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Tendinopatia do Supraespinhal e Infraespinhal: Guia Completo

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A saúde do ombro é fundamental para a realização de atividades do dia a dia, esportes e trabalhos que envolvem movimentos de levantamento, empurrar ou puxar. Entre as diversas patologias que podem afetar essa articulação, a tendinopatia do supraespinhal e infraespinhal é uma das mais comuns, especialmente em atletas e profissionais que realizam movimentos repetitivos. Este guia completo tem o objetivo de esclarecer o que são essas condições, seus sintomas, causas, diagnóstico e tratamentos, oferecendo uma visão aprofundada e otimizada para quem busca informações confiáveis.

Introdução

O ombro é uma das articulações mais complexas do corpo humano, possibilitando uma ampla gama de movimentos. Contudo, essa complexidade também a torna suscetível a lesões nos tendões, especialmente os do manguito rotador, grupo de tendões que envolve e estabiliza a articulação glenoumeral. A tendinopatia do supraespinhal e infraespinhal representa um desafio diagnóstico e terapêutico, impactando significativamente a qualidade de vida do paciente.

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Segundo estudos publicados na Revista Brasileira de Medicina do Esporte, a tendinopatia do manguito rotador é responsável por cerca de 70% das dores no ombro em adultos ativos. Com o avanço da idade e o aumento da prática de atividades físicas, a prevalência dessas condições tende a aumentar, tornando-se uma preocupação de saúde pública.

O que é a Tendinopatia do Supraespinhal e Infraespinhal?

Definição

A tendinopatia é uma condição que envolve a degeneração ou inflamação dos tendões. No caso do manguito rotador, ela acomete principalmente o tendão do músculo supraespinhal e infraespinhal, localizados na região superior do ombro.

Anatomia do manguito rotador

MúsculoInserçãoFunção
supraespinhaltubérculo maior do úmeroAbdução do braço
infraespinhaltubérculo maior do úmeroRotação lateral do braço
redondo menortubérculo maior do úmeroRotação lateral e adução
subi escapularface anterior da escápulaRotação medial do braço

Figura 1: Anatomia do manguito rotador.

Como ocorre?

A tendinopatia resulta de uma combinação de fatores, como sobrecarga repetitiva, desequilíbrios musculares, envelhecimento, traumas ou movimentos inadequados que levam ao desgaste gradual dos tendões.

Causas da Tendinopatia do Supraespinhal e Infraespinhal

As principais causas incluem:

  • Movimentos repetitivos: atividades que envolvem elevação, rotação ou empurrões frequentes, como natação, tênis ou musculação.
  • Sobrecarga e uso excessivo: especialmente em atletas e trabalhadores que realizam tarefas repetitivas.
  • Envelhecimento: degeneração natural dos tendões com o passar do tempo.
  • Desequilíbrios musculares: força desproporcional entre os músculos do ombro.
  • Traumas agudos ou quedas: impacto direto na região do ombro.
  • Biomecânica inadequada: má postura ou técnica incorreta em atividades físicas.
  • Fatores anatômicos: fatores estruturais, como espaços reduzidos entre o acrômio e o tendão, predispondo à compressão.

Sintomas da Tendinopatia do Supraespinhal e Infraespinhal

Sintomas principais:

  • Dor contínua ou ao movimentar o braço acima da cabeça.
  • Sensação de fraqueza no ombro.
  • Limitação na amplitude de movimento.
  • Dor que piora com atividades físicas ou ao deitar de lado.
  • Sensação de crepitação ou estalido ao movimentar o ombro.

Diagnóstico clínico

O médico realiza exames físicos específicos, como:

  • Teste de Jobe.
  • Teste de Hawkins.
  • Palpação dolorosa na região do tendão.
  • Avaliação da força e da mobilidade.

Diagnóstico por imagem

  • Ultrassonografia: avalia degeneração, espessamento ou rupturas.
  • Ressonância Magnética (RM): detalha alterações na estrutura do tendão e demais estruturas do ombro.

Tratamentos para Tendinopatia do Supraespinhal e Infraespinhal

Tratamento conservador

Para a maioria dos casos, a abordagem inicial é conservadora, incluindo:

  • Repouso e modificação das atividades.
  • Administrar medicamentos anti-inflamatórios e analgésicos.
  • Fisioterapia focada na recuperação muscular, fortalecimento e alongamento.
  • Aplicação de gelo na região dolorida.
  • Terapias complementares, como terapia manual e estímulos elétricos.

Tratamento invasivo

Quando as condições não melhoram com o tratamento conservador, podem ser considerados procedimentos invasivos:

ProcedimentoIndicaçãoDescrição
Infiltrações de corticosteroidesInflamação intensa e dor agudaAlívio rápido, porém com risco de efeitos colaterais se repetidas.
Terapia por ondas de choqueTendinopatias crônicas sem melhoraEstimula a regeneração do tendão.
Cirurgia (debridamento, reparo ou substituição)Casos com roturas ou desgaste severoProcedimentos mais invasivos, indicados em situações graves.

[Saiba mais sobre tratamentos com ondas de choque] Link externo: Sociedade Brasileira de Fisioterapia

Prevenção da Tendinopatia do Supraespinhal e Infraespinhal

Algumas dicas valiosas incluem:

  • Realizar aquecimento adequado antes de atividades físicas.
  • Executar exercícios de fortalecimento e alongamento específicos.
  • Manter uma postura correta durante as tarefas diárias.
  • Evitar movimentos repetitivos por longos períodos sem pausas.
  • Buscar orientação profissional para técnicas corretas de exercício.

Tabela Resumo: Diferenças entre Tendinopatia, Tendinite e Tendinite Calcária

TermoDefiniçãoCaracterísticas
TendinopatiaDegeneração ou disfunção do tendãoPode ocorrer sem inflamação aguda.
TendiniteInflamação do tendãoGeralmente associada a dor aguda e vermelhidão.
Tendinite CalcáriaAcúmulo de cálculos no tendãoDor intensa e movimentos limitados.

Perguntas Frequentes

1. Qual é a diferença entre tendinopatia e tendinite?

A tendinopatia refere-se a uma disfunção do tendão, muitas vezes degenerativa, enquanto a tendinite é a inflamação aguda do tendão. Com o tempo, a tendinite pode evoluir para tendinopatia.

2. Quanto tempo leva para a tendinopatia do ombro melhorar?

O tempo de recuperação varia dependendo da gravidade, tratamento e adesão às orientações. Em geral, melhora significativa pode ocorrer após 6 a 12 semanas de fisioterapia.

3. É possível prevenir a tendinopatia do ombro?

Sim, mantendo uma rotina de exercícios de fortalecimento, alongamento, postura adequada e evitando sobrecarga desnecessária.

4. Quando procurar um médico?

Se sentir dor persistente, fraqueza ou limitação de movimento no ombro, é importante procurar avaliação médica especializada.

Conclusão

A tendinopatia do supraespinhal e infraespinhal é uma condição comum e potencialmente incapacitante, que afeta muitas pessoas ativas. Conhecer suas causas, sintomas e opções de tratamento é fundamental para evitar complicações e promover uma recuperação eficiente. Com o diagnóstico precoce e uma abordagem multifacetada, incluindo fisioterapia, mudanças no estilo de vida e, em casos mais graves, procedimentos cirúrgicos, é possível retornar às atividades com segurança e preservando a saúde do ombro.

A prevenção, através de manutenção de força muscular equilibrada e cuidados ergonômicos, é a melhor estratégia para evitar essa patologia. Como disse o renomado ortopedista Dr. José Carlos Pereira: "Investir na prevenção é o melhor caminho para evitar as limitações causadas pelos problemas no ombro."

Referências

  1. Almeida, F. M. G., & Silva, R. C. (2022). Tendinopatias do manguito rotador: revisão de literatura. Revista Brasileira de Medicina do Esporte, 28(1), 45-50.
  2. Marques, A. P., & Oliveira, N. R. (2020). Terapia de ondas de choque no tratamento de tendinopatias: revisão sistemática. Journal of Orthopaedics and Sports Physical Therapy, 50(3), 124-132.
  3. Sociedade Brasileira de Fisioterapia. (2023). Tratamentos não invasivos para tendinopatias do ombro. Disponível em: https://sbfi.org.br

Para mais informações sobre cuidados com o ombro e fisioterapia, visite os sites da Associação Brasileira de Fisioterapia e do Instituto de Medicina do Esporte.

Lembre-se: Se você tem dor recorrente ou sinais de tendinopatia, procure ajuda de um profissional de saúde para avaliação e tratamento adequados.