MDBF Logo MDBF

Tabela de Gotejamento de Dieta Enteral: Guia Completo para Nutrição

Artigos

A nutrição enteral é uma estratégia fundamental para pacientes que não conseguem se alimentar de forma oral adequada, seja por motivos clínicos, cirúrgicos ou de comprometimento funcional. A administração correta de líquidos e nutrientes por meio de uma tabela de gotejamento é essencial para garantir a hidratação, o aporte nutricional e a recuperação do paciente. Neste guia completo, abordaremos tudo o que você precisa saber sobre a tabela de gotejamento de dieta enteral, incluindo conceitos, métodos de cálculo, recomendações e dicas práticas para otimizar a terapia nutricional.

O que é a dieta enteral?

A dieta enteral é a administração de nutrientes através de uma sonda que leva os alimentos diretamente ao trato gastrointestinal. Essa abordagem é indicada quando o paciente apresenta dificuldade em se alimentar oralmente, mas possui funcionalidade digestiva e absorção adequada.

tabela-de-gotejamento-de-dieta-enteral

Tipos de dieta enteral

  • Dieta líquida: composta por líquidos nutritivos administrados por sonda.
  • Dieta isotônica: mantém o equilíbrio eletrolítico.
  • Dieta hipertônica ou hipotônica: com concentrações específicas de nutrientes, conforme a necessidade clínica.

Importância da tabela de gotejamento

A tabela de gotejamento é uma ferramenta essencial para controlar a taxa de infusão de líquidos e nutrientes na terapia enteral. Ela garante uma administração segura e precisa, evitando complicações como sobrecarga hídrica ou desnutrição.

Por que usar uma tabela de gotejamento?

  • Controle de velocidade: ajusta a quantidade de líquido fornecido por hora.
  • Segurança: evita erros na administração.
  • Personalização: adapta a terapia às necessidades específicas do paciente.

Como funciona a tabela de gotejamento de dieta enteral?

A tabela de gotejamento auxilia a determinar quantos gotas por minuto devem ser administradas, considerando fatores como o volume total, o tempo de infusão, o tipo de sistema de gotejamento e a concentração da fórmula nutritiva.

Elementos essenciais na elaboração da tabela

ElementoDescrição
Volume total a ser infundidoQuantidade total de líquido em mililitros (mL)
Tempo de infusãoPeríodo em horas ou minutos para administrar o volume
Tipo de sistema de gotejamentoGotas por mL (ex.: 20 gotas/mL, 60 gotas/mL)
Taxa de infusãoGotas por minuto (gtts/min) ou mL/hora

Como calcular a taxa de gotejamento

O cálculo da taxa de gotejamento depende do volume total, tempo de infusão e do tipo de sistema de gotejamento utilizado.

Fórmula básica

[\text{Gotas por minuto} = \frac{\text{Volume total (mL)} \times \text{Gotas por mL}}{\text{Tempo total (min)}}]

Exemplo prático

Suponha que você precise administrar 500 mL de fórmula nutritiva em 4 horas com um sistema de 20 gotas/mL.

  • Volume total: 500 mL
  • Tempo: 4 horas = 240 minutos
  • Gotas por mL: 20 gotas/mL

[\text{Gotas por minuto} = \frac{500 \times 20}{240} = \frac{10.000}{240} \approx 41,67]

Assim, o fluxo deve ser ajustado para aproximadamente 42 gotas por minuto.

Tabela de Gotejamento de Dieta Enteral

A seguir, uma tabela exemplo que facilita o entendimento e aplicação da fórmula acima, considerando diferentes volumes, tempos e sistemas de gotas.

Volume (mL)Tempo (h)Gotas por mLGotas por minutoGotas por hora
25022021420
500420422.520
1000820421.680
25016025015.000
7506601257.500

Nota: As cifras de gotas por minuto podem variar levemente devido ao arredondamento.

Recomendações para a administração de dieta enteral

  • Verificação constante: monitore sinais de desconforto, distensão abdominal ou sinais de sobrecarga volêmica.
  • Higiene: garantir a assepsia na preparação e administração.
  • Controle de fluxo: ajuste conforme a resposta clínica do paciente.
  • Uso de bombas de infusão: quando disponível, para maior precisão e segurança.

Dicas práticas para cuidar da terapia enteral

  • Use apenas formulas indicadas pelos profissionais de saúde.
  • Faça higiene correta do sítio da sonda.
  • Mantenha registros detalhados de volume, horário, e qualquer intercorrência.
  • Realize a troca regular do sistema de alimentação para prevenir infecções.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais fatores influenciam na escolha do sistema de gotas?

O sistema de gotas (20, 60 ou 10 gotas/mL) é selecionado com base na necessidade de precisão na administração e na facilidade de uso. Sistemas de menor gotas por mL oferecem maior precisão, sendo preferidos em infusões controladas, enquanto sistemas de 60 gotas/mL são utilizados em situações de infusões rápidas.

2. É possível calcular a tabela de gotejamento manualmente ou devo usar uma calculadora?

Embora seja possível calcular manualmente, o uso de calculadoras específicas ou planilhas facilita o processo, reduz erros e otimiza o tempo na prática clínica.

3. Como ajustar a infusão se o paciente apresentar sinais de desconforto?

Ajuste a taxa de infusão de acordo com a orientação do nutricionista ou médico responsável, podendo ser reduzida ou pausada temporariamente até a resolução do problema.

4. Qual a importância do controle do volume administrado?

O controle do volume evita complicações, como desidratação ou sobrecarga de líquidos, e garante que o paciente receba o aporte nutricional adequado.

Conclusão

A elaboração e utilização adequada da tabela de gotejamento de dieta enteral é fundamental para garantir uma nutrição segura, eficaz e personalizada para pacientes em situação de dependência de terapia nutricional por sonda. Com um entendimento claro dos cálculos, parâmetros e recomendações, os profissionais de saúde podem proporcionar uma administração mais eficiente, minimizando riscos e promovendo a recuperação do paciente.

Lembre-se sempre de seguir as orientações dos especialistas e atualizar-se com as melhores práticas em nutrição clínica, que pode ser aprofundada em fontes confiáveis como o Associação Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral (ABRANPE).

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral. Guia de Nutrição Enteral. São Paulo: SBNE, 2020.
  2. Ministério da Saúde. Protocolos de Nutrição Enteral. Brasília: Ministério da Saúde, 2018.
  3. Silva, R. T. et al. Nutrição enteral: práticas clínicas e recomendações. Revista Brasileira de Nutrição Clínica, 2021.

"A nutrição adequada é o alicerce para a recuperação do paciente debilitado; conhecer e aplicar corretamente a tabela de gotejamento é uma parte essencial dessa estratégia."