Via Intradérmica Local de Aplicação: Guia Completo para Profissionais
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A via intradérmica é uma técnica de administração de medicamentos que envolve a injeção de substâncias na camada dérmica da pele. Apesar de ser uma das rotas menos utilizadas em comparação com a via subcutânea ou intramuscular, ela possui aplicações específicas que requerem precisão e conhecimento técnico por parte do profissional da saúde. Este guia completo pretende oferecer uma visão detalhada sobre a via intradérmica, suas indicações, seguranças, técnicas e melhores práticas para garantir eficiência e segurança no procedimento.
“A administração correta de medicamentos é essencial para garantir a eficácia do tratamento e a segurança do paciente.” — Dr. João Fernandes, especialista em farmacologia clínica
O que é a Via Intradérmica?
Definição
A via intradérmica consiste na administração de medicamentos ou vacinas na camada mais superficial da pele, entre a epiderme e a derme. Essa técnica é caracterizada por uma entrada de agulha em um ângulo bem específico, geralmente entre 10° e 15°, visando a deposição do medicamento na camada dérmica.
Características principais
Característica
Descrição
Local de aplicação
Camada dérmica da pele
Profundidade
Aproximadamente 1 a 2 mm
Angulação de inserção
Entre 10° e 15°
Volume administrado
Geralmente entre 0,1 e 0,3 ml
Tipos de instrumentos
Agulhas de 25 a 27G, seringas específicas
Indicações
As principais indicações da via intradérmica incluem:
Testes de sensibilidade (como testes tuberculinicos)
Vacinas, como a BCG
Aplicação de medicamentos para alergia ou dermatologia
Diagnósticos em procedimentos laboratoriais
Técnica correta para aplicação intradérmica
Materiais necessários
Agulha de calibre fino (25G a 27G)
Seringa de baixa capacidade (até 1 ml)
Álcool 70% para assepsia
Compressa de algodão ou gaze
Passo a passo
1. Preparação do paciente
Explique o procedimento e informe sobre possíveis sensações
Lave as mãos e utilize EPI adequado (luvas)
Realize assepsia da área de aplicação
2. Preparação do material
Carregue a seringa com a dose prescrita
Verifique a validade do medicamento
3. Seleção do local e posicionamento
Escolha uma área de pele adequada, normalmente na face anterior do antebraço
Puxe delicadamente a pele para criar uma prega
4. Inserção da agulha
Insira a agulha na pele em um ângulo de 10° a 15°, quase paralelo à superfície
Faça um movimento suave e lento para garantir a penetração
5. Administração do medicamento
Injete lentamente o conteúdo da seringa
Observe a formação de uma papula ou pequena bolha sob a pele
6. Retirada da agulha e cuidados
Retire a agulha cuidadosamente
Pressione o local com algodão ou gaze
Avalie possíveis reações inmediatas
Cuidados e segurança na aplicação intradérmica
Precauções essenciais
Assegure-se de que o material está esterilizado
Use agulhas e seringas descartáveis
Observar o local de aplicação durante 15 a 30 minutos após o procedimento para detectar reações adversas inicializadas
Reações adversas comuns
Reação
Descrição
Eritema
Vermelhidão ao redor da área de aplicação
Edema ou protuberância
Formação de uma papula que desaparece em poucos dias
Prurido ou coceira
Pode indicar reação alérgica
Dor ou desconforto
Sensação de queimação ou dor leve
Recomendações
Documentar a aplicação no prontuário
Orientar o paciente quanto ao acompanhamento e sinais de complicações
Evitar reutilizar agulhas ou seringas
Vantagens e limitações da via intradérmica
Vantagens
Rota de fácil acesso para testes diagnósticos
Menor risco de efeitos sistêmicos em doses controladas
Reações locais facilmente monitoradas
Limitações
Volume administrável limitado (máximo de 0,3 ml)
Técnica que exige maior precisão
Pode gerar reações locais indesejadas se mal aplicada
Tabela comparativa: vias de administração de medicamentos
Aspecto
Intradérmica
Subcutânea
Intramuscular
Profundidade da aplicação
1 a 2 mm
2 a 3 cm
1 a 5 cm
Volume máximo
até 0,3 ml
até 2 ml
até 5 ml
Velocidade de absorção
Lenta a moderada
Moderada
Rápida
Aplicações principais
Testes, vacinas, alergias
Insulina, hormônios
Antibioticoterapia, vitaminas
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Quais são os principais riscos de uma má aplicação intradérmica?
Riscos incluem reações locais como abscesso, linfangite, formação de cicatrizes ou reações alérgicas severas. A técnica inadequada pode levar à ineficácia do teste ou vacina.
2. Quanto tempo leva para a reação aparecer após aplicação intradérmica?
Na maioria dos testes de tuberculose, a reação aparece em 48 a 72 horas, enquanto na aplicação de vacinas e tratamentos dermatológicos, a resposta pode variar de acordo com o produto.
3. É possível aplicar qualquer medicamento pela via intradérmica?
Não. Somente medicamentos e testes especificamente indicados para essa via devem ser utilizados, sob orientação profissional.
4. Como evitar complicações na aplicação intradérmica?
Utilize materiais esterilizados, siga a técnica correta de inserção, observe as reações locais e mantenha registros do procedimento.
Considerações finais
A via intradérmica de aplicação é uma técnica especializada, demanda treinamento adequado e atenção à técnica para garantir resultados eficazes e seguros. É fundamental que os profissionais da saúde estejam bem informados sobre as indicações, procedimentos e cuidados envolvidos nesta rota de administração.
A precisão na aplicação permite a obtenção de resultados confiáveis em testes diagnósticos, além de proporcionar maior segurança ao paciente durante o procedimento.
Para aprofundar seus conhecimentos e garantir uma prática segura, consulte fontes confiáveis, como o Ministério da Saúdesite oficial e artigos científicos atualizados sobre o tema.
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Guia de Controle de Tuberculose. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
Gähwiler, J. et al. (2019). "Intracutaneous Drug Delivery: Techniques and Applications." Journal of Clinical Pharmacology, 59(3), 304-316.
Silva, M. L. et al. (2020). "Técnica de administração intradérmica em adultos: revisão sistemática." Revista Brasileira de Enfermagem, 73(4), e20200403.
World Health Organization (WHO). Vaccination and Immunization Guidance. Geneva: WHO, 2022.
Observação: Este guia visa fornecer informações gerais. A prática deve sempre seguir protocolos locais e orientações específicas de cada instituição ou autoridade de saúde.
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