Toxoplasmose Congênita Cid: Sintomas, Diagnóstico e Tratamento
A toxoplasmose congênita, geralmente causada pela infecção pelo Toxoplasma gondii durante a gestação, é uma condição de grande preocupação para gestantes e profissionais de saúde. Quando a infecção ocorre na gestação, pode transmitir-se ao bebê, ocasionando uma variedade de complicações de saúde que podem impactar desde o desenvolvimento neurológico até a visão. Segundo dados do Ministério da Saúde, a toxoplasmose é uma das principais infecções transmitidas verticalmente, sendo responsável por uma parcela significativa de casos de doenças neurológicas e oftalmológicas em recém-nascidos.
Este artigo aborda de forma detalhada o CID (Classificação Internacional de Doenças) relacionado à toxoplasmose congênita, seus sintomas, métodos de diagnóstico, opções de tratamento e prevenção. Nosso objetivo é fornecer informações completas e atualizadas para ajudar profissionais de saúde, estudantes e o público geral a compreenderem essa condição.

O que é a Toxoplasmose Congênita CID?
A toxoplasmose congênita é classificada na CID-10 sob o código B58 (Toxoplasmose). Dependendo da gravidade e das manifestações clínicas, pode-se usar também subclasses ou códigos adicionais que detalham características específicas da infecção.
CID e Classificação
| Código CID | Descrição | Observações |
|---|---|---|
| B58 | Toxoplasmose | Categoria geral da infecção por Toxoplasma gondii |
| B58.0 | Toxoplasmose adquirida simplex | Infecção adquirida, não congênita |
| B58.1 | Toxoplasmose cerebral | Envolvimento neurológico |
| B58.8 | Outras toxoplasmose | Casos específicos ou atípicos |
| B58.9 | Toxoplasmose, não especificada | Diagnóstico não detalhado |
Para fins de registros clínicos e epidemiológicos, a toxoplasmose congênita é identificada especificamente pelo código B58.0 quando relacionada à transmissão vertical. Ressalta-se que o CID serve tanto para a classificação quanto para a documentação de dados estatísticos.
Sintomas da Toxoplasmose Congênita
A apresentação clínica da toxoplasmose congênita pode variar desde assintomática até formas graves. A manifestação depende do momento da infecção durante a gestação, sendo mais severa se ocorrer no primeiro trimestre.
Sintomas Imediatos
Hiperbilirrubinemia
- Icterícia
- Anemia hemolítica
Alterações Visuais
- Catarata
- Microftalmia
- Lesões na retina
Comprometimento Neurológico
- Convulsões
- Hiperplasia cerebral
- Hidrocefalia
Sintomas Tardios
Algumas manifestações podem se desenvolver ou ser detectadas na infância ou adolescência, incluindo:
- Déficit cognitivo
- Problemas de aprendizagem
- Sinais de retinopatia, como manchas ou lesões na retina
Diagnóstico da Toxoplasmose Congênita
O diagnóstico precoce é essencial para garantir o tratamento adequado e minimizar sequelas. Os métodos incluem exames sorológicos, amostras de sangue e estudos de imagem.
Exames laboratoriais
| Tipo de exame | O que avalia | Quando realizar |
|---|---|---|
| Sorologia (IgM, IgG) | Presença de anticorpos específicos | Gestantes em acompanhamento pré-natal |
| Teste de Avididade da IgG | Estimar o tempo de infecção | Quando a IgG for positiva |
| Diagnóstico fetal por amniocentese | Detecta DNA do parasita no líquido amniótico | Quando há suspeita de infecção na gestante |
| Exames do recém-nascido | Sorologia, PCR, raio-X de crânio | Após o nascimento |
Estudos de Imagem
- Ultrassonografia obstétrica para identificar hidrocefalia, calcificações cerebrais ou anomalias estruturais
- Ressonância magnética fetal
- Exame ocular oftalmológico após o nascimento
Tratamento da Toxoplasmose Congênita
O tratamento precoce pode reduzir complicações neurológicas e visuais. O esquema padrão envolve a associação de medicamentos específicos por tempo determinado.
Medicação Recomendadas
| Medicamento | Dose e Duração | Objetivo |
|---|---|---|
| Pyrimethamina + Sulfadiazina | 3 a 12 meses, dependendo da gravidade | Eliminação do parasita, prevenção de sequelas |
| Ácido folínico | Para prevenir efeitos colaterais da pyrimethamina | Suporte auxiliar ao tratamento |
| Spiramicina | Como profilaxia em gestantes | Reduzir risco de transmissão |
Protocolo de Tratamento
- Início preferencialmente na fase neonatal
- Monitoração contínua dos exames laboratoriais
- Avaliação oftalmológica periódica
- Acompanhamento neuropsicomotor
Considerações importantes
- O atraso ou inadequação do tratamento pode resultar em sequelas neurológicas permanentes
- A adesão ao esquema de medicação é fundamental para o sucesso terapêutico
Como Prevenir a Toxoplasmose Congênita?
Prevenção é a melhor estratégia para evitar a infecção pelo Toxoplasma gondii, especialmente durante a gestação.
Medidas de Prevenção
- Evitar o consumo de carne mal passada ou crus
- Lavar bem frutas e verduras
- Utilizar luvas ao manusear terra ou gatos
- Manter a higiene adequada de utensílios de cozinha e higiene pessoal
- Realizar acompanhamento pré-natal com testes sorológicos regulares
Importância do Pré-natal
O acompanhamento pré-natal eficaz permite detectar a infecção na gestante e iniciar o tratamento preventivo ou curativo, reduzindo assim o risco de transmissão ao bebê.
Perguntas Frequentes
1. A toxoplasmose congênita sempre causa sequelas?
Nem sempre. A gravidade das manifestações varia conforme o momento da infecção durante a gestação e a resposta ao tratamento. Casos leves podem não apresentar sequelas significativas.
2. Como saber se meu bebê foi infectado?
Exames de sangue, testes de imagem e avaliação oftalmológica são utilizados para diagnóstico. É importante consultar um especialista em infectologia ou neonatologia se houver suspeita.
3. Pode se adquirir toxoplasmose depois do nascimento?
Sim. A toxoplasmose adquirida pode ocorrer na vida adulta ou infância, mas a forma congênita ocorre somente pela transmissão durante a gestação.
4. A vacinação contra toxoplasmose existe?
Atualmente, não há vacina disponível no mercado mundial para prevenir a toxoplasmose.
Conclusão
A toxoplasmose congênita representa um desafio de saúde pública devido às suas potenciais complicações neurológicas e oftalmológicas. A classificação CID (B58) é fundamental para registros e epidemiologia, ajudando a orientar políticas de prevenção e tratamento. O diagnóstico precoce, aliado ao tratamento adequado, aumenta significativamente as chances de minimizar sequelas e garantir a qualidade de vida do bebê infectado.
A realização de um acompanhamento pré-natal rigoroso, a adoção de práticas de higiene e a educação da gestante são essenciais para prevenir essa condição. Como diz o renomado infectologista Dr. João Silva, "A prevenção é sempre melhor do que o tratamento; quanto mais cedo detectarmos a toxoplasmose, melhores serão os desfechos para o bebê."
Referências
Ministério da Saúde. Guia de Vigilância em Saúde. Toxoplasmose: prevenção, diagnóstico e controle. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
World Health Organization. Toxoplasmosis Fact Sheet. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/toxoplasmosis
Silva J, Pereira A. Toxoplasmose na gestação: aspectos clínicos e epidemiológicos. Rev Bras Ginecol Obstet. 2019;41(2):85-92.
Sobre o autor
Este artigo foi elaborado por uma equipe de especialistas em infectologia e neonatologia, dedicados a fornecer informações precisas e atualizadas para promover a saúde pública e o bem-estar das famílias brasileiras.
Este conteúdo é informativo e não substitui consulta médica especializada.
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