Portal de conteúdo recente.
Perfil do Autor Correções Política Editorial Privacidade Termos Cookies
MDBF
MDBF Portal Educativo
Consulta Publicado em Por Stéfano Barcellos

Músicas antigas do NCS estão dando copyright?

Músicas antigas do NCS estão dando copyright?
Confirmado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Antes de Tudo

Nos últimos meses, uma onda de reclamações nas comunidades de criadores de conteúdo do YouTube e Twitch tem chamado a atenção: músicas antigas do canal NoCopyrightSounds (NCS) estão repentinamente gerando reivindicações de copyright (claims) em vídeos que, por anos, permaneceram sem problemas. O paradoxo é evidente: um selo que se consolidou no mercado como sinônimo de música livre de direitos autorais para criadores independentes parece estar, agora, criando barreiras para aqueles que confiaram em seu catálogo.

A questão não é trivial. Muitos youtubers e streamers construíram suas bibliotecas de trilhas sonoras com base nas faixas do NCS, especialmente as mais antigas, lançadas entre 2011 e 2016. Quando o Content ID do YouTube sinaliza uma dessas músicas como protegida, o susto é grande. Mas será que o NoCopyrightSounds realmente mudou sua política? Ou existem outros fatores em jogo?

Este artigo tem como objetivo esclarecer o cenário real por trás desse fenômeno, com base em informações oficiais, registros históricos e relatos da comunidade. Ao final, você encontrará uma lista de fatores que explicam os claims, uma tabela comparativa de faixas afetadas, um FAQ completo e referências para aprofundamento.

Visao Detalhada

1 O que é o NoCopyrightSounds e como funciona sua política?

O NoCopyrightSounds nasceu em 2011 como um canal do YouTube dedicado a promover música eletrônica de artistas emergentes, com a promessa de que as faixas poderiam ser usadas livremente por criadores, desde que houvesse atribuição correta. Em novembro de 2013, o canal se transformou oficialmente em uma gravadora (label), mantendo a proposta de “copyright free” para uso em plataformas como YouTube, Twitch e TikTok, desde que as regras de crédito fossem seguidas.

A política oficial atual, disponível em NCS Usage Policy, afirma que:

  • As músicas podem ser usadas em vídeos, streams e outros conteúdos, desde que o criador não as utilize como peça central de um videoclipe musical.
  • É obrigatório incluir o texto de crédito correto na descrição do vídeo, geralmente fornecido junto com o download da faixa.
  • O uso é gratuito para criadores independentes (sem grandes marcas ou patrocínios superiores a US$ 10 mil por vídeo).
Essa política parece clara e estável. Então por que tantos relatos de problemas?

2 O fenômeno dos claims em músicas antigas

Diversos criadores reportaram, em fóruns como Reddit e Twitter, que faixas clássicas como “Skyhigh” (Project 46), “We Are” (KOVEN) ou “Symbolism” (Electro-Light) passaram a receber reivindicações automáticas de direitos autorais. A desconfiança inicial é de que o NCS teria revertido sua política ou vendido os direitos para outras empresas.

Contudo, as investigações sugerem uma combinação de fatores mais complexa. O site comunitário Lista de vídeos removidos do NCS documenta mais de 375 vídeos que foram removidos, privados ou bloqueados ao longo dos anos, muitos deles por questões de licenciamento, término de contratos ou transições internas do canal.

Além disso, grande parte do catálogo antigo foi carregada em um período em que o Content ID do YouTube ainda não era tão sofisticado. Com o tempo, as gravadoras que representam os artistas podem ter cadastrado as faixas no sistema para proteger seus direitos, gerando claims mesmo que o NCS autorize o uso gratuito. Isso é especialmente verdadeiro para faixas que foram licenciadas apenas por tempo determinado – após o vencimento do contrato, a música pode ter voltado para o controle total do artista ou de sua editora.

3 Casos emblemáticos e a posição oficial do NCS

O canal oficial do NCS, NoCopyrightSounds no YouTube, continua publicando mixes e anúncios reforçando que a marca é “copyright free” para criadores. Um exemplo é o , que celebra a longevidade do selo. Em nenhum comunicado recente a empresa afirma que está mudando seu posicionamento.

No entanto, é importante notar que o NCS não controla o que acontece após a música ser registrada por terceiros. Os artistas que lançaram faixas há mais de dez anos podem ter renegociado contratos, trocado de distribuidora ou optado por registrar as obras no Content ID por conta própria. Nesses casos, o NCS não tem poder de remover a reivindicação, pois a titularidade dos direitos pode ter mudado.

Outro fator relevante são os bloqueios regionais. Algumas faixas antigas podem estar protegidas em determinados países por acordos de licenciamento com sociedades de gestão coletiva, gerando claims regionais mesmo que o NCS considere a música livre globalmente.

Uma lista dos principais fatores que explicam os claims

Com base na pesquisa realizada, listamos os motivos mais comuns para que músicas antigas do NCS estejam gerando reivindicações de copyright:

  1. Mudança de titularidade dos direitos: Artistas que migraram para outras gravadoras ou que não renovaram contratos com o NCS podem ter registrado as faixas em seu próprio nome no sistema Content ID.
  2. Término de licenciamento temporário: O NCS pode ter obtido permissão de uso apenas por um período limitado para faixas antigas. Findo o prazo, a música retorna ao controle do detentor original.
  3. Cadastro posterior no Content ID: Mesmo que a música tenha sido lançada como “copyright free”, o sistema do YouTube permite que qualquer detentor legítimo registre a obra a qualquer momento, gerando claims retrospectivos.
  4. Remoção ou privacidade de vídeos do próprio canal NCS: A lista comunitária indica que centenas de vídeos antigos foram removidos ou tornados privados, o que pode indicar que a faixa correspondente não faz mais parte do catálogo ativo do selo.
  5. Bloqueios regionais por sociedades de direitos autorais: Alguns países possuem regras específicas que podem reter parte dos direitos mesmo em músicas supostamente livres, especialmente em plataformas como Twitch, onde o sistema de detecção difere.
  6. Uso inadequado ou falta de crédito: Muitos criadores deixam de incluir o texto de atribuição correta, o que, segundo a política do NCS, invalida a permissão de uso gratuito.

Uma tabela comparativa de faixas antigas do NCS

A tabela a seguir reúne algumas faixas clássicas do NCS, com informações sobre seu ano de lançamento, status atual (segundo relatos da comunidade) e a provável causa do problema.

Título da faixaArtista(s)AnoStatus no Content ID (relato)Causa provável
SkyhighProject 462012Claim em diversos vídeosArtista migrou para outra gravadora; faixa removida do catálogo ativo do NCS.
We AreKOVEN2014Claim em vídeos antigos, liberado em novos?Licenciamento temporário; atualmente sob gestão de editora independente.
SymbolismElectro-Light2015Sem claims para uso com crédito, mas alguns bloqueios regionaisA faixa ainda está no catálogo oficial, mas registrada no Content ID por precaução.
On & OnCartoon x Jéja (feat. Daniel Levi)2015Geralmente seguro, mas com relatos isolados de claimsProvável conflito com detecção automática do YouTube em reuploads.
InvincibleDeaf Kev (feat. Aécio)2016Muitos claims recentesArtista deixou o selo e registrou a faixa em outra distribuidora.
Feel GoodSyn Cole2014Seguro, sem relatos significativosFaixa ainda está ativa no NCS e com política clara de uso.

Perguntas Frequentes (FAQ)

Por que recebi uma reivindicação de copyright em uma música antiga do NCS se eu usava a faixa há anos?

É possível que o detentor dos direitos da faixa tenha mudado ao longo do tempo, ou que a música tenha sido registrada posteriormente no Content ID. Mesmo que o NCS a tenha disponibilizado como "copyright free", o selo não controla ações futuras de artistas ou editoras. Além disso, o YouTube pode aplicar bloqueios regionais ou detectar a música em vídeos que não seguem as regras de atribuição.

O NCS ainda é realmente "copyright free" para criadores?

Sim, a política oficial do NCS permanece a mesma: as faixas do catálogo ativo podem ser usadas gratuitamente em YouTube, Twitch e TikTok, desde que o crédito correto seja fornecido na descrição. Porém, essa garantia se aplica apenas às músicas que ainda estão sob contrato com o NCS. Faixas antigas que foram removidas do catálogo podem não estar mais cobertas.

Como saber se uma música específica do NCS ainda está no catálogo ativo?

Uma forma segura é verificar no site oficial do NCS (ncs.io) se a faixa está listada e se o download ainda está disponível. Também é recomendável conferir a data de upload no canal do YouTube do NCS: vídeos muito antigos (anteriores a 2014) que foram removidos ou tornados privados podem indicar que a música não faz mais parte do acervo.

Se eu der o crédito correto, posso evitar completamente os claims?

Na maioria dos casos, sim, especialmente para faixas que ainda estão no catálogo ativo do NCS. No entanto, o sistema do YouTube não é perfeito. Pode ocorrer um claim automático mesmo com crédito, especialmente se a música foi registrada por uma editora terceira. Nessa situação, o criador deve contestar a reivindicação, informando que possui permissão do NCS (anexando print da política ou do e-mail de confirmação).

O que fazer se receber um claim em uma música antiga do NCS?

Primeiro, verifique se a faixa está na lista de vídeos removidos ou se há comunicados oficiais sobre ela. Depois, entre em contato com o NCS por meio de seus canais de suporte (por exemplo, o Discord oficial). Em muitos casos, o selo pode ajudar a resolver o claim, desde que a música esteja sob sua gestão. Se não estiver, o criador terá que negociar diretamente com o detentor dos direitos ou substituir a trilha.

Existe uma lista oficial do NCS com faixas que não são mais "copyright free"?

Não há uma lista pública oficial e atualizada. O NCS mantém a política geral no site, mas a lista comunitária de vídeos removidos (no Fandom) é a fonte mais completa disponível, embora não oficial. Recomenda-se que criadores busquem faixas lançadas após 2015, pois o selo passou a ter contratos mais padronizados a partir dessa época.

As faixas do NCS podem dar problema no Twitch também?

Sim. Embora o NCS afirme que as músicas são livres para uso em Twitch, o sistema de detecção de direitos autorais da plataforma (que utiliza tecnologia da Amazon e de sociedades de direitos) pode gerar reivindicações. Além disso, as regras de licenciamento podem variar por país, especialmente para streams com VODs. Sempre é bom manter a atribuição no painel do stream e na descrição do VOD.

O Que Fica

As músicas antigas do NoCopyrightSounds estão, de fato, gerando reivindicações de copyright em diversos vídeos e streams. No entanto, isso não representa uma mudança de política por parte do selo — o NCS continua a se posicionar como uma fonte de música livre para criadores. O problema reside em fatores históricos e contratuais: mudanças de titularidade, término de licenciamento, registros posteriores no Content ID e remoções de faixas do catálogo ativo.

Para o criador de conteúdo, a recomendação é clara: sempre verifique se a música desejada ainda está disponível no site oficial do NCS, baixe-a diretamente de lá e inclua o texto de crédito exatamente como especificado. Evite usar faixas muito antigas (anteriores a 2014) ou que já não constam na lista de uploads do canal. Em caso de claim, não entre em pânico: utilize os recursos de contestação, anexando a política de uso e o crédito fornecido.

O NoCopyrightSounds continua sendo uma excelente alternativa para quem busca trilhas sonoras livres de royalties, mas é preciso lembrar que o cenário digital é dinâmico. O que era livre há dez anos pode não ser mais hoje. Manter-se informado e atualizado é a melhor forma de evitar sustos com o Content ID.

Embasamento e Leituras

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos encontrou seu lugar num território que poucos se arriscam a habitar: a fronteira entre tecnologia e linguagem. Com mais de quinze anos de experiência como desenvolvedor e editor, construiu reputação na curadoria de conteúdo digital no Brasil não por seguir tendências, mas por se negar a enxergar como domínios separados o universo do código ...

Siga Stéfano nas redes sociais:
X Instagram Facebook TikTok