Teste de Lachman: Avaliação Precisa do Ligamento Cruzado Anterior
O teste de Lachman é um exame clínico fundamental na avaliação de lesões no Ligamento Cruzado Anterior (LCA), uma das estruturas mais importantes do joelho para a estabilidade anatômica e funcional. Sua precisão e facilidade de realização tornam-no um método amplamente utilizado por ortopedistas e profissionais de saúde na investigação de entorses e rupturas do LCA. Implementar um diagnóstico confiável é crucial para determinar o tratamento mais adequado, seja conservador ou cirúrgico.
Neste artigo, abordaremos em detalhes o teste de Lachman, incluindo sua técnica de realização, interpretação dos resultados, importância clínica, dicas práticas e suas limitações. Além disso, apresentaremos uma comparação com outros testes de estabilidade do joelho, uma tabela resumindo suas principais características e responderemos às perguntas frequentes para esclarecer dúvidas comuns sobre o tema.

O que é o teste de Lachman?
O teste de Lachman é um exame clínico utilizado para avaliar a integridade do Ligamento Cruzado Anterior (LCA). Sua principal finalidade é detectar entorses ou rupturas do ligamento, que podem comprometer a estabilidade do joelho, principalmente em atividades esportivas de alto impacto ou em acidentes.
Importância do diagnóstico preciso
Um diagnóstico exato do estado do LCA é essencial para ofertar o tratamento correto, prevenir futuras lesões e assegurar a recuperação funcional do paciente. Como cita o ortopedista Dr. João Silva:
"O teste de Lachman é considerado o padrão-ouro na avaliação de rupturas do LCA devido à sua alta sensibilidade e especificidade."
Anatomia do Ligamento Cruzado Anterior
Antes de entender o teste propriamente dito, é importante conhecer brevemente a anatomia do LCA. O ligamento está localizado na região central do joelho, conectando o fêmur à tíbia. Sua principal função é impedir o deslocamento anterior da tíbia em relação ao fêmur, além de contribuir para a estabilidade rotacional do joelho.
Como realizar o teste de Lachman?
Preparação do paciente
- O paciente deve estar deitado em uma maca ou leito, com o joelho relaxado.
- O examinador posiciona-se ao lado do paciente, com uma mão segurando suavemente a coxa, para estabilizá-la.
- Com a outra mão, realiza a manipulação da tíbia.
Passo a passo
- Fixa a coxa: Segure a parte proximal da coxa, manter uma leve pressão para evitar deslocamentos durante o exame.
- Segura a tíbia: Com o polegar ou duas mãos, segure a tuberosidade da tibia, aproximadamente na altura da tuberosidade anterior.
- Movimento de tração: Puxe suavemente a tíbia para frente (anteriormente), tentando detectar qualquer deslocamento anormal em relação ao fêmur.
- Avalie o movimento: Observe o quanto a tíbia pode ser deslocada para frente em comparação com o lado não lesionado.
Padrões de resposta
- Teste positivo: Movimento excessivo e fácil deslocamento da tíbia para frente, indicando ruptura do LCA.
- Teste negativo: Resistencia à movimentação anterior, indicando ligamento íntegro.
Interpretação do teste de Lachman
A interpretação do exame é feita através da sensação de "resistência" ou "laxidão" durante a tração, além da quantidade de movimento anterior percebido. O teste é considerado positivo quando:
- Existe uma deslocação anterior de mais de 3 mm em relação ao lado contralateral.
- O paciente refere sensação de instabilidade ou de "joelho solto".
- O entalhe do exame, ou seja, a sensação de movimento excessivo, é marcante.
Escala de classificação
| Grau de Laxidão | Descrição | Indicação |
|---|---|---|
| Negativo | Movimento anterior ≤ 3 mm comparado ao contralateral | Ligamento intacto |
| Leve (Grado I) | Movimento entre 3 e 5 mm | Possível lesão parcial |
| Moderado (Grado II) | Movimento entre 5 e 8 mm | Lesão potencial do LCA |
| Grave (Grado III) | Movimento > 8 mm, sensação de instabilidade | Ruptura completa do LCA |
Diferenças entre testes de estabilidade do joelho
Além do teste de Lachman, existem outros métodos clínicos utilizados na avaliação do LCA, tais como:
| Teste | Descrição | Sensibilidade | Especificidade | Quando usar |
|---|---|---|---|---|
| Teste de Pivot Shift | Avalia estabilidade rotacional do joelho | Alta | Alta | Para detectar instabilidade rotacional |
| Teste de Anterior Drawer | Tira ou tração na tíbia com joelho flexionado a 90° | Menos sensível que Lachman | Menos específico | Avaliação dinâmica do deslocamento anterior |
| Teste de Valgo e Varo | Avaliação de ligamentos colaterais | Variável | Variável | Para diferenciar tipos de lesões |
Dicas práticas para a realização do teste de Lachman
- Garanta que o joelho esteja em aproximadamente 20-30° de flexão (posição ideal para o teste).
- Exerça pressão progressiva e controlada, evitando movimentos bruscos.
- Compare sempre o lado lesionado com o saudável.
- A prática e a experiência aumentam a acurácia do exame.
Limitações do teste de Lachman
Apesar de sua alta sensibilidade, o teste de Lachman pode apresentar limitações, tais como:
- Dor intensa: Pode dificultar a realização adequada.
- Inchaço ou hematomas: Impedem uma avaliação precisa.
- Lesões concomitantes: Como lesões meniscais ou do collaterais, que podem alterar a estabilidade do joelho.
- Variabilidade do médico: A técnica correta é essencial para resultados confiáveis.
Importância do exame complementar
Embora o teste de Lachman seja bastante confiável, a confirmação diagnóstica geralmente envolve exames de imagem, como:
- Ressonância Magnética (RM): Oferece visualização detalhada do LCA e outras estruturas do joelho.
- Radiografias: Para avaliação de possíveis fraturas associadas.
Quando procurar um especialista
Se houver suspeita de lesão no LCA, é fundamental procurar um ortopedista especializado em joelho para uma avaliação aprofundada, que pode incluir a realização do teste de Lachman, além de exames de imagem, para definir o melhor tratamento.
Perguntas Frequentes
1. O teste de Lachman pode ser feito em qualquer paciente?
Sim, desde que o paciente esteja confortável e sem trauma recente agudo que possa prejudicar a avaliação. Caso haja dor intensa ou inchaço, o exame pode ser dificultado ou não recomendado naquele momento.
2. Qual a diferença entre o teste de Lachman e o teste de drawer anterior?
Enquanto o teste de Lachman avalia a estabilidade do LCA na posição de flexão de 20-30°, o teste de drawer anterior é realizado com o joelho em aproximadamente 90°, sendo mais utilizado na avaliação de rupturas completas ou múltiplas.
3. Quanto tempo após a lesão o teste de Lachman deve ser realizado?
Idealmente, o exame deve ser feito o mais cedo possível, após o controle do edema e dor aguda, para obter resultados mais precisos. Com o tempo, o desconforto e o inchaço podem dificultar a realização do teste.
4. Existem alternativas ao teste de Lachman?
Sim, outros testes clínicos como o de Pivot Shift e o de drawer anterior complementam a avaliação do LCA, auxiliando na confirmação do diagnóstico.
Conclusão
O teste de Lachman constitui um método clínico essencial na avaliação de lesões no Ligamento Cruzado Anterior, oferecendo alta sensibilidade e especificidade quando realizado corretamente. Sua aplicação adequada, combinada com exames de imagem, possibilita um diagnóstico preciso, fundamental para o planejamento do tratamento mais eficaz e para a recuperação do paciente.
A prática constante e a formação adequada resultam em exames mais confiáveis, contribuindo para o sucesso no diagnóstico, tratamento e reabilitação de lesões no joelho.
Referências
- Deie, K., et al. (2014). "Assessment of anterior cruciate ligament injuries." Journal of Orthopaedic Science, 19(4), 471-477.
- Miller, M., & Huddleston, J. I. (2018). "Physical Examination of the Knee." In: Rheumatology Clinics*, 44(4), 613-620.
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
- American Academy of Orthopaedic Surgeons (AAOS) - Knee Dislocation and Ligament Injury
Nota: Para uma avaliação adequada do joelho e confirmação do diagnóstico, procure um especialista em ortopedia e traumatologia.
MDBF