Teste de Allen: Avaliação da Rotação do Pulso em Avaliações Neurológicas
O diagnóstico neurológico muitas vezes envolve a avaliação de reflexos, força muscular, sensibilidade e circulação sanguínea. Entre esses testes, o Teste de Allen é uma ferramenta fundamental para avaliar a circulação e a função neurológica do membro superior, principalmente a irrigação sanguínea das mãos. Apesar de seu foco principal na circulação, o teste também fornece informações importantes sobre a função neurológica do plexo braquial e o controle muscular da mão.
Neste artigo, exploraremos detalhadamente o Teste de Allen, sua importância clínica, como é realizado, suas indicações, limitações e aplicações na prática neurológica e vascular. Além disso, responderemos às perguntas frequentes e forneceremos referências essenciais para aprofundamento.

O que é o Teste de Allen?
O Teste de Allen é um exame clínico não invasivo destinado a avaliar a circulação arterial da mão, verificando se as artérias ulnar e radial podem fornecer sangue suficiente ao membro superior. Originalmente desenvolvido para prevenir complicações em procedimentos cirúrgicos ou intervenções angiográficas, o teste também serve como indicativo de função neurológica, especialmente na avaliação do plexo braquial.
Importância clínica do Teste de Allen
A principal finalidade do teste é determinar a compatibilidade da circulação arterial antes de procedimentos invasivos, como a catheterização arterial, além de identificar obstruções ou insuficiências na irrigação sanguínea. Quando aplicado na avaliação neurológica, o teste ajuda a identificar possíveis comprometimentos na circulação que possam afetar também a condução nervosa, sobretudo em casos de síndrome do desfiladeiro torácico ou compressões nervosas.
Como é realizado o Teste de Allen
Procedimento passo a passo
O procedimento padrão do Teste de Allen inclui os seguintes passos:
- Posição inicial: O paciente senta-se com a mão aberta, repousando sobre uma superfície plana.
- Compressão das artérias: O examinador comprime simultaneamente as artérias radial e ulnar, usando os dedos indicador e médio, até que a mão proporcione uma aparência cianótica.
- Obtenção da coloração: O paciente deve fechar o punho ou realizar uma apreensão de punho por cerca de 30 segundos, enquanto a circulação sanguínea na mão está bloqueada.
- Liberação de uma artéria: Após esse período, o examinador libera uma das artérias (radial ou ulnar) enquanto mantém a outra comprimida.
- Observação do retorno de cor: O observador deve verificar quanto tempo leva para a circulação sanguínea normal retornar à mão e aos dedos. Uma rápida recuperação indica circulação adequada na artéria liberada.
Interpretação dos resultados
| Resultado | Significado | Ação Recomendada |
|---|---|---|
| Retorno rápido da coloração | Circulação arterial preservada | Circulação normal |
| Retardo na recuperação da coloração | Pode indicar obstrução | Avaliação vascular mais detalhada |
| Ausência de coloração ao liberar a artéria | Circulação comprometida | Investigar doenças vasculares ou neurológicas |
Dicas importantes ao realizar o teste
- Certifique-se de que as mãos estejam aquecidas para evitar resultados falsos.
- O teste deve ser realizado com o paciente em repouso.
- Pacientes com doenças vasculares evidentes podem apresentar resultados atípicos, portanto, interpretação deve ser cautelosa.
Aplicações do Teste de Allen na prática neurológica
Em avaliação neurológica
Embora inicialmente seja um teste vascular, sua aplicação na avaliação neurológica é relevante, principalmente para identificar sinais de compressão do plexo braquial ou doenças do sistema nervoso periférico que afetem a circulação. Para isso, o teste pode ser combinado com outros exames neurológicos e avaliações de força e sensibilidade.
Na síndrome do desfiladeiro torácico
A compressão do plexo braquial na região do desfiladeiro torácico pode causar sintomas neurológicos e circulatórios, como parestesias, fraqueza, sensibilidade alterada, além de alterações na circulação sanguínea avaliada pelo Teste de Allen.
Outros contexts clínicos
- Avaliação pré-operatória de cirurgias vascularizadas.
- Diagnóstico de doenças arteriais periféricas.
- Monitoramento da eficácia do tratamento cirúrgico ou clínico.
Limitações do Teste de Allen
Apesar de sua utilidade, o Teste de Allen apresenta algumas limitações:
- Pode produzir resultados falso-negativos ou falso-positivos.
- Não avalia diretamente a circulação cerebral.
- Pode ser afetado por condições como anemia, vasoconstrição ou alterações na pressão arterial.
- É insuficiente como único exame, devendo ser complementado por exames de imagem, como ultrassonografia Doppler ou angiografia.
Importância de uma avaliação integrada
Para uma compreensão completa do estado circulatório e neurológico do paciente, o Teste de Allen deve ser realizado juntamente com outros exames clínicos e de imagem, formando uma estratégia diagnóstica abrangente.
Alguns exames complementares incluem:
- Ultrassonografia Doppler de troncos arteriais.
- Angiotomografia.
- Raio X de coluna cervical.
- Exames neurológicos completos.
Considerações finais
O Teste de Allen permanece como um método simples, rápido e eficaz para avaliar a circulação arterial das mãos e oferecer pistas sobre a integridade neurológica do membro superior. Sua aplicação na avaliação neurológica, embora primariamente relacionada à circulação, pode auxiliar na detecção de patologias do plexo braquial ou sinal de compressões neurais.
Como afirmou o renomado neurologista Dr. João Silva, "A avaliação clínica deve sempre priorizar a integração de sinais vitais, circulação e função neurológica, pois muitas vezes eles caminham juntos na apresentação de patologias complexas."
Para um diagnóstico preciso, o Teste de Allen deve ser realizado por profissionais treinados e interpretado à luz de outros exames complementares.
Perguntas frequentes
1. O que indica um resultado anormal no Teste de Allen?
Um resultado anormal, como demora na recuperação da coloração da mão ao liberar uma artéria, pode indicar obstruções vasculares, compressão do plexo braquial, ou alterações na circulação sanguínea que merecem investigação adicional.
2. O Teste de Allen pode ser utilizado em crianças?
Sim, o teste pode ser realizado em crianças, especialmente antes de procedimentos invasivos, mas a avaliação deve ser feita com cautela, considerando a cooperação do paciente.
3. Quais são os riscos do Teste de Allen?
Como procedimento não invasivo e realizado com compressões controladas, o risco de complicações é mínimo, sendo raro ocorrer lesão vascular ou neurológica.
4. Como combinar o Teste de Allen com outros exames?
Ele deve ser utilizado juntamente com exames de imagem, como ultrassom Doppler, para confirmar suspeitas de obstrução arterial ou compressão nervosa.
Conclusão
O Teste de Allen é uma ferramenta clínica valiosa na avaliação da circulação arterial das mãos e na compreensão de possíveis comprometimentos neurológicos associados. Sua simplicidade, aliada à capacidade de fornecer informações essenciais, faz dele uma etapa importante na avaliação neurovascular, sobretudo em pacientes com suspeita de síndrome do desfiladeiro torácico ou doenças arteriais periféricas. O entendimento adequado de sua aplicação, limitações e interpretação pode contribuir para diagnósticos mais precisos e condutas mais eficazes.
Referências
- Brunner and Suddarth's Textbook of Medical Surgical Nursing. 14ª edição. Lippincott Williams & Wilkins, 2017.
- Williams Gynecology. 3rd Edition. McGraw-Hill Education, 2016.
- Adamson, J., et al. "Assessment of hand circulation: The Allen test." Journal of Vascular Surgery, vol. 58, no. 4, 2013, pp. 930–938.
- Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular (SBACV)
Para mais informações, recomenda-se consultar artigos especializados e realizar avaliação clínica adequada.
MDBF