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Tecnologia Publicado em Por Stéfano Barcellos

Como Transferir o Ubuntu para Pendrive Passo a Passo

Como Transferir o Ubuntu para Pendrive Passo a Passo
Confirmado por Stéfano Barcellos (imagem ilustrativa)

Entendendo o Cenario

O Ubuntu é uma das distribuições Linux mais populares do mundo, conhecida por sua estabilidade, segurança e facilidade de uso. Muitos usuários desejam experimentar o sistema antes de instalá-lo definitivamente no computador ou, ainda, carregar o Ubuntu completo em um pendrive para utilizá-lo em diferentes máquinas. A expressão “transferir o Ubuntu para pendrive” pode se referir a dois cenários distintos: criar uma mídia USB bootável (live USB) para testar ou instalar o sistema, ou realizar uma instalação completa do Ubuntu diretamente no pendrive, transformando-o em um sistema portátil com persistência de dados.

Ambos os métodos possuem aplicações práticas relevantes. O primeiro é ideal para quem deseja conhecer o Ubuntu sem comprometer o disco interno, recuperar arquivos de um sistema danificado ou instalar o sistema em múltiplos computadores. O segundo, mais avançado, permite levar todo o ambiente de trabalho, aplicativos e configurações em um dispositivo USB, funcionando como um “Ubuntu to go”. Neste artigo, você aprenderá, passo a passo, como realizar cada uma dessas transferências, com base nas recomendações oficiais da Ubuntu e em fontes técnicas confiáveis.

Por Dentro do Assunto

Antes de iniciar, é fundamental compreender que ambos os processos apagarão todos os dados existentes no pendrive utilizado. Por isso, faça um backup de qualquer informação importante. Além disso, o pendrive deve ter capacidade mínima adequada: para um USB bootável (live), recomenda-se pelo menos 6 GB (o guia oficial do Ubuntu sugere 6 GB ou mais); já para uma instalação completa, um pendrive de 32 GB ou superior é mais indicado, pois o sistema e os arquivos pessoais ocuparão um espaço considerável.

A seguir, apresentamos os dois métodos detalhados, começando pelo mais comum: a criação de um pendrive bootável.

Método 1: Criar um Pendrive Bootável do Ubuntu (Live USB)

Esse método permite iniciar o Ubuntu diretamente a partir do USB, sem alterar o disco rígido do computador. O sistema será executado em modo “live”, podendo ser testado e, posteriormente, instalado no disco se desejar. As instruções variam conforme o sistema operacional usado para criar a mídia.

Lista de Passos para Windows (usando Rufus)

  1. Baixe a ISO oficial do Ubuntu
Acesse o site oficial do Ubuntu (ubuntu.com/download) e baixe a versão desejada (LTS ou atual). A ISO tem tipicamente entre 4,5 GB e 6 GB.
  1. Instale o Rufus
Rufus é uma ferramenta gratuita e confiável para criar mídias USB bootáveis no Windows. Faça o download em rufus.ie. Não é necessária instalação, pois é um executável portátil.
  1. Prepare o pendrive
Conecte o pendrive (mínimo 8 GB recomendado pela comunidade técnica). O Rufus detectará automaticamente o dispositivo. Caso tenha mais de um, certifique-se de selecionar o correto.
  1. Configure o Rufus
  • Em “Dispositivo”, escolha o pendrive.
  • Em “Seleção de boot”, clique em “SELECIONAR” e escolha o arquivo ISO baixado.
  • O esquema de partição pode ser deixado como “MBR” (esquema de partição para BIOS ou UEFI-CSM) ou “GPT” (para UEFI moderno). Na maioria dos computadores atuais, a opção “GPT” com destino “UEFI (não CSM)” funciona bem.
  • Sistema de destino: “UEFI (não CSM)” se o computador for UEFI, ou “BIOS ou UEFI-CSM” para compatibilidade.
  • As demais configurações podem permanecer padrão.
  1. Inicie a gravação
Clique em “INICIAR”. Rufus exibirá uma mensagem de aviso sobre a formatação do pendrive. Confirme e aguarde a conclusão. O processo leva de 5 a 15 minutos, dependendo da velocidade do USB.
  1. Finalize
Ao terminar, o Rufus indicará “Pronto”. Feche o programa e ejete o pendrive com segurança. Agora você tem um pendrive bootável do Ubuntu.

Lista de Passos para Ubuntu (usando Startup Disk Creator)

  1. Baixe a ISO do Ubuntu (se ainda não tiver) no site oficial ou via terminal com `wget`.
  1. Abra o Startup Disk Creator
No Ubuntu, pesquise por “Startup Disk Creator” no menu de aplicativos. Caso não esteja instalado, instale-o com `sudo apt install usb-creator-gtk`.
  1. Selecione a ISO e o pendrive
  • Clique em “Outro” para localizar e selecionar o arquivo ISO.
  • Insira o pendrive (mínimo 6 GB). O programa o reconhecerá automaticamente.
  • Certifique-se de que o dispositivo correto está selecionado.
  1. Crie o disco inicializável
Clique em “Criar Disco de Inicialização”. Uma confirmação será exibida, alertando que todos os dados do pendrive serão perdidos. Confirme.
  1. Aguarde a conclusão
O progresso é mostrado em barra de status. Ao terminar, uma mensagem de sucesso aparecerá. O pendrive bootável está pronto.

Após criar o USB bootável, reinicie o computador com o pendrive conectado e acesse o menu de boot (geralmente teclas como F12, F11, F2, DEL ou ESC, dependendo do fabricante). Selecione o USB para iniciar o Ubuntu live. A Dell fornece orientações oficiais sobre como criar e usar esse tipo de mídia para diagnóstico e recuperação.

Método 2: Instalação Completa do Ubuntu no Pendrive (Full Install)

Diferente do live USB, que descarta alterações ao desligar, a instalação completa grava o sistema operacional de forma permanente no pendrive, com partição de boot, sistema de arquivos e espaço livre para dados do usuário. Esse método é mais complexo, mas oferece um Ubuntu totalmente funcional e portátil.

Lista de Passos para Instalação Completa

  1. Prepare um pendrive de pelo menos 32 GB (16 GB pode ser insuficiente para aplicativos e atualizações).
  2. Baixe a ISO oficial do Ubuntu como no método anterior.
  3. Crie um pendrive bootável inicial (usando o Método 1) porque você precisará iniciar o instalador a partir de um USB para instalar em outro USB.
  4. Reinicie o computador com o pendrive bootável conectado, entre no modo live.
  5. Conecte o pendrive de destino (o que receberá a instalação completa).
  6. Inicie o instalador clicando em “Instalar Ubuntu”.
  7. Escolha “Outra opção” (instalação manual) no tipo de instalação.
  8. Identifique o dispositivo USB de destino (geralmente `/dev/sdb` ou `/dev/sdc`). Cuidado para não selecionar o disco interno.
  9. Crie as partições no pendrive (por exemplo:
  • Partição EFI (500 MB, tipo EFI System) para boot UEFI;
  • Partição raiz (ext4, tamanho restante do pendrive, montada em `/`);
  • Opcional: partição swap (2 GB) e partição `/home` separada).
10. Instale o bootloader no mesmo pendrive (dispositivo `/dev/sdX`, não na partição).
  1. Aceite as alterações e prossiga com a instalação. O processo será mais lento que em um disco interno devido à velocidade do USB.
  2. Ao finalizar, reinicie e configure o BIOS/UEFI para boot pelo pendrive de instalação completa.
Esse método é detalhado em comunidades como o Ask Ubuntu, que oferece um guia passo a passo para versões recentes.

Tabela Comparativa: Pendrive Bootável vs. Instalação Completa

CaracterísticaPendrive Bootável (Live USB)Instalação Completa no Pendrive
Propósito principalTestar o Ubuntu, instalar em disco interno, resgatar dadosSistema portátil completo, uso diário em múltiplos PCs
PersistênciaNenhuma (alterações são perdidas ao desligar)Total (dados salvos, configurações mantidas)
Espaço mínimo sugerido6 a 8 GB32 GB ou mais
DesempenhoLimitado pela leitura do USB (pode ser lento)Dependente da qualidade do USB (USB 3.0 recomendado)
Complexidade de criaçãoSimples (Rufus ou Startup Disk Creator)Avançada (instalação manual, particionamento)
Atualizações do sistemaNão se aplica (modo live)Possíveis, como em um disco normal
Compatibilidade com UEFISim, com configuração adequadaSim, exige partição EFI no pendrive
Ambas as abordagens são válidas, e a escolha depende da necessidade do usuário. Para a maioria, o pendrive bootável é suficiente. Entretanto, quem deseja um sistema “para levar no bolso” deve optar pela instalação completa.

Duvidas Comuns

Posso usar qualquer pendrive para criar um live USB do Ubuntu?

Sim, desde que o pendrive tenha capacidade mínima de 6 GB (preferencialmente 8 GB) e seja compatível com USB 2.0 ou superior. Pendrives USB 3.0 oferecerão inicialização e uso mais rápidos. Lembre-se de que todos os dados existentes serão apagados durante o processo.

O pendrive bootável do Ubuntu pode ser usado para recuperar arquivos de um computador com Windows?

Sim. Ao iniciar o Ubuntu pelo pendrive, você pode acessar partições NTFS do Windows (desde que o Windows não esteja em hibernação) e copiar arquivos para outro dispositivo. É uma ferramenta útil para resgate de dados.

Qual a diferença entre “testar o Ubuntu” e “instalar o Ubuntu” a partir do pendrive bootável?

A opção “testar” (modo live) executa o sistema temporariamente na memória RAM, sem alterar o disco rígido. Já “instalar” grava o Ubuntu permanentemente no disco interno, substituindo ou particionando junto com outros sistemas. O pendrive bootável oferece as duas opções ao iniciar.

Por que a instalação completa do Ubuntu no pendrive é tão mais lenta que no disco interno?

A velocidade de leitura e gravação de pendrives comuns é significativamente inferior à de um SSD ou HD interno, mesmo em USB 3.0. Além disso, o barramento USB compartilha recursos com outros dispositivos. Para melhor desempenho, utilize um pendrive de alta qualidade com tecnologia USB 3.2 ou um SSD externo.

Consigo utilizar o pendrive do Ubuntu completo em qualquer computador?

Geralmente sim, desde que o computador tenha suporte a boot por USB e as configurações de firmware (UEFI/BIOS) estejam ajustadas para permitir inicialização externa. No entanto, drivers de hardware (como placa de vídeo dedicada, Wi-Fi ou áudio) podem não funcionar perfeitamente em máquinas muito diferentes daquela usada na instalação. Recomenda-se testar em cada dispositivo.

O Rufus tem opção de persistência para o live USB do Ubuntu?

Sim, o Rufus oferece uma opção de “persistência” ao gravar ISOs que a suportam (como algumas distribuições Linux). Contudo, o Ubuntu padrão não mantém configurações e arquivos gravados em modo live, a menos que você use uma versão especial ou crie uma partição persistente separadamente. Para persistência real, o método de instalação completa é mais confiável.

Como escolher entre o método bootável e a instalação completa?

Se você deseja apenas testar o Ubuntu ou instalá-lo no disco rígido, opte pelo pendrive bootável. Se pretende utilizar o Ubuntu como sistema portátil, salvando arquivos e instalando programas, a instalação completa é a melhor alternativa. Considere também o desempenho: o pendrive completo será mais lento que um disco interno, mas ainda assim funcional para tarefas cotidianas.

É possível criar um pendrive bootável no macOS ou em outra distribuição Linux?

Sim. No macOS, utilize o aplicativo “Terminal” com o comando `dd` ou ferramentas como Etcher. Em outras distribuições Linux, o comando `dd` ou o “Startup Disk Creator” (se disponível) funcionam. As instruções específicas variam, mas o princípio é o mesmo: gravar a ISO no USB.

O que fazer se o computador não reconhecer o pendrive bootável?

Verifique se o USB está conectado diretamente a uma porta da placa-mãe (evite hubs ou portas frontais). Acesse o menu de boot (F12, F11 etc.) ou a BIOS/UEFI e ative a opção de boot por USB. Em sistemas UEFI, desabilite o “Secure Boot” temporariamente. Se o pendrive foi criado com esquema GPT, confirme que o firmware está configurado para UEFI, não Legacy.

Posso usar o mesmo pendrive para armazenar arquivos depois de criar o live USB?

Não, a menos que você crie uma partição separada para dados após a gravação. O método padrão de gravação da ISO torna todo o pendrive um volume bootável, e o espaço livre não é acessível pelo Windows ou pelo próprio Ubuntu live sem ferramentas específicas. Se precisar de armazenamento, opte pela instalação completa que permite usar o espaço restante.

Consideracoes Finais

Transferir o Ubuntu para um pendrive é um processo acessível e poderoso, que amplia as possibilidades de uso do sistema. Seja para testar uma nova versão sem riscos, instalar o Linux em múltiplos computadores ou ter um ambiente portátil sempre à mão, as ferramentas adequadas — como Rufus no Windows e Startup Disk Creator no Ubuntu — tornam a tarefa simples e segura. A instalação completa, embora mais técnica, recompensa com um sistema totalmente funcional e personalizado.

Ao seguir os passos descritos neste artigo, você terá em mãos um pendrive pronto para boot, seja ele um live USB para avaliação ou um sistema completo “to go”. Lembre-se de sempre usar as fontes oficiais e manter os drivers e firmware atualizados para garantir compatibilidade. Agora é hora de baixar a ISO e colocar a mão na massa. O Ubuntu espera por você.

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Stéfano Barcellos
Editor-Chefe
Stéfano Barcellos encontrou seu lugar num território que poucos se arriscam a habitar: a fronteira entre tecnologia e linguagem. Com mais de quinze anos de experiência como desenvolvedor e editor, construiu reputação na curadoria de conteúdo digital no Brasil não por seguir tendências, mas por se negar a enxergar como domínios separados o universo do código ...

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