca por notícias é uma necessidade humana antiga, e que os desafios atuais (credibilidade, fake news) têm raízes históricas.

Para Encerrar

O primeiro jornal não é um marco único, mas um processo evolutivo que atravessou mais de dois milênios. Da de 59 a.C., com suas tábuas de pedra e conteúdo oficial, ao de 1605, que inaugurou o jornalismo impresso e periódico, e aos primeiros jornais brasileiros de 1808, o que se observa é uma constante: a necessidade de registrar e difundir os acontecimentos que moldam a vida em sociedade.

Cada um desses veículos refletiu o contexto político, tecnológico e cultural de sua época. A serviu ao Império Romano; o aproveitou a prensa de Gutenberg para criar um negócio de informação; a foi um instrumento da monarquia portuguesa; o ousou questionar o poder colonial. Todos eles, à sua maneira, contribuíram para o desenvolvimento do que hoje chamamos de jornalismo.

Compreender essa história é essencial para valorizar a liberdade de imprensa, a ética jornalística e a importância de uma informação de qualidade. Em tempos de excesso de dados e desinformação, olhar para as origens nos lembra que jornalismo não é apenas entretenimento ou negócio: é um pilar da democracia e do exercício da cidadania.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos encontrou seu lugar num território que poucos se arriscam a habitar: a fronteira entre tecnologia e linguagem. Com mais de quinze anos de experiência como desenvolvedor e editor, construiu reputação na curadoria de conteúdo digital no Brasil não por seguir tendências, mas por se negar a enxergar como domínios separados o universo do código ...

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