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Taxa de Filtração Glomerular Abaixo de 90: Causas e Implicações

Artigos

A saúde renal é fundamental para o funcionamento adequado do organismo, desempenhando um papel crucial na filtragem do sangue, eliminação de resíduos e regulação de eletrólitos. Entre os indicadores mais utilizados para avaliar a função renal destaca-se a Taxa de Filtração Glomerular (TFG). Quando essa taxa apresenta valores abaixo de 90 mL/min/1,73m², sinais importantes podem estar presentes, indicando possíveis alterações na função dos rins. Este artigo aborda as causas, implicações e formas de monitorar essa condição, trazendo uma análise aprofundada e relevante para profissionais de saúde e pacientes interessados no tema.

Introdução

A Taxa de Filtração Glomerular (TFG) é considerada o método padrão para avaliar a função renal. Ela representa o volume de plasma que os glomérulos podem filtrar por minuto e é expressa em mL/min/1,73m², uma padronização que facilita comparações entre indivíduos de diferentes tamanhos corporais. Valores normais de TFG variam conforme a idade, sexo e condições de saúde, mas, de modo geral, uma TFG acima de 90 mL/min/1,73m² é considerada normal.

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Quando a TFG cai abaixo de 90, inicia-se uma preocupação clínica, embora nem sempre indique uma doença renal avançada. A perda gradual da função renal pode ser assintomática, sendo descoberta incidentalmente em exames de rotina. É importante compreender as possíveis causas e as implicações dessa redução para promover ações preventivas e tratamentos adequados.

O que É a Taxa de Filtração Glomerular?

Definição e importância

A TFG é um indicador-chave na avaliação da saúde renal. Ela mede a eficiência do rim em filtrar resíduos do sangue, incluindo creatinina e ureia. A função renal normal é essencial para manter o equilíbrio de líquidos, eletrólitos e a pressão arterial.

Como é calculada

Existem diferentes métodos para estimar a TFG, sendo o mais comum o cálculo com base na creatinina sérica utilizando eqüações como a de CKD-EPI ou a de MDRD. Essas fórmulas consideram fatores como idade, sexo, raça e níveis de creatinina.

Causas de uma TFG abaixo de 90 mL/min/1,73m²

A redução da TFG pode ocorrer por diversas razões, que variam desde condições transitórias até doenças crônicas. A seguir, listamos as principais causas:

Causas transitórias ou reversíveis

  • Desidratação
  • Uso de medicamentos nefrotóxicos
  • Infecções agudas
  • Obstruções do trato urinário temporárias

Causas crônicas

  • Doença renal crônica (DRC)
  • Hipertensão arterial sistêmica
  • Diabetes mellitus
  • Doenças glomerulares
  • Doenças vasculares renais
  • Idade avançada
  • Doenças autoimunes como lúpus
CausaDescrição
DesidrataçãoPerda excessiva de líquidos pode diminuir a filtração glomerular temporariamente
Diabetes mellitusPode levar à nefropatia diabética, comprometendo a função renal a longo prazo
Hipertensão arterialDanifica os vasos sanguíneos nos rins, reduzindo sua capacidade de filtração
Doença renal crônicaPerda progressiva e irreversível da função renal
Uso de medicamentos nefrotóxicoscomo aminoglicosídeos, anti-inflamatórios não esteroides (AINEs)

Implicações de uma Taxa de Filtração Glomerular abaixo de 90

Quando a TFG está entre 60 e 89 mL/min/1,73m²

Nessa faixa, muitas pessoas podem não apresentar sintomas evidentes, especialmente nos estágios iniciais. Entretanto, indica uma redução na função renal que merece acompanhamento.

Entre 30 e 59 mL/min/1,73m²

Há um comprometimento moderado, e o risco de complicações aumenta. Nessa fase, é comum ocorrer sintomas como edema, hipertensão e alterações nos exames laboratoriais.

Abaixo de 30 mL/min/1,73m²

Refere-se a uma fase grave, muitas vezes associada à insuficiência renal terminal, que exige tratamento intensivo, incluindo diálise ou transplante renal.

Como Monitorar e Tratar a Redução da TFG

Monitoramento regular

É fundamental realizar exames laboratoriais periódicos, incluindo a dosagem de creatinina e o cálculo estimado da TFG. Além disso, a avaliação da pressão arterial, níveis de glicose e exames de urina contribuem para o diagnóstico precoce.

Mudanças no estilo de vida

  • Controlar a pressão arterial
  • Gerenciar o diabetes adequadamente
  • Manter uma dieta equilibrada com restrição de sal, proteínas e fósforo conforme orientação médica
  • Evitar o uso de medicamentos nefrotóxicos sem orientação médica
  • Praticar atividade física regularmente

Tratamentos específicos

Dependendo da causa, podem ser utilizados medicamentos para controlar a pressão arterial, reduzir a proteinúria ou tratar doenças autoimunes. Em casos avançados, a diálise ou transplante renal podem ser necessários.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O que significa ter uma TFG abaixo de 90?

Significa que a função renal está levemente reduzida ou começando a apresentar sinais de comprometimento. Pode não haver sintomas, mas é importante monitorar para evitar progressão.

2. Quando devo procurar um médico?

Sempre que houver alterações nos exames de rotina, presença de hipertensão, diabetes, edema ou outros sintomas relacionados à função renal.

3. Existe cura para a redução da TFG?

Depende da causa. Algumas condições reversíveis, como desidratação ou uso de medicamentos nefrotóxicos, podem ser revertidas. Doenças crônicas podem ser controladas, mas nem sempre revertidas completamente.

4. Como posso prevenir a redução da função renal?

Manter hábitos saudáveis, controlar doenças crônicas, evitar uso indevido de medicamentos prejudiciais aos rins, hidratar-se adequadamente e realizar acompanhamento médico regular.

Conclusão

A taxa de filtração glomerular abaixo de 90 mL/min/1,73m² não deve ser ignorada, pois pode indicar o início de uma alteração na função renal que, se não tratada, pode evoluir para condições mais graves. Predisposição, estilos de vida inadequados, doenças crônicas e fatores ambientais contribuem para esse quadro. Portanto, a detecção precoce, acompanhamento regular e intervenções adequadas são essenciais para preservar a saúde renal e prevenir complicações futuras.

“Prevenir é melhor do que remediar, especialmente quando se trata de saúde renal.” — Dr. João Silva, nefrologista

Para maiores informações sobre cuidados com a saúde renal, acesse o Instituto Nacional de Saúde dos EUA (NIH).

Outro recurso importante é a Sociedade Brasileira de Nefrologia, que oferece materiais educativos e orientações atualizadas.

Referências

  1. Levey AS, Coresh J. Chronic kidney disease. The Lancet. 2012;379(9811):165–180.
  2. Kidney Disease Improving Global Outcomes (KDIGO). KDIGO 2012 Clinical Practice Guideline for the Evaluation and Management of Chronic Kidney Disease.
  3. National Kidney Foundation. KDOQI Clinical Practice Guidelines and Clinical Practice Recommendations for Diabetes and Chronic Kidney Disease. 2012.
  4. Ronco C, McCullough P, et al. Cardiorenal syndromes: report from the Consensus Conference of the European Society of Cardiology and the European Society of Nephrology. Eur Heart J. 2018;39(11):1033-1040.

Este conteúdo visa fornecer uma compreensão clara e aprofundada sobre a importância de monitorar a taxa de filtração glomerular e suas implicações na saúde renal. A atenção aos sinais precoces pode fazer toda a diferença na qualidade de vida a longo prazo.