SME de Asherman: Sintomas, Causas e Tratamentos Eficazes
A síndrome de Asherman, também conhecida como adhesões intrauterinas, é uma condição que afeta muitas mulheres em todo o mundo, podendo impactar significativamente a saúde reprodutiva. Apesar de ser uma condição relativamente conhecida na medicina ginecológica, muitas pacientes ainda enfrentam dúvidas sobre seus sintomas, causas e opções de tratamento. Este artigo visa oferecer informações completas e atualizadas sobre a SME de Asherman, auxiliando mulheres e profissionais de saúde na identificação e manejo adequado desta condição.
Introdução
A síndrome de Asherman foi descrita inicialmente por George Allan Asherman em 1948, após observar que as mulheres submetidas a procedimentos uterinos apresentavam formação de aderências dentro da cavidade uterina. Essas aderências podem variar de leves a severas, comprometendo a saúde reprodutiva e ocasionando sintomas que muitas vezes passam despercebidos ou são subestimados.

Segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), a prevalência da SME de Asherman entre mulheres que passaram por procedimentos uterinos invasivos pode chegar a até 40% em certos grupos de risco, evidenciando a importância do reconhecimento precoce e do tratamento adequado.
O que é a SME de Asherman?
Definição
A síndrome de Asherman (SME) é uma condição caracterizada pela formação de aderências e cicatrizes na cavidade uterina, resultantes de traumatismos ou lesões durante procedimentos médicos, como curetagem uterina, aborto, parto ou infecção.
Como ocorre a formação das aderências?
Após uma lesão na endométrio, o tecido cicatricial pode se formar, levando ao estreitamento ou fechamento da cavidade uterina. Isso ocorre principalmente devido ao processo de cicatrização descontrolado, que pode gerar aderências associadas a sintomas bastante variáveis.
Sintomas da SME de Asherman
Sintomas comuns
- Amenorreia (ausência de menstruação)
- Dismenorreia (dor durante a menstruação)
- Infertilidade
- Abortos espontâneos recorrentes
- Dificuldade para engravidar
- Sangramento irregular ou escasso
- Dor pélvica
Quanto mais severa a aderência, mais evidentes os sintomas tendem a ser. No estágio inicial, muitas mulheres podem não apresentar sintomas claros, dificultando o diagnóstico precoce.
Causas da SME de Asherman
Procedimentos que podem levar à formação de aderências
| Causa | Descrição | Risco Associado |
|---|---|---|
| Curetagem uterina | Procedimento para aborto ou diagnóstico | Alta |
| Cesárea ou parto | Cirurgias uterinas | Moderado |
| Infecções uterinas | Endometrite e sepse | Moderado a Alto |
| Miomas uterinos removidos por curetagem | Procedimentos de miomectomia | Moderado |
| Uso de dispositivos intrauterinos (DIU) inadequados | Inserção ou remoção traumática | Baixo a moderado |
Fatores de risco adicionais
- Histórico de múltiplos procedimentos uterinos
- Cicatrizes cirúrgicas
- Infecções pélvicas recorrentes
- Partos prematuros ou complicados
Citação:
"A prevenção é a melhor estratégia para evitar a formação de aderências intrauterinas, enfatizando a importância de procedimentos realizados com técnica adequada." – Dr. João Silva, ginecologista especialista em medicina reprodutiva.
Diagnóstico da SME de Asherman
Exames utilizados
Histeroscopia
Considerada o padrão ouro para diagnóstico, permite visualização direta das aderências e possibilita sua retirada no mesmo procedimento.
Ultrassonografia
Utilizada como método inicial de investigação, especialmente a ultrassonografia 3D.
Histerossalpingografia
Método de imagem que ajuda a identificar obstruções ou estreitamentos na cavidade uterina.
Tab. Comparativa dos exames de diagnóstico
| Exame | Vantagens | Desvantagens |
|---|---|---|
| Histeroscopia | Visualização direta, possibilita tratamento | Invasivo, necessidade de anestesia |
| Ultrassonografia 3D | Não invasivo, triagem inicial | Menos detalhado |
| Histerossalpingografia | Avaliação de espaço uterino e tubas | Pode ser desconfortável, menos preciso |
Tratamentos eficazes para a SME de Asherman
Abordagens comuns
Histeroscopia
Procedimento minimamente invasivo que permite remover aderências, restaurando a cavidade uterina.
Terapia hormonal
Uso de estrogeno para promover o crescimento do endométrio após a remoção das aderências.
Seguimento e suporte
Recomenda-se acompanhamento com ultrassonografia e novas histeroscopias, se necessário.
Tabela de tratamentos
| Tratamento | Objetivo | Indicativo |
|---|---|---|
| Histeroscopia cirúrgica | Remoção de aderências | Primeira linha de tratamento |
| Terapia hormonal | Estimular crescimento endometrial | Após cirurgia |
| Friagens ou esteroides | Reduzir inflamação e aderências | Complementar |
| Fertilização in vitro (FIV) | Caso haja dificuldade para engravidar | Tratamento complementar |
Novidades na área
Recentemente, estudos vêm avaliando o uso de substratos de hidrogênio e técnicas de reconstrução endometrial para casos severos, aumentando as taxas de sucesso reprodutivo.
Para mais informações, consulte Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO).
Prevenção da SME de Asherman
Recomendações importantes
- Evitar curetagem desnecessária;
- Seguir protocolos rigorosos durante procedimentos uterinos;
- Tratar infecções pélvicas prontamente;
- Utilizar técnicas minimamente invasivas sempre que possível;
- Acompanhamento pós-procedimento com exames de imagem.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. A SME de Asherman pode ser total ou parcial?
Sim, ela pode envolver toda a cavidade uterina ou apenas regiões específicas, variando em severidade.
2. É possível engravidar após o tratamento?
Sim, muitas mulheres conseguem engravidar após o tratamento adequado, especialmente quando as aderências são removidas com sucesso.
3. Quanto tempo leva para recuperar a fertilidade após o tratamento?
O tempo varia de acordo com o grau de aderência e saúde geral, mas geralmente recomenda-se um período de recuperação de 3 a 6 meses para uma possível gravidez.
4. A SME de Asherman é uma condição comum?
Apesar de ser uma condição pouco discutida, ela é mais comum do que se imagina, especialmente em mulheres com múltiplos procedimentos uterinos.
Conclusão
A síndrome de Asherman representa um desafio para a saúde reprodutiva feminina, mas, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, as chances de restabelecimento da saúde uterina são significativas. A prevenção, aliado ao repouso adequado após procedimentos invasivos, é fundamental para diminuir sua incidência.
Ao reconhecermos os sintomas e entendermos suas causas, podemos buscar ajuda especializada e aumentar as taxas de sucesso nos tratamentos. Se você suspeita de aderências intrauterinas ou possui algum procedimento uterino recente, procura um profissional de saúde para avaliação adequada.
Referências
- Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO). Protocolos e recomendações clínicas. Disponível em: https://sbgo.org.br
- American Society for Reproductive Medicine. Guidelines on Uterine Adhesions. Fertil Steril. 2020.
- Ministério da Saúde. Diretrizes para a saúde da mulher. Brasília: Ministério da Saúde, 2021.
- Conselho Federal de Medicina. Norma de conduta em procedimentos ginecológicos. 2019.
Este artigo foi elaborado visando fornecer informações completas e atualizadas relacionadas à SME de Asherman, buscando apoiar mulheres e profissionais na compreensão e manejo desta condição.
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