Tabela de Goniometria em Fisioterapia: Guia Completo e Atualizado
A avaliação da mobilidade articular é fundamental na prática da fisioterapia, permitindo um diagnóstico preciso e o desenvolvimento de planos de tratamento eficazes. Entre as ferramentas utilizadas, a goniometria destaca-se como um recurso essencial para medir os ângulos de movimento das articulações, auxiliando na monitorização da evolução do paciente.
Este artigo apresenta um guia completo e atualizado sobre a tabela de goniometria utilizada na fisioterapia, abordando conceitos básicos, procedimentos, tabelas de referência, perguntas frequentes e referências importantes para profissionais e estudantes da área.

Introdução
A avaliação funcional do movimento articular é uma das etapas mais relevantes na fisioterapia, pois fornece dados objetivos que fundamentam intervenções específicas. A goniometria é uma técnica que permite a mensuração quantitativa do ângulo de movimentação de diversas articulações do corpo humano, sendo amplamente empregada na avaliação, reavaliação e planejamento de tratamentos.
De acordo com V. B. Grgic, um renomado fisioterapeuta, "a mensuração precisa do movimento é a base para um tratamento eficaz, permitindo identificar limitações e monitorar progressos com precisão".
Vamos explorar, neste guia, a importância da tabela de goniometria, suas principais aplicações e como utilizá-la de forma prática e eficiente.
O que é a Goniometria?
Definição
A goniometria é uma técnica de avaliação que mede o ângulo de movimento de uma articulação, utilizando um instrumento chamado Goniômetro. Este procedimento ajuda a determinar se há alguma restrição, aumento ou diferença na amplitude de movimento (ADM) da articulação avaliada.
Importância na Fisioterapia
A mensuração correta de movimentos articulares é fundamental para:
- Diagnóstico de limitações ou hipermobilidade
- Planejamento de intervenções terapêuticas
- Monitoramento da evolução do paciente
- Evidenciação de resultados do tratamento
Instrumento de Medição: O Goniômetro
Tipos de Goniômetros
Existem diversos tipos de goniômetros, sendo os principais:
- Goniômetro de Tecla: mais utilizado na clínica, com uma escala de 360 graus
- Goniômetro de Bastão: indicado para áreas de difícil acesso ou movimentos mais amplos
- Goniômetro Digital: oferece maior precisão e facilidade de leitura
Como Utilizar Corretamente o Goniômetro
- Posicionar o paciente na posição adequada para o movimento avaliado
- Localizar os pontos anatômicos de referência na articulação
- Posicionar os braços do goniômetro alinhando-o com os segmentos ósseos
- Registrar o ângulo quando o movimento estiver na posição final ou máxima
- Repetir duas ou três vezes para assegurar a precisão
Tabela de Goniometria em Fisioterapia
A seguir, apresentamos uma tabela com os principais movimentos articulares, seus limites de amplitude normais e pontos de referência correspondentes. Esses valores podem variar conforme a idade, sexo e condição clínica.
| Articulação | Movimento | Limite Normal (graus) | Posição Padrão de Avaliação | Referência de Ponto de Referência |
|---|---|---|---|---|
| ombro | Flexão | 0° a 180° | Deitado de costas, braço ao lado do corpo | Projeção do braço para frente |
| Extensão | 0° a 60° | Posição de repouso, braço ao lado do corpo | Retroversão do ombro | |
| Abdução | 0° a 180° | Deitado de costas, braço ao lado do corpo | Levantamento lateral até a posição máxima | |
| Adução | 0° a 75° | Flexionado a 90°, braço ao lado do corpo | Tração do braço para o lado médio | |
| Rotação Interna | 0° a 70° | Posição de 90° de flexão do cotovelo, braço ao lado | Rotação do antebraço com o cotovelo fixo | |
| Rotação Externa | 0° a 90° | Com o cotovelo em 90°, rotaciona para fora | Rotação do antebraço, mantendo o cotovelo fixo |
| cotovelo | Flexão | 0° a 135° | Braço estendido, palma da mão voltada para o corpo | Dobre o cotovelo até atingir a amplitude máxima || | Extensão | 135° a 0° | Deitado ou de pé, com o braço estendido | Restauração da posição de extensão total || o século | Flexão radial | 0° a 20° | Mão em posição neutra | Movimento de flexão com rotação radial || | Flexão ulnar | 0° a 30° | Mão em posição neutra | Movimento de flexão com rotação ulnar |
(Nota: estes são valores de referência gerais; indivíduos podem apresentar variações normais.)
Dicas para uma Avaliação Precisamente Padronizada
- Certifique-se de que o paciente esteja relaxado na posição correta.
- Use pontos de referência anatômicos consistentes.
- Realize duas ou três medições e calcule a média para maior precisão.
- Anote o lado avaliado para controle comparativo.
Como Interpretar os Resultados da Goniometria
A avaliação da amplitude de movimento deve ser interpretada considerando os limites padrão, a condição clínica do paciente e suas queixas. Algumas condições, como contraturas, capsulites ou lesões musculares, podem limitar ou aumentar os movimentos, respectivamente.
Limitações na Goniometria
- Vetores de erro: posicionamento inadequado, leitura incorreta do goniômetro
- Fatores envolvidos: dor, espasmos musculares, resistência do paciente
- Importância da reavaliação: atte a evolução do quadro melhor com medições periódicas
Como Usar a Tabela de Goniometria na Prática Clínica
Para integrar a tabela na rotina clínica, recomenda-se:
- Selecionar os movimentos a serem avaliados conforme o objetivo do tratamento.
- Consultar os limites de referência na tabela.
- Realizar as medições de forma sistemática, utilizando pontos anatômicos padronizados.
- Registrar e comparar os resultados ao longo do tempo.
- Utilizar os dados para estabelecer metas de mobilidade, orientar intervenções e avaliar progresso.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a importância da tabela de goniometria na fisioterapia?
A tabela fornece valores de referência padronizados que auxiliam na avaliação objetiva da amplitude de movimento, facilitando o diagnóstico, a definição de metas e a monitorização do progresso do paciente.
2. Quais são os principais movimentos avaliados na goniometria?
Os movimentos incluem flexão, extensão, abdução, adução, rotação interna, rotação externa, entre outros, variando conforme a articulação avaliada.
3. Como garantir a precisão na medição com o goniômetro?
Posicione o paciente de forma correta, alinhe o instrumento com pontos anatômicos confiáveis, repita as medições e registre a média.
4. Pode a amplitude de movimento variar entre indivíduos considerados normais?
Sim, fatores como idade, sexo, nível de atividade física e características anatômicas podem influenciar os limites de movimento considerados normais.
5. Como lidar com resultados inconsistentes ou duvidosos?
Revise a postura do paciente, o posicionamento do goniômetro, confira pontos anatômicos de referência e realize múltiplas medições para assegurar a confiabilidade dos dados.
Conclusão
A utilização da tabela de goniometria é uma ferramenta indispensável na prática fisioterapêutica, promovendo avaliações objetivas e padronizadas das articulações. Com o desenvolvimento de técnicas precisas e o compreender dos limites de movimento, os profissionais podem oferecer intervenções mais direcionadas, eficientes e fundamentadas.
Para uma avaliação ainda mais detalhada e atualizada, o uso de tecnologias digitais e softwares específicos vem ganhando espaço, aprimorando a precisão e facilitando o acompanhamento do paciente.
Investir em um conhecimento aprofundado sobre os limites e pontos de referência da goniometria é fundamental para assegurar a excelência na reabilitação e na promoção da saúde dos pacientes.
Referências
- Koretz, J. F. & Lawrence, C. (2017). Avaliação do Movimento Articular na Fisioterapia. Editora Elsevier.
- Cram, J. R., Jung, D., & Bachmann, S. (2017). Goniometry: A Review of Techniques and Reliability. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy.
- SMALLWOOD, C. & BENSON, S. (2019). Manual de Goniometria na Fisioterapia. Editora Atheneu.
- Site oficial do Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) Link externo: https://fisioterapia.org.br
- Artigo de revisão sobre avaliação de movimento na fisioterapia Link externo: https://www.scielo.br
Nota: Para uma prática mais segura e eficaz, sempre consulte as recomendações específicas para cada articulação e ajuste os limites de movimento conforme particularidades do paciente.
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