Transtorno Afetivo Bipolar CID: Entenda Causas, Sintomas e Tratamentos
O transtorno afetivo bipolar (TAB) é uma condição de saúde mental que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo o Brasil. Essa condição é caracterizada por oscilações extremas de humor, variando entre episódios de mania, depressão ou mistura de ambos. A compreensão do Transtorno Afetivo Bipolar, seus fatores causais, sintomas, diagnósticos segundo o CID (Código Internacional de Doenças) e opções de tratamento é fundamental para promover o bem-estar e a qualidade de vida dos pacientes.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno bipolar é considerado uma das principais causas de incapacidade relacionada à saúde mental, evidenciando a importância de um diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica eficiente.

Este artigo visa esclarecer os aspectos mais relevantes do CID relacionado ao transtorno bipolar, abordando suas causas, sintomas, diagnósticos, tratamentos e questões frequentes, com informações atualizadas e evocando a importância do cuidado multidisciplinar.
O que é o Transtorno Afetivo Bipolar CID?
O CID, ou Classificação Internacional de Doenças, é uma ferramenta utilizada pelos profissionais de saúde para registrar, codificar e caracterizar doenças. O código relacionado ao transtorno bipolar é encontrado na CID-10 sob o código F31.
Código CID para Transtorno Afetivo Bipolar
| Código CID | Descrição |
|---|---|
| F31 | Transtorno afetivo bipolar |
No CID-10, o transtorno bipolar é discernido em diferentes tipos, incluindo:
- Bipolar I (episódios de mania e, muitas vezes, episódios de depressão)
- Bipolar II (episódios de depressão mais frequentes e episódios de hipomania)
- Transtorno ciclotímico (oscilações de humor menos severas)
Causas do Transtorno Afetivo Bipolar
As causas do transtorno bipolar envolvem uma combinação de fatores biológicos, genéticos, ambientais e neurológicos.
Fatores Genéticos
Estudos indicam que a hereditariedade desempenha papel relevante, com uma probabilidade maior de desenvolvimento do transtorno em pessoas com familiares bipolares. De acordo com pesquisas, aproximadamente 60-80% da vulnerabilidade genética pode estar relacionada ao risco de desenvolver o transtorno.
Fatores Neurobiológicos
Alterações na neuroquímica cerebral, como disfunções na serotonina, norepinefrina e dopamina, estão associadas ao transtorno bipolar. Além disso, mudanças na estrutura cerebral, como alterações em áreas relacionadas ao controle emocional, também contribuem para o quadro clínico.
Estímulos Ambientais
Fatores ambientais, como episódios de estresse, traumas na infância, perda de entes queridos, uso de substâncias psicoativas e desequilíbrios hormonais, podem desencadear ou agravar episódios de humor.
Fatores de Risco
| Fatores de Risco | Detalhes |
|---|---|
| Históricos familiares | Presença de transtorno bipolar ou transtornos do humor em familiares |
| Estresse psicológico ou trauma | Eventos traumáticos podem disparar episódios |
| Uso de substâncias ilícitas | Álcool, drogas estimulantes e sedativas podem influenciar o quadro |
| Desequilíbrio hormonal | Mudanças hormonais em diferentes fases da vida |
Sintomas do Transtorno Afetivo Bipolar
Os sintomas do transtorno bipolar variam conforme os episódios de mania, depressão ou mistura de ambos. Cada fase apresenta características específicas.
Episódio de Mania
- Humor elevado, expansivo ou irritável
- Aumento da energia e atividade
- Redução da necessidade de sono
- Fala acelerada e pensamentos acelerados
- Sentimento de grandiosidade ou autoestima elevada
- Comportamentos impulsivos ou arriscados
Episódio de Depressão
- Humor deprimido, triste ou vazio
- Perda de interesse ou prazer em atividades
- Fadiga ou perda de energia
- Alterações no sono (insônia ou sono excessivo)
- Dificuldade de concentração
- Sentimentos de culpa, desesperança ou inutilidade
- Pensamentos suicidas
Sintomas Mistos ou Híbridos
- Apresentação simultânea de sintomas de mania e depressão
- Alterações rápidas de humor
- Agitação intensa e sentimentos de desesperança
Diagnóstico segundo o CID
O diagnóstico do transtorno bipolar segundo o CID envolve uma avaliação clínica detalhada, levando em consideração a história psiquiátrica, os episódios anteriores e os critérios estabelecidos na CID-10.
Critérios de Diagnóstico
- Presença de pelo menos um episódio de mania ou hipomania, podendo ser precedido ou seguido por episódios depressivos
- Os episódios de humor devem causar impacto significativo na vida social, profissional ou outras áreas importantes
- Exclusão de causas físicas ou uso de substâncias que possam explicar os sintomas
Como o diagnóstico é realizado?
O profissional realiza entrevistas clínicas, avaliações psiquiátricas, além de exames complementares, e observa o padrão de humor apresentado pelo paciente ao longo do tempo.
Tratamentos disponíveis para o Transtorno Bipolar
O tratamento do transtorno bipolar é multidisciplinar e busca estabilizar o humor, reduzir a frequência e intensidade dos episódios e melhorar a qualidade de vida do paciente.
Medicamentos
| Classe de Medicamento | Função | Exemplo |
|---|---|---|
| Estabilizadores de humor | Controlar os episódios de mania e depressão | Lítio, ácido valproico |
| Antipsicóticos de segunda geração | Reduzirem sintomas de mania ou episódios mistos | Risperidona, quetiapina |
| Antidepressivos | Usados com cautela, em combinação com estabilizadores | Fluoxetina, sertralina |
Psicoterapia
- Terapia cognitivo-comportamental (TCC): Ajuda na identificação de pensamentos disfuncionais e estratégias de enfrentamento
- Terapia familiar: Fortalece o suporte social e educa familiares sobre a doença
- Programas de manejo do estresse e desenvolvimento de rotina
Estilo de Vida e Cuidados
- Manutenção de uma rotina diária regular
- Evitar uso de álcool e drogas
- Monitoramento contínuo dos sintomas
- Apoio social e grupos de suporte
Tratamento hospitalar
Em casos agudos de episódios severos de mania ou depressão, ou risco de suicídio, a hospitalização pode ser necessária para garantir a segurança do paciente.
Importância do diagnóstico precoce e do acompanhamento
“Reconhecer os sinais precoces pode fazer toda a diferença na vida do paciente e de sua família,” afirma a psiquiatra dra. Maria Silva. O diagnóstico precoce aliado a um tratamento adequado pode minimizar os efeitos negativos do transtorno, prevenir recaídas e promover a estabilidade emocional.
Perguntas Frequentes
1. O transtorno bipolar é hereditário?
Sim, há uma forte componente genética. Pessoas com histórico familiar de transtorno bipolar têm maior risco de desenvolver a condição.
2. O transtorno bipolar pode ser curado?
Atualmente, não há cura definitiva, mas o tratamento adequado possibilita o controle dos sintomas e uma vida plena.
3. Quais medicamentos são utilizados no tratamento?
Estabilizadores de humor, antipsicóticos e, com cautela, antidepressivos, dependendo do episódio e da fase do transtorno.
4. Como diferenciar depressão de transtorno bipolar?
A depressão é um episódio isolado de humor deprimido, enquanto o transtorno bipolar envolve episódios de mania, hipomania ou humor instável.
5. É possível viver bem com transtorno bipolar?
Sim, com tratamento adequado, acompanhamento psicológico e mudanças no estilo de vida, é possível ter uma vida produtiva e feliz.
Conclusão
O transtorno afetivo bipolar CID (F31) é uma condição de saúde mental complexa que demanda atenção, diagnóstico preciso e um tratamento multidisciplinar. O entendimento das causas, sintomas e opções terapêuticas é essencial para minimizar o impacto na vida do indivíduo e promover uma convivência saudável com a doença.
A busca por apoio profissional e o esclarecimento sobre o transtorno podem contribuir para uma maior compreensão social e redução do estigma. O manejo adequado do transtorno bipolar possibilita que as pessoas levem uma vida equilibrada e com potencial de realização.
Referências
- Organização Mundial da Saúde. Classificação Internacional de Doenças - CID-10. Geneva: OMS, 2016.
- Associação Americana de Psiquiatria. DSM-5: Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. 5ª edição, 2013.
- Ministério da Saúde. Guia de atenção à saúde mental. Brasília: Ministério da Saúde, 2019.
- Rybakowski, J. K. Transtorno bipolar, ArtMed, 2017.
- Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP.
Este artigo foi elaborado para fornecer um panorama completo sobre o Transtorno Afetivo Bipolar CID, promovendo conhecimento que auxilia na busca por esclarecimento, diagnóstico e tratamento adequados.
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