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União Estável no Código Civil: Direitos e Legislação mais Atualizada

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Nos últimos anos, a configuração familiar passou por mudanças significativas no Brasil, refletindo uma sociedade mais plural e diversa. Uma dessas mudanças importantes foi o reconhecimento da união estável como uma entidade familiar legítima, garantida pela legislação brasileira. Este artigo tem como objetivo apresentar de forma detalhada a legislação vigente sobre união estável segundo o Código Civil, abordando direitos, deveres, aspectos legais e recentes atualizações. Além disso, exploraremos dúvidas frequentes, apresentaremos uma tabela comparativa e indicaremos fontes externas confiáveis para aprofundamento no tema.

O que é União Estável?

Definição de União Estável

Segundo o Artigo 1.723 do Código Civil Brasileiro (CC), a união estável é uma convivência pública, contínua e duradoura, com objetivo de constituição de família, entre duas pessoas, sem que haja formalização de casamento.

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"A união estável tem status de entidade familiar, reconhecida pelo ordenamento jurídico, por promover direitos e deveres idênticos aos do casamento." — Jurisprudência do STJ

Diferenças entre União Estável e Casamento Civil

CaracterísticasUnião EstávelCasamento Civil
FormalizaçãoConvivência pública e contínuaCerimônia formal perante o cartório
RequisitosAusência de formalidadesRequisitos legalmente previstos
Efeitos JurídicosDireitos iguais ao casamentoEfeitos legalmente previstos
DissoluçãoPor consenso ou ação judicialSeparação judicial ou consensual

Legislação sobre União Estável no Código Civil

Artigos principais do Código Civil

O reconhecimento legal da união estável está principalmente previsto nos seguintes artigos do Código Civil:

  • Artigo 1.723: Define a união estável
  • Artigo 1.724: Direitos patrimoniais
  • Artigo 1.725: Dissolução da união estável
  • Artigo 1.726: Requisitos para reconhecimento e efeitos

Requisitos Legais

Para que uma convivência seja reconhecida como união estável, alguns requisitos fundamentais devem estar presentes:

  • Convivência pública, contínua e duradoura
  • Objetivo de constituir família
  • Ausência de impedimento legal para o casamento (por exemplo, parentesco ou already married)

Direitos e Deveres na União Estável

Segundo a legislação, os conviventes têm direitos semelhantes aos do casamento, incluindo:

  • Direito à herança
  • Direito à meação de bens adquiridos na convivência
  • Debates sobre pensão alimentícia
  • Direito de inclusão em plano de saúde

Dissolução da União Estável

A dissolução da união estável pode ocorrer de maneira consensual ou litigiosa, sendo importante destacar que:

  • É necessária a partilha de bens adquiridos durante a convivência
  • Pessoas com filhos menores podem precisar de acompanhamento judicial para questões de guarda e pensão

Aspectos Patrimoniais na União Estável

Regimes de Bens

No Brasil, a união estável é regida pelo regime de comunhão parcial de bens, salvo pacto diverso feito por escritura pública ou contrato particular.

Tabela: Regimes de Bens Simplificados

RegimeCaracterísticasComo alterar
Comunhão ParcialBens adquiridos na convivência são comunsPacto antenupcial ou escritura pública
Separação de bensBens permanecem sob posse individualContrato público ou pacto antenupcial

"O regime de bens pode ser alterado por acordo entre as partes, desde que acrescido de escritura pública." — Código Civil, Art. 1.639

Reconhecimento Legal e Procedimentos

Para garantir segurança jurídica, recomenda-se registrar a união estável por meio de escritura pública em cartório ou, caso necessário, por decisão judicial.

Como fazer o reconhecimento da união estável?

  • Reunir documentação pessoal
  • Comprovar convivência pública e contínua
  • Formalizar por escritura pública ou sentença judicial

Valores Jurídicos do Reconhecimento

O reconhecimento formal garante direitos patrimoniais, sucessórios e de proteção à família, além de facilitar processos de divisão de bens e herança.

União Estável e Direito Sucessório

O reconhecimento da união estável garante direitos sucessórios aos conviventes, assemelhando-se ao casamento. Destaca-se que, na ausência de pacto diverso, o parceiro sobrevivente será herdeiro necessário na proporção de meia cota, além de outros beneficiários previstos em lei.

Perguntas Frequentes

1. A união estável precisa ser registrada em cartório?

Não obrigatoriamente. Entretanto, o registro por escritura pública é recomendado para dar maior segurança jurídica e facilitar provas futuras.

2. A união estável pode ser convertida em casamento posteriormente?

Sim. O casal pode optar por formalizar a união como casamento, mediante procedimento judicial ou extrajudicial, dependendo da legislação local.

3. Quais documentos são necessários para reconhecimento?

Geralmente, documentos pessoais, comprovantes de residência, declarações de testemunhas e prova de convivência.

4. Como fazer a dissolução da união estável?

Por acordo entre as partes ou via judicial, envolvendo divisão de bens, guarda de filhos e pensão alimentícia, se necessário.

5. A união estável protege a mulher contra violência ou abandono?

Sim. A legislação garante proteção às vítimas de violência doméstica e permite ações específicas em casos de abandono ou maus-tratos.

Conclusão

A união estável, prevista e regulamentada pelo Código Civil, configura uma forma de constituição familiar que garante direitos e deveres iguais aos do casamento, reforçando o reconhecimento jurídico de diversas configurações familiares. Sua maior democratização e atualizações legislativas refletem uma sociedade mais inclusiva e respeitosa às escolhas individuais. Compreender os aspectos legais, direitos patrimoniais, procedimentos de reconhecimento e dissolução é essencial para que os conviventes possam exercer seus direitos de forma segura e consciente.

Referências

  1. Código Civil Brasileiro – Lei nº 10.406/2002. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/L10406.htm

  2. Superior Tribunal de Justiça (STJ) – Jurisprudência sobre união estável. Disponível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Inicio

  3. Maria Berenice Dias – Manual de Direito de Família. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020.

  4. Portal JusBrasil – Guia completo sobre união estável. Disponível em: https://www.jusbrasil.com.br

Este artigo foi elaborado com o objetivo de fornecer uma compreensão aprofundada e atualizada sobre a união estável no contexto do Código Civil, promovendo uma leitura acessível, didática e útil para interessados e profissionais do Direito.