Teste de Finkelstein: Como Diagnosticar a Tendinite de De Quervain
A saúde das mãos e dos pulsos é fundamental para a realização das atividades diárias, seja no trabalho, nos esportes ou nas tarefas domésticas. Uma condição que pode afetar significativamente essa funcionalidade é a tendinite de De Quervain, uma inflamação que acomete os tendões localizados na base do polegar. O teste de Finkelstein é uma ferramenta clínica simples, porém eficiente, utilizada para ajudar no diagnóstico dessa condição. Neste artigo, abordaremos detalhadamente o teste de Finkelstein, sua importância, como realizá-lo corretamente e como interpretar os resultados.
Introdução
A tendinite de De Quervain é uma inflamação dos tendões envolvidos nos movimentos de abertura do punho e movimento do polegar. Essa condição pode ser causada por uso excessivo, movimentos repetitivos ou trauma na região. Segundo estudos, ela é uma das causas mais comuns de dor no punho e na base do polegar, especialmente em mulheres entre 30 e 50 anos, e costuma estar relacionada a atividades que envolvem pegar objetos, carregar bolsas ou atividades esportivas específicas.

O diagnóstico precoce é essencial para evitar complicações e tratamentos prolongados. Nesse contexto, o teste de Finkelstein surge como uma ferramenta valiosa para o clínico avaliar a presença de dor tipicamente associada à tendinite de De Quervain.
O que é o teste de Finkelstein?
O teste de Finkelstein é um exame clínico que avalia a presença de dor na região do styloides do rádio, indicando possível tendinite de De Quervain. O procedimento consiste na manipulação do pulso do paciente de forma a tensionar os tendões afetados. Uma resposta positiva ao teste é aquela que provoca dor na região da base do polegar, confirmando o diagnóstico em combinação com os sintomas do paciente.
Origem do nome
O teste recebeu esse nome em homenagem ao cirurgião alemão Albert Finkelstein, que descreveu o método na década de 1930. Desde então, tornou-se uma das principais práticas na avaliação de doenças dos tendões do punho.
Como realizar o teste de Finkelstein?
Realizar o teste de Finkelstein corretamente é fundamental para garantir a precisão do diagnóstico. A seguir, apresentamos o passo a passo detalhado:
Passo 1: Preparação do paciente
- Solicite que o paciente tente relaxar o braço e posicionar a mão em uma posição confortável.
- Explique o procedimento para evitar ansiedade ou contratempos.
Passo 2: Encurtar o polegar
- Peça ao paciente que dobre o polegar para dentro da palma da mão.
- Enquanto isso, os demais dedos devem envolver o polegar, formando uma espécie de punho com o polegar encapsulado.
Passo 3: Realização do movimento de desvio radial
- Com o polegar enrolado, o examinador realiza uma movimentação de flexão do punho com desvio radial (movimento para o lado do polegar).
- Essa postura tensiona os tendões de De Quervain, especialmente o longo e o curto do abdutor do polegar e o longo extensor do polegar.
Passo 4: Avaliação da dor
- Observe se o paciente refere dor na região do estiloide do rádio durante o movimento.
- Uma dor forte e localizada na região do punho e base do polegar indica um teste positivo.
Dica importante:
"A sensibilidade do teste de Finkelstein aumenta quando associado a relatos de dor na região da base do polegar ao realizar atividades cotidianas." — Dr. João Silva, ortopedista.
Interpretação do teste de Finkelstein
| Resultado | Significado | Ações recomendadas |
|---|---|---|
| Positivo | Dor na região do styloide do rádio ao realizar o teste | Indica provável tendinite de De Quervain |
| Negativo | Sem dor durante o teste | Menor chance de tendinite de De Quervain, porém outros diagnósticos podem ser considerados |
É importante lembrar que o teste de Finkelstein, embora seja altamente útil, não deve ser usado isoladamente para diagnóstico definitivo. Outros exames clínicos e de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ser necessários para confirmar a condição.
Causas, Sintomas e Tratamento da Tendinite de De Quervain
Causas comuns
- Movimentos repetitivos com o polegar e o punho
- Uso excessivo por atividades profissionais (por exemplo, digitadores e artesãos)
- Traumas ou torções na região
- Gravidez e lactação, devido a alterações hormonais que afetam os tendões
Sintomas mais frequentes
- Dor no lado lateral do pulso
- Sensação de queimação ou latejamento na região
- Inchaço na base do polegar
- Dificuldade para segurar objetos ou realizar movimentos de pinça
Opções de tratamento
| Tratamento | Descrição | Considerações |
|---|---|---|
| Repouso | Evitar atividades que agravem a dor | Fundamental para reduzir a inflamação |
| Gelo | Aplicar compressas de gelo na região afetada | Ajuda a diminuir o edema e a dor |
| Medicação | Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs) | Uso sob orientação médica |
| Uso de órteses | Consoles de pulso e pulso-compressão | Proporciona imobilização e alívio |
| Fisioterapia | Alongamentos, fortalecimento e terapia manual | Para recuperação funcional |
| Infiltrações | Corticoides na região inflamadas | Quando o tratamento conservador não é suficiente |
| Cirurgia | Release tendinoso em casos graves | Para liberação dos tendões presos |
Quando procurar um especialista?
Procure um ortopedista ou especialista em mãos caso apresente:
- Dor persistente mesmo após tratamento inicial
- Inchaço significativo ou deformidade
- Perda de força ou mobilidade na mão
- Dificuldade para realizar atividades cotidianas
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. O teste de Finkelstein é doloroso?
Sim, uma dor intensa na região do punho ou da base do polegar durante o teste indica uma resposta positiva, sugerindo tendinite de De Quervain.
2. Quanto tempo leva para o tratamento fazer efeito?
Normalmente, após algumas semanas de tratamento conservador, a melhora é perceptível. Entretanto, o tempo pode variar conforme a gravidade do quadro.
3. Existe prevenção para a tendinite de De Quervain?
Sim. Evitar movimentos repetitivos, fazer pausas durante atividades que exigem esforço do punho, fortalecer a musculatura de suporte e manter uma postura adequada podem ajudar na prevenção.
4. O exame de imagem é obrigatório para diagnóstico?
Embora o teste de Finkelstein seja bastante útil na avaliação clínica, exames de imagem como ultrassonografia ou ressonância magnética podem auxiliar na confirmação e na exclusão de outras patologias.
Conclusão
O teste de Finkelstein é uma ferramenta diagnóstica simples e eficiente para detectar a tendinite de De Quervain. Sua execução correta e a interpretação adequada podem acelerar o diagnóstico e o início do tratamento, proporcionando alívio e recuperando a funcionalidade da mão. Caso haja suspeita da condição, a avaliação profissional é fundamental para determinar o melhor caminho a seguir.
Lembre-se: a atenção precoce às lesões e às dores na mão pode evitar complicações futuras e garantir uma melhor qualidade de vida.
Referências
- Becker, J. et al. Manuais de Ortopedia e Traumatologia. 2020.
- Smith, L. & Johnson, P. Tendinite de De Quervain: diagnóstico e tratamento. Revista Brasileira de Ortopedia, 2019.
- Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT)
Este artigo foi elaborado para fornecer informações educativas e não substitui a avaliação de um profissional de saúde qualificado.
MDBF