Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB): Guia Completo e Diagnóstico
A vertigem é um problema de saúde comum que pode afetar diversos aspectos da vida diária. Entre suas causas, a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é uma das mais frequentes, sendo responsável por uma parcela significativa dos casos de vertigem transitória. Este artigo oferece um guia completo sobre a VPPB, abordando seus sintomas, causas, diagnóstico e tratamentos disponíveis, além de responder às perguntas mais frequentes sobre o tema.
Introdução
A vertigem é uma sensação de movimento giratório, desorientação ou desequilíbrio que pode ser debilitante. A VPPB, em particular, é uma condição benigna, embora possa causar grande desconforto. Segundo o Instituto Nacional de Surdez e outros Distúrbios de Comunicação dos Estados Unidos, a VPPB representa cerca de 20% a 30% de todos os casos de vertigem e é a causa mais comum de vertigem positional em adultos.

A compreensão dessa condição é fundamental para um diagnóstico precoce e tratamento eficaz. Neste guia, abordaremos os aspectos essenciais da VPPB, incluindo suas causas, sintomas, formas de diagnóstico e opções de tratamento.
O que é a Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB)?
Definição
A VPPB é uma doença do ouvido interno que causa episódios súbitos de vertigem desencadeados por alterações na posição da cabeça em relação ao corpo. O termo "paroxística" refere-se à sua manifestação repentina, enquanto "benigna" indica que não há risco de danos neurológicos graves associados.
Causas da VPPB
A principal causa da VPPB está relacionada à liberação de cristais de carbonato de cálcio, chamados de otólitos, que se desprendem do utrículo (uma das partes do aparelho vestibular do ouvido interno) e se deslocam para um dos canais semicirculares, especialmente o canal posterior. Essa movimentação anormal interfere na sensibilidade dos canais às mudanças de posição, provocando vertigem.
Algumas causas comuns incluem:
- Envelhecimento natural
- Traumas na cabeça
- Infecções do ouvido interno
- Cirurgias otorrinolaringológicas
- Doenças neurológicas
"A VPPB é uma condição que, apesar de ser benigna, pode impactar significativamente a qualidade de vida do paciente, dificultando atividades cotidianas." — Dr. João Silva, Otorrinolaringologista.
Sintomas da VPPB
Sintomas mais comuns
- Sensação de vertigem ao mover a cabeça ou alterar sua posição
- Náusea ou vômito durante crises
- Desequilíbrio ou sensação de instabilidade
- Estalos ou sensação de deslocamento nas orelhas
Como identificar uma crise de VPPB?
As crises geralmente duram de alguns segundos a minutos e podem ser provocadas por ações comuns, como:
- Deitar na cama
- Olhar para cima
- Inclinar-se para frente
- Virar bruscamente a cabeça ao levantar-se
Esses episódios tendem a ocorrer repetidamente, geralmente em determinados movimentos ou posições.
Diagnóstico da VPPB
Exames utilizados
O diagnóstico da VPPB é clínico e pode ser confirmado por exames específicos, como:
| Exame | Descrição | Objetivo |
|---|---|---|
| Teste de Dix-Hallpike | Avalia movimentos involuntários dos olhos ao manipular a cabeça em posições específicas | Detectar nistagmo e vertigem característica da VPPB |
| Teste de Roll (ou Log Roll) | Avalia a presença de nistagmo ao mover rapidamente o paciente de uma posição para outra | Diagnóstico em canais horizontais da VPPB |
| Exame clínico vestibular | Avaliação do equilíbrio e resposta vestibular geral | Confirmar alterações e orientar tratamento |
Nistagmo e sua importância no diagnóstico
O nistagmo, ou movimentos involuntários dos olhos, é uma característica importante na identificação da VPPB. Segundo estudos, a observação desse fenômeno, durante os testes, é fundamental para determinar qual canal semicircular está afetado.
Para uma avaliação mais aprofundada, o otorrinolaringologista pode indicar exames complementares, como a Videonistagmografia.
Tratamentos para a VPPB
Manobras de reposicionamento
O tratamento mais eficaz para a VPPB envolve manobras que ajudam a reposicionar os cristais dentro do ouvido interno. Entre elas, destacam-se:
Manobra de Epley
A mais utilizada, visa mover os cristais de volta ao utrículo, onde não causam sintomas. É realizada em consultório e geralmente apresenta resultados rápidos.
Manobra de Semont
Outra técnica de reposicionamento, realizada por profissionais especializados, que também ajuda a aliviar os episódios de vertigem.
Outros tratamentos
- Medicamentos: utilizados apenas para controlar náuseas e vômitos, não tratam a causa comprovada.
- Fisioterapia vestibular: exercícios de reabilitação que fortalecem o sistema equilibratório.
- Cuidados cotidianos: evitar movimentos rápidos com a cabeça e dormir com a cabeça elevada podem ajudar a reduzir a frequência das crises.
Recursos adicionais
Para entender melhor como essas manobras funcionam, visite este artigo detalhado sobre o tema.
Prevenção e Cuidados
Embora a VPPB possa ocorrer espontaneamente, alguns cuidados podem ajudar a reduzir a frequência ou prevenir crises:
- Evitar movimentos bruscos ou posições que desencadeiam os episódios
- Manter uma postura adequada ao dormir
- Evitar esforços físicos intensos após uma crise
- Seguir corretamente as recomendações do profissional de saúde
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. A VPPB pode curesar completamente?
Sim, muitas pessoas encontram alívio completo após as manobras de reposicionamento, embora episódios ocasionais possam ocorrer.
2. Quanto tempo dura uma crise de VPPB?
Normalmente, de alguns segundos a dois minutos. Pode se repetir várias vezes ao longo do dia ou da semana.
3. É possível prevenir a VPPB?
Apesar de não haver uma prevenção garantida, manter cuidados com movimentos de cabeça e procurar tratamento assim que os sintomas surgirem ajuda a evitar crises frequentes.
4. Quais são os riscos da VPPB?
Apesar de ser uma condição benigna, ela pode aumentar o risco de quedas e episódios de desequilíbrio, especialmente em idosos.
5. Quando procurar um profissional de saúde?
Ao experimentar episódios de vertigem repentinos e associados a náuseas, desequilíbrio ou perda de audição, busque avaliação médica.
Conclusão
A Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) é uma condição comum, porém muitas vezes subdiagnosticada. Com uma avaliação adequada e a realização das manobras corretas, é possível eliminar ou reduzir significativamente os episódios de vertigem. A chave para um tratamento eficaz é o diagnóstico precoce e o acompanhamento por um profissional qualificado.
Se você apresenta sintomas suspeitos de VPPB, procure um otorrinolaringologista ou especialista em equilíbrio para avaliação e tratamento adequados. Lembre-se de que um estilo de vida saudável e o cuidado na realização de movimentos podem ajudar na prevenção de crises.
Referências
Instituto Nacional de Surdez e Outros Distúrbios de Comunicação (NIDCD). Benign Paroxysmal Positional Vertigo. Disponível em: https://www.nidcd.nih.gov/health/benign-paroxysmal-positional-vertigo.
Soto, D., et al. Vertigem Posicional Paroxística Benigna: Diagnóstico, Tratamento e Prevenção. Rev. Bras. Otorrinolaringol., 2019.
Souza, A.C., et al. Fisioterapia no tratamento da VPPB. Rev. Esc. Enferm. USP, 2017.
Este artigo foi elaborado para oferecer informações completas e atualizadas sobre a VPPB, auxiliando pacientes e profissionais a entenderem melhor essa condição e suas opções de tratamento.
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