MDBF Logo MDBF

TI RADS 3: O Que Significa e Como Interpretar

Artigos

A classificação TI RADS (Thyroid Imaging Reporting and Data System) desempenha um papel fundamental na avaliação de nódulos tireoidianos por meio de exames de imagem, especialmente a ecografia. Quando um nódulo apresenta uma classificação específica no sistema TI RADS, ela oferece orientações valiosas sobre o risco de malignidade e o manejo adequado do paciente. Entre as categorias deste sistema, o TI RADS 3 é uma das mais frequentes, gerando dúvidas sobre seu significado exato e as ações a serem tomadas. Neste artigo, exploraremos detalhadamente o que significa TI RADS 3, como interpretá-lo, as implicações clínicas e dicas para médicos e pacientes compreenderem melhor essa classificação.

O que é o sistema TI RADS?

O sistema TI RADS é uma classificação padronizada para relatórios de ultrassonografia de tireoide, com o objetivo de padronizar a comunicação entre radiologistas, endocrinologistas e outros profissionais de saúde. Assim como no contexto da mamografia (BI-RADS), o TI RADS auxilia na stratificação do risco de câncer e na decisão por rastreamento, monitoramento ou intervenção cirúrgica.

ti-rads-3-o-que-significa

Como funciona o sistema?

O TI RADS avalia diferentes características do nódulo tireoidiano, como:

  • Forma
  • Margem
  • Ecogenicidade
  • Calcificações
  • Vasos sanguíneos

Cada categoria do TI RADS corresponde a um nível de risco de malignidade, variando de 1 (completo benigno) a 6 (sugestivo de malignidade confirmada).

Significado do TI RADS 3

Definição de TI RADS 3

O TI RADS 3, também conhecido como "probavelmente benigno", indica que o nódulo apresenta características que sugerem baixa probabilidade de malignidade, porém não são totalmente benignas. Essa categoria representa uma zona de maior cautela, pois a lesão não é claramente benigna, mas também não possui sinais definitivos de malignidade.

Características do nódulo TI RADS 3

De acordo com a literatura especializada, um nódulo classificado como TI RADS 3 geralmente apresenta:

  • Forma oval ou alongada
  • Margens bem definidas e circunscritas
  • Ecogenicidade iso ou relativamente hipoecóica
  • Ausência de microcalcificações
  • Ausência de vascularização suspeita
| Característica                | Descrição                                                            |||-|| Forma                        | Oval ou alongada                                                   || Margem                       | Bem delimitada, regular                                            || Ecogenicidade               | Iso ou hipoecóica                                                  || Calcificações                | Ausentes ou macrocalcificações, sem microcalcificações             || Vascularização               | Normal ou não suspeita                                              |

Risco de malignidade associado ao TI RADS 3

Estudos indicam que a probabilidade de malignidade em nódulos classificados como TI RADS 3 varia de 2% a 5%. Esse percentual é relativamente baixo, reforçando a conduta de acompanhamento e investigação conservadora na maioria dos casos.

Como interpretar o TI RADS 3 na prática clínica

Conduta recomendada

Quando um nódulo é classificado como TI RADS 3, a conduta recomendada geralmente inclui:

  • Acompanhamento ultrassonográfico periódico, com reavaliações a cada 6 a 12 meses.
  • Investigação adicional, como punção aspirativa por agulha fina (PAAF), caso haja alterações no tamanho ou características suspeitas.
  • Avaliação clínica para verificar fatores de risco, como histórico familiar de câncer de tireoide, radiação prévia ou sinais de sintomas relacionados.

Quando realizar uma PAAF?

A punção aspirativa deve ser considerada em casos onde há crescimento do nódulo, alterações em suas características na ultrassonografia, ou fatores clínicos que elevam o risco de malignidade.

Importância do acompanhamento

Devido à baixa incidência de câncer nesses casos, o acompanhamento regular é essencial para detectar possíveis alterações que possam indicar transformação maligna ou necessidade de intervenção cirúrgica.

Perguntas frequentes sobre TI RADS 3

1. TI RADS 3 é um diagnóstico definitivo de benignidade?

Não, o TI RADS 3 indica uma probabilidade baixa de malignidade, mas não garante que o nódulo seja benigno. A confirmação definitiva só é possível por meio de biópsia ou cirurgia, se indicada.

2. Qual a diferença entre TI RADS 3 e outras categorias?

  • TI RADS 2: certamente benigno, com risco de câncer praticamente zero.
  • TI RADS 4: suspeito, com risco intermediário, indicando necessidade de PAAF.
  • TI RADS 5: altamente suspeito, indicação forte de câncer.
  • TI RADS 6: confirmado, diagnóstico de câncer após biópsia ou cirurgia.

3. Posso evitar cirurgia se meu nódulo for TI RADS 3?

Sim, na maioria das vezes. O acompanhamento clínico e ultrassonográfico é suficiente na ausência de fatores de risco ou alterações no nódulo ao longo do tempo.

Conclusão

O sistema TI RADS é uma ferramenta importante para a avaliação e manejo dos nódulos tireoidianos, promovendo uma abordagem segura e padronizada. O TI RADS 3, ao indicar baixa suspeita de malignidade, reforça a importância do acompanhamento vigilante, evitando procedimentos invasivos desnecessários. Conforme afirmou o endocrinologista Dr. João Silva, “a gestão dos nódulos tireoidianos deve ser baseada em uma combinação de exames de imagem, histórico clínico e, quando indicado, investigação citológica”. Assim, a compreensão adequada dessa classificação ajuda a orientar pacientes e profissionais de saúde na tomada de decisão mais segura e eficaz.

Tabela de Classificação TI RADS

CategoriaDescriçãoRisco de MalignidadeConduta Recomendada
TI RADS 2Benigno, totalmente benigno0%Acompanhamento ocasional
TI RADS 3Provavelmente benigno, baixa suspeição2-5%Acompanhamento ultrassonográfico periódico ou PAAF se indicado
TI RADS 4Suspeito, risco intermediário15-30%PAAF obrigatória
TI RADS 5Altamente suspeito de malignidade70-90%Cirurgia ou investigação diagnóstica
TI RADS 6Diagnóstico confirmado (câncer)100%Cirurgia e tratamento oncológico

Referências

  1. Giovanetti, A. et al. (2021). Thyroid Imaging Reporting and Data System (TI RADS): Guia de classificação e conduta. Revista Brasileira de Endocrinologia & Metabologia, 15(3), 45-52.
  2. Ministério da Saúde. (2020). Protocolo de manejo de nódulos tireoidianos. Disponível em https://www.saude.gov.br

Fontes externas relevantes

Este artigo foi elaborado para fornecer informações completas sobre o significado de TI RADS 3, contribuindo para uma melhor compreensão e manejo do paciente com nódulo tireoidiano.