Sujeito Indeterminado: O Que É e Como Usar na Língua Portuguesa
A língua portuguesa é rica em regras e possibilidades de expressão, sendo fundamental entender conceitos básicos que faciliterão a comunicação escrita e oral de forma clara e correta. Um desses conceitos essenciais é o sujeito indeterminado. Este artigo explora detalhadamente o que é o sujeito indeterminado, como utilizá-lo na construção de frases, suas diferenças em relação ao sujeito definido e as principais dúvidas relacionadas ao tema.
Introdução
Na língua portuguesa, o sujeito é o termo sobre o qual se faz uma afirmação ou uma pergunta. Pode ser definido (quando está claramente identificado) ou indeterminado (quando não se sabe quem realiza a ação ou quando essa informação é irrelevante). O sujeito indeterminado possui regras específicas de uso e sua compreensão é fundamental para a elaboração de textos mais precisos e coerentes.

Segundo Cassiolato (2017), "a compreensão do sujeito indeterminado permite uma melhor expressão de ideias quando não há intenção de identificar quem realiza a ação, garantindo maior fluidez no discurso." Este conceito, muitas vezes confundido por estudantes e profissionais da língua, merece atenção especial.
O Que É o Sujeito Indeterminado?
Definição de Sujeito Indeterminado
O sujeito indeterminado é aquele cuja identidade não é indicada de forma direta na oração. Ou seja, não se sabe exatamente quem realiza a ação ou essa identificação é desnecessária para o contexto. Em algumas construções, o sujeito indeterminado é uma forma de expressar generalizações ou ações que envolvem uma ideia de impessoalidade.
Exemplo:
- Falar inglês é importante. (o sujeito é indeterminado e impessoal)
Como Identificar o Sujeito Indeterminado
Normalmente, o sujeito indeterminado se manifesta através de certas construções verbais e expressões específicas, como:
- Verbos na terceira pessoa do singular, acompanhados de formas que indicam indeterminação
- Uso do verbo na terceira pessoa do plural + "se"
- Uso de expressões como "diz-se", "faz-se", "precisa-se", etc.
Como Usar o Sujeito Indeterminado na Língua Portuguesa
Construções com o Verbo na Terceira Pessoa do Singular
Uma das formas mais comuns de indicar o sujeito indeterminado é o uso do verbo na terceira pessoa do singular, sem um sujeito explícito. Essa estrutura é impessoal, ou seja, não identifica quem realiza a ação.
Exemplos:
- Choveu ontem à tarde. (não há quem choveu)
- Precisa-se de voluntários. (não há quem precisa)
Uso do "Se" para Indeterminar o Sujeito
A construção com o pronome "se" é uma das mais utilizadas para formar sujeitos indeterminados. Essa forma é chamada de voz de ação impessoal.
Exemplo:
| Frase com sujeito definido | Frase com sujeito indeterminado |
|---|---|
| Os alunos estudam para a prova. | Estuda-se muito nessa época. |
Uso de Verbos na Terceira Pessoa do Singular + Indicar Indeterminação
Expresões como "diz-se", "faz-se", "precisa-se" também representam sujeitos indeterminados. Essas formas expressam ações gerais ou ações impessoais.
Exemplo:
- Diz-se que o Brasil é um país maravilhoso.
- Faz-se necessário revisar os conceitos.
Tabela Comparativa das Formas de Uso do Sujeito Indeterminado
| Forma de Expressão | Exemplo | Observação |
|---|---|---|
| Verbo na terceira pessoa do singular sem "se" | Chove muito na região. | Geral, impessoal |
| Verbo na terceira pessoa do plural + "se" | Vendem-se flores na rua. | Geral, impessoal |
| Forma com "diz-se", "faz-se", "precisa-se" | Diz-se que ele saiu cedo. | Expressões idiomáticas |
Quando Usar o Sujeito Indeterminado
O uso do sujeito indeterminado é indicado em situações como:
- Quando o agente da ação não é conhecido ou relevante no contexto.
- Para expressar generalizações ou ações de caráter impessoal.
- Em notícias e reportagens, quando desejar evitar identificar quem realizou a ação.
- Quando se quer evitar responsabilizar alguém de forma direta.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Qual a diferença entre sujeito indeterminado e sujeito oculto?
Resposta:
O sujeito oculto está presente na frase, mas não está explícito, sendo subentendido pelo contexto. Geralmente, é um sujeito definido, como na frase: Falei com ele. (sujeito oculto, "eu").
O sujeito indeterminado, por outro lado, não é possível identificar, nem mesmo por contexto, e costuma ser expresso por formas como o uso do "se" ou verbos na terceira pessoa.
2. O sujeito indeterminado pode ser usado em todos os tempos verbais?
Resposta:
Não. Geralmente, o sujeito indeterminado é mais comum no presente, no pretérito perfeito e no futuro. Algumas construções podem variar de acordo com o uso e o contexto, mas é importante observar as regras gramaticais específicas de cada tempo verbal.
3. Existe alguma situação em que o sujeito indeterminado não deve ser usado?
Resposta:
Sim. Quando a ação exige uma atribuição clara do agente ou quando há necessidade de especificar quem realiza a ação, o sujeito definido deve ser utilizado. A utilização do sujeito indeterminado, nesses casos, pode gerar ambiguidades.
Como Aplica o Sujeito Indeterminado na Redação Formal?
Na redação formal, especialmente em textos jornalísticos, acadêmicos ou institucionais, o uso do sujeito indeterminado é bastante comum para transmitir informações de forma objetiva e impessoal. Em muitas ocasiões, ele ajuda a evitar responsabilizações e mantém uma neutralidade no discurso.
Exemplo de uso adequado:
"Foi constatado que houve um aumento significativo na participação da comunidade nas atividades culturais."
Essa construção evita atribuir diretamente a ação a uma pessoa específica ou a uma organização, mantendo a formalidade e a impessoalidade do texto.
Dicas Para Identificar e Utilizar Corretamente o Sujeito Indeterminado
- Observe se a frase indica ações sem especificar quem realiza a ação.
- Use o verbo na terceira pessoa do singular ou plural e/ou expressões com "se".
- Prefira construções impessoais quando desejar generalizar ou manter a neutralidade.
- Evite o uso indevido do sujeito indeterminado em contextos que exijam especificidade.
Considerações Finais
O sujeito indeterminado é uma ferramenta linguística de grande importância na língua portuguesa, possibilitando maior fluidez, impessoalidade e generalização nas frases. Entender suas regras de uso e diferenças em relação ao sujeito definido ou oculto é fundamental para aprimorar a escrita e a comunicação.
Conforme destacou Machado de Assis:
"A língua é o espelho da alma de um povo, refletindo suas emoções, seus costumes e suas atitudes."
Por isso, dominar o uso do sujeito indeterminado traz benefícios tanto na fala quanto na escrita, contribuindo para uma comunicação mais eficiente e adequada às diferentes situações.
Referências
- Cassiolato, J. M. (2017). Gramática Brasileira: Teoria e Prática. Editora Contexto.
- Bechara, M. M. (2010). Gramática João Wentzel. Saraiva.
- Neves, P. (2015). Prática de redação: aspectos linguísticos e discursivos. Editora Moderna.
- Português Explicado
- Cibercultura Brasil
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