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Educação Publicado em Por Stéfano Barcellos

10 atividades criativas para trabalhar conjunções

10 atividades criativas para trabalhar conjunções
Validado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Abrindo a Discussao

O ensino de gramática na educação básica frequentemente encontra resistência dos alunos quando limitado a exercícios tradicionais de memorização e repetição. Entre os conteúdos que mais desafiam professores e estudantes estão as conjunções, elementos de coesão textual essenciais para a construção de períodos complexos e para a progressão lógica do discurso. As conjunções estabelecem relações de adição, oposição, causa, consequência, condição, entre outras, sendo fundamentais para a clareza e a articulação das ideias.

Trabalhar conjunções de forma isolada, fora de contextos significativos, tende a gerar aprendizado superficial e de curta duração. Por isso, cada vez mais educadores têm recorrido a metodologias ativas e atividades criativas que transformam o conteúdo gramatical em experiências lúdicas, colaborativas e contextualizadas. Este artigo apresenta dez propostas criativas, baseadas em práticas recentes publicadas em sites educacionais e canais de professores, que podem ser aplicadas do 4º ano do Ensino Fundamental até o 9º ano, respeitando a complexidade de cada etapa.

O objetivo é oferecer um repertório diversificado de estratégias que favoreçam a compreensão das funções das conjunções, o reconhecimento de seus tipos e o uso adequado em produções escritas e orais. Cada atividade foi pensada para engajar os alunos, promover a participação ativa e consolidar o conhecimento de maneira duradoura. Ao longo do artigo, serão discutidas também as vantagens pedagógicas dessas abordagens e como adaptá-las a diferentes realidades de sala de aula.

Explorando o Tema

Por que utilizar atividades criativas no ensino de conjunções?

A gramática tradicional, centrada na nomenclatura e na classificação, muitas vezes falha em desenvolver a competência comunicativa dos estudantes. As conjunções, por exemplo, são frequentemente memorizadas em listas (“e, mas, porque, portanto, se, embora, etc.”), sem que o aluno compreenda o papel que desempenham na coesão e na progressão textual. Estudos na área da Linguística Aplicada indicam que a aprendizagem significativa ocorre quando o conteúdo é apresentado em situações reais de uso e quando o estudante é desafiado a refletir sobre suas escolhas linguísticas.

Atividades criativas, como jogos, dinâmicas de grupo, produção de cartazes e desafios de completar textos, proporcionam um ambiente de baixa ansiedade, onde o erro é encarado como parte do processo. Além disso, favorecem a interação entre pares, a negociação de sentidos e a aplicação prática dos conceitos. Um exemplo disso é o jogo das conjunções, publicado no site Tudo Sala de Aula, onde os alunos avançam em um tabuleiro ao acertar associações entre frases e funções das conjunções. Essa lógica de gamificação estimula a repetição contextualizada e a fixação dos conteúdos.

Outra abordagem promissora é a rotação por estações, descrita em canais como o CECIERJ. Nela, os alunos passam por diferentes tarefas em grupos – completar quadro de conjunções, preencher lacunas em parágrafos e jogar dominó das conjunções –, cada uma com tempo controlado. Essa dinâmica respeita diferentes ritmos de aprendizagem e promove a autonomia, já que os grupos precisam gerenciar o próprio tempo e os materiais.

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reforça a importância de um trabalho contextualizado com a gramática, destacando que o ensino deve partir do uso para a reflexão e, depois, retornar ao uso. Atividades criativas alinham-se perfeitamente a essa perspectiva, pois permitem que os alunos observem as conjunções em textos autênticos (notícias, trechos literários, diálogos) e depois as empreguem em produções próprias.

A seguir, apresentamos uma lista com dez atividades criativas, acompanhadas de breves descrições. Na sequência, uma tabela organiza os tipos de conjunções e as atividades mais indicadas para cada um, facilitando o planejamento do professor.

Lista de 10 Atividades Criativas para Trabalhar Conjunções

  1. Jogo de tabuleiro das conjunções – Em grupos, os alunos lançam um dado e avançam por casas que contêm perguntas sobre classificação e uso de conjunções. A cada acerto, ganham pontos. Indicado para revisão e fixação.
  1. Rotação por estações – A sala é dividida em 4 ou 5 estações: uma com dominó de conjunções, outra com completação de lacunas, outra com caça às conjunções em revistas, outra com criação de frases e uma estação digital (quiz online). Cada grupo passa 10 minutos em cada.
  1. Dominó das conjunções – Peças que, de um lado, trazem uma conjunção e, do outro, uma função (ex.: “causa”, “adição”). Os alunos devem encaixar corretamente, formando um círculo ou uma sequência.
  1. Caça às conjunções em textos reais – O professor distribui jornais, revistas ou trechos de livros. Os alunos circulam todas as conjunções encontradas e, em seguida, classificam-nas em uma folha de registro. Ao final, discutem as funções.
  1. Cartaz colaborativo com post-its – Cada grupo recebe um tipo de conjunção (aditivas, adversativas, conclusivas, etc.). Em post-its, escrevem exemplos e colam em um cartaz. Depois, apresentam para a turma e criam frases oralmente.
  1. Conexão é tudo! – Jogo em que o grupo sorteia uma intenção comunicativa (como “mostrar contraste” ou “indicar causa”). Em até 1 minuto, devem escolher a conjunção mais adequada e inseri-la em um texto lacunado. Ganha quem fizer mais acertos.
  1. Completação de textos com lacunas – O professor prepara parágrafos sem as conjunções. Os alunos, individualmente ou em duplas, preenchem com as opções corretas. Depois, comparam as respostas e justificam as escolhas.
  1. Bingo das conjunções – Cada aluno recebe uma cartela com conjunções escritas. O professor lê definições (ex.: “conjunção que indica oposição”). O aluno marca se tiver a conjunção correspondente. O primeiro a completar a cartela vence.
  1. Produção de minicontos com conjunções obrigatórias – Os alunos recebem uma lista de conjunções que devem ser usadas em um texto curto (até cinco linhas). Depois, leem em voz alta e a turma identifica as relações estabelecidas.
  1. Quiz interativo (Kahoot! ou menti.com) – O professor elabora perguntas de múltipla escolha sobre classificação e uso de conjunções. Os alunos respondem em tempo real nos celulares ou computadores. A competição saudável motiva a participação.

Tabela Comparativa: Tipos de Conjunções e Atividades Recomendadas

Tipo de ConjunçãoFunção PrincipalExemplosAtividades Mais Indicadas
AditivasAcrescentar ideiase, nem, também, mas tambémJogo de tabuleiro, dominó, cartaz colaborativo
AdversativasIndicar oposição ou contrastemas, porém, todavia, contudo, entretantoConexão é tudo!, caça às conjunções, completação de lacunas
AlternativasExpressar alternância ou escolhaou, ou...ou, ora...ora, quer...querBingo das conjunções, produção de minicontos
ConclusivasIntroduzir conclusãologo, portanto, por isso, assim, entãoRotação por estações, quiz interativo
ExplicativasExplicar ou justificarporque, pois, porquantoCartaz colaborativo, completação de textos
CausaisIndicar causaporque, pois, já que, uma vez queCaça às conjunções, jogo Conexão é tudo!
ConcessivasExpressar concessão (contraste não impeditivo)embora, conquanto, mesmo que, ainda queDominó das conjunções, produção de minicontos
CondicionaisIndicar condiçãose, caso, desde que, contanto queBingo, quiz interativo
TemporaisMarcar tempoquando, enquanto, assim que, logo que, malCaça às conjunções em textos reais
A tabela acima serve como guia rápido para o professor selecionar a atividade mais adequada ao tipo de conjunção que deseja enfatizar. É importante notar que muitas atividades podem ser adaptadas para trabalhar múltiplos tipos simultaneamente, especialmente aquelas que envolvem a análise de textos autênticos.

FAQ Rapido

Qual a idade ideal para aplicar essas atividades?

As atividades podem ser adaptadas para diferentes faixas etárias. O jogo de tabuleiro e o dominó funcionam bem a partir do 4º ano (9-10 anos), enquanto a rotação por estações e o cartaz colaborativo são mais adequados para turmas do 6º ao 9º ano. Cabe ao professor ajustar o vocabulário, a complexidade das frases e o tempo de execução conforme o nível da turma.

Como avaliar o aprendizado dos alunos nessas atividades?

A avaliação pode ser formativa e processual. Durante as dinâmicas, o professor observa a participação, a capacidade de argumentação e os registros escritos produzidos. É recomendável usar um check-list com critérios como: identificou corretamente a conjunção; classificou adequadamente; usou a conjunção em contexto coerente. Ao final, uma produção textual ou um pequeno teste pode servir como instrumento somativo.

Essas atividades podem ser aplicadas em turmas com alunos com dificuldades de aprendizagem?

Sim, muitas delas são inclusivas por natureza. O jogo de dominó, por exemplo, trabalha a associação visual. O cartaz colaborativo permite que alunos com dificuldades contribuam com exemplos orais. Para alunos com déficit de atenção, atividades com tempo controlado (rotação por estações) e movimentação (caça às conjunções) ajudam a manter o foco. É importante oferecer suporte individualizado e adaptar os materiais.

Quanto tempo, em média, cada atividade demanda?

Depende da atividade e do tamanho da turma. O bingo das conjunções pode ser realizado em 20 minutos; o dominó, em 30 minutos. A rotação por estações leva cerca de 50 minutos (10 minutos por estação). O cartaz colaborativo pode ocupar uma aula inteira de 45 a 50 minutos. O quiz interativo costuma ser rápido (15-20 minutos) e serve como fechamento.

É possível usar tecnologia nessas atividades sem acesso à internet?

Sim. O quiz interativo pode ser substituído por um jogo de perguntas com cartões coloridos (os alunos levantam a cor correspondente à resposta). A caça às conjunções pode ser feita com trechos impressos. O dominó e o bingo são totalmente analógicos. A tecnologia é um complemento, não um requisito.

Como motivar alunos que não gostam de gramática a participarem?

A lógica lúdica e competitiva costuma engajar até mesmo os alunos mais resistentes. Atividades como o bingo, o jogo de tabuleiro e o quiz despertam o espírito de disputa saudável. Além disso, ao trabalhar com textos reais (jornais, letras de música, trechos de filmes), o conteúdo ganha relevância. O professor pode também propor um sistema de pontuação ou recompensas simbólicas.

Essas atividades atendem às competências da BNCC?

Sim. A BNCC, em sua competência específica de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental, destaca a necessidade de “analisar e refletir sobre as regularidades e irregularidades da língua, considerando os usos sociais”. As atividades propostas partem da análise de textos e promovem a reflexão sobre o funcionamento das conjunções, indo ao encontro das habilidades EF04LP08, EF05LP06, EF06LP09, entre outras, que tratam da coesão textual e do emprego de conectivos.

Como organizar o espaço da sala para a rotação por estações?

O ideal é dispor as mesas em ilhas ou estações numeradas. Cada estação deve conter os materiais necessários e uma instrução clara. O professor pode usar um cronômetro projetado ou um sinal sonoro para marcar as trocas. Antes de iniciar, explique todas as etapas e combine as regras de comportamento. Uma estação pode ser digital (com um tablet ou laptop) ou totalmente analógica.

Resumo Final

Ensinar conjunções não precisa ser uma tarefa monótona ou restrita a exercícios de lacuna. As dez atividades criativas apresentadas neste artigo demonstram que é possível transformar o estudo da gramática em uma experiência dinâmica, significativa e alinhada às necessidades dos alunos do século XXI. Jogos, dinâmicas em grupo, uso de textos autênticos e tecnologias interativas são ferramentas poderosas para desenvolver a competência textual e a autonomia dos estudantes.

O diferencial dessas propostas está na contextualização: ao invés de decorar listas, os alunos vivenciam o papel das conjunções na construção de sentidos. A tabela comparativa e as perguntas frequentes auxiliam o professor no planejamento e na adaptação das atividades a diferentes realidades. A BNCC oferece o norte curricular, e as experiências compartilhadas por educadores em canais como o CECIERJ e em sites como o Tudo Sala de Aula mostram que essas práticas são viáveis e eficazes.

É importante lembrar que a criatividade do professor é o principal ingrediente. Cada turma tem suas particularidades, e as atividades podem – e devem – ser adaptadas, combinadas ou reinventadas. O fundamental é manter o foco no uso reflexivo da língua, promovendo um aprendizado que vá além da sala de aula e contribua para a formação de leitores e escritores competentes.

Referencias Utilizadas

Tudo Sala de Aula – Atividade lúdica: jogo das conjunções Canal CECIERJ – Rotação por estações no ensino de língua portuguesa BNCC – Base Nacional Comum Curricular Atividades Aulas – Atividade de conjunções para o 5º ano Um Como – Brincadeiras com conjunções

Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos encontrou seu lugar num território que poucos se arriscam a habitar: a fronteira entre tecnologia e linguagem. Com mais de quinze anos de experiência como desenvolvedor e editor, construiu reputação na curadoria de conteúdo digital no Brasil não por seguir tendências, mas por se negar a enxergar como domínios separados o universo do código ...

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