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Trombofilias e Gravidez: Cuidados, Riscos e Prevenção

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A gravidez é um momento de expectativa, ansiedade e preparação para muitas mulheres. Contudo, certas condições de saúde podem complicar esse período, exigindo atenção e cuidados especiais. Uma dessas condições é a trombofilia, um distúrbio que aumenta o risco de formação de coágulos sanguíneos, podendo ter impactos significativos na gestação, tanto para a saúde da mãe quanto para a saúde do bebê.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 5% da população possui algum tipo de trombofilia, muitas vezes de forma assintomática. Entretanto, durante a gravidez, esse distúrbio pode manifestar-se de forma mais evidente, causando complicações que podem ser evitadas com diagnóstico precoce e manejo adequado.

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Neste artigo, exploraremos o que são as trombofilias, como elas afetam a gravidez, quais os cuidados necessários, os riscos associados e as estratégias de prevenção. Nosso objetivo é fornecer informações completas e de fácil compreensão para futuras mães, profissionais de saúde e interessados no tema.

O que são trombofilias?

Definição e tipos de trombofilias

Trombofilias são distúrbios que predispõem o indivíduo a desenvolver tromboses, ou seja, coágulos sanguíneos que podem bloquear vasos sanguíneos. Essas condições podem ser hereditárias ou adquiridas, e incluem diversos fatores que alteram a coagulação normal do sangue.

Tabela 1: Tipos de trombofilias

Tipo de TrombofiliaDescriçãoExemplo
HereditáriaGenes que aumentam o risco de tromboseMutação Leiden, deficiência de proteína C/S
AdquiridaCondições que levam ao aumento do risco de tromboseSíndrome antifosfolipídica, câncer
ComumAlterações comuns que podem contribuir para formação de coágulosIdade avançada, gravidez

Trombofilias hereditárias

As mais comuns incluem:

  • Mutação Leiden: a mais frequente, causa uma resistência à inibição da coagulação pelo fator V.
  • Deficiência de proteína C e proteína S: proteínas naturais que impedem a formação de coágulos.

Trombofilias adquiridas

São resultantes de condições que desenvolvem ao longo da vida, como:

  • Síndrome antifosfolipídica
  • Doenças autoimunes
  • Câncer
  • Uso de certos medicamentos

Como as trombofilias afetam a gravidez?

Riscos para a mãe

Mulheres com trombofilia durante a gestação têm maior risco de:

  • Trombose venosa profunda (TVP)
  • Embolia pulmonar
  • Pré-eclâmpsia
  • Placenta prévia ou descolamento prematuro da placenta
  • Hemorragias excessivas durante o parto

Riscos para o bebê

A presença de trombofilias pode acarretar em:

  • Abortos espontâneos recorrentes
  • Morte fetal intraútero
  • Restrição de crescimento intrauterino
  • Parto prematuro

Fatores de risco adicionais

Segundo a Associação Brasileira de Trombose e Hemostase, fatores adicionais podem agravar o risco, incluindo:

  • História familiar de trombofilia
  • Idade materna avançada
  • Multíplicidade de complicações na gestação anterior
  • Uso de anticoncepcionais ou terapia hormonal

Cuidados e estratégias de prevenção

Diagnóstico pré-natal e investigação

O diagnóstico de trombofilia é feito através de exames de sangue específicos, realizados preferencialmente antes ou no início da gravidez. É importante que sejam considerados fatores clínicos e históricos familiares para indicar a investigação.

Tratamento durante a gestação

O manejo da trombofilia na gravidez costuma envolver:

  • Profilaxia com anticoagulantes: uso de heparina de baixo peso molecular (HBPM) para prevenir a formação de coágulos.
  • Uso de aspirina em doses baixas: como medida adicional para reduzir riscos de complicações placentárias.
  • Acompanhamento multidisciplinar: com obstetra, hematologista e outros profissionais de saúde.

Recomendações gerais

  • Manter uma rotina saudável, com alimentação equilibrada e atividade física moderada.
  • Evitar longos períodos de repouso ou imobilidade.
  • Monitoramento constante dos sinais de complicações.

Link externo para mais detalhes

Para entender melhor os cuidados específicos, recomendo consultar o site da Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Génica, que oferece diretrizes atualizadas sobre trombofilia na gestação.

Risco de complicações e como minimizá-las

A tabela a seguir resume os principais riscos associados às trombofilias na gravidez e as medidas preventivas:

RiscoMedidas de PrevençãoResultado esperado
Trombose venosa profundaUso de anticoagulantes, evitar imobilidade prolongadaRedução em até 80% do risco de TVP
Embolia pulmonarMonitoramento, profilaxia adequadaPrevenção de complicações fatais
Pré-eclâmpsia e descolamento placentárioControle da pressão arterial, acompanhamento obstétrico rigorosoDiminuição da incidência de complicações gestacionais
Abortos recorrentesTratamento com anticoagulantes, suporte nutricionalAumento das chances de gravidez bem-sucedida

Perguntas frequentes (FAQs)

1. As trombofilias podem ser curadas?

Não há cura para trombofilias, mas elas podem ser gerenciadas com tratamento adequado, garantindo uma gravidez segura.

2. Quem deve fazer o teste para trombofilia?

Mulheres com histórico de abortos recorrentes, complicações gestacionais ou familiares com trombofilia devem consultar um hematologista ou obstetra para avaliação.

3. É seguro usar anticoagulantes durante a gravidez?

Sim, sob orientação médica, o uso de heparina de baixo peso molecular é considerado seguro e eficaz na prevenção de complicações.

4. A trombofilia afeta o parto?

Sim, especialmente se não for tratada, aumentando os riscos de trombose e complicações placentárias.

5. Como saber se tenho trombofilia?

Através de exames de sangue específicos realizados sob indicação médica.

Conclusão

A relação entre trombofilias e gravidez é um tema crucial para a saúde materna e fetal. Conhecer os riscos, realizar diagnóstico precoce e seguir o tratamento adequado podem transformar uma gestação de alto risco em uma experiência segura e feliz.

O acompanhamento médico multidisciplinar é fundamental para garantir o melhor desfecho possível, minimizando riscos e proporcionando tranquilidade às futuras mães. Como disse uma vez o renomado obstetra Dr. Roberto Bacci:

"Prevenir é melhor do que remediar, especialmente na gestação de risco."

Se você suspeita de trombofilia ou possui histórico familiar, procure um profissional de saúde para orientações específicas. Cuidados, prevenção e monitoramento são as armas principais para uma gestação saudável mesmo diante de condições de risco.

Referências

  • Organização Mundial da Saúde (OMS). Trombofilia na gravidez: orientação clínica. 2022.
  • Sociedade Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Génica. Diretrizes de Trombofilia na Gestação
  • Associação Brasileira de Trombose e Hemostase. Trombofilia: cuidados na gestação. Disponível em: www.trombose.org.br.
  • Ministério da Saúde. Protocolos de atendimento ao parto de risco.

Lembre-se: A informação aqui apresentada tem caráter educativo e não substitui a consulta com profissionais especializados. Cuide da sua saúde, do seu bebê e viva uma gestação tranquila!