Sistema Mercantilismo: Estratégias Econômicas do Século XVI ao XVIII
O mercantilismo foi uma das principais doutrinas econômicas adotadas pelos países europeus durante os séculos XVI ao XVIII. Este sistema buscava fortalecer o poder dos Estados na medida em que estimulava a acumulação de riquezas, principalmente na forma de metais preciosos, promovendo uma política econômica voltada para o crescimento do comércio externo e a proteção da indústria nacional. Foi uma época marcada por intensas transformações no panorama político e econômico mundial, resultado das Grandes Navegações e da expansão colonial. Neste artigo, exploraremos as características, estratégias e consequências do sistema mercantilista, bem como as inovações que ele trouxe para o cenário econômico da época.
O que foi o Sistema Mercantilista?
O sistema mercantilista foi uma doutrina econômica predominante na Europa entre os séculos XVI e XVIII. Sua essência era a busca por uma balança comercial favorável, ou seja, exportar mais do que importar, garantindo assim o acúmulo de metais preciosos, como ouro e prata, considerados sinônimo de riqueza e poder do Estado. O mercantilismo buscava fortalecer os Estados-nação mediante políticas econômicas específicas, estimulando o crescimento da exploração colonial e a proteção das indústrias nacionais.

Características do Mercantilismo
1. Acúmulo de metais preciosos
A principal preocupação do mercantilismo era o aumento das reservas de ouro e prata. O conceito central era que a riqueza de um país era determinada por suas posses desses metais.
2. Balança comercial favorável
Os países praticavam políticas para estimular as exportações e reduzir as importações, buscando que o saldo comercial fosse positivo.
3. Protecionismo
O Estado exercia forte intervenção na economia, impondo tarifas alfandegárias e restrições às importações para proteger suas indústrias e comerciantes nacionais.
4. Colonialismo
As potências europeias expandiram seus domínios coloniais com o objetivo de obter matérias-primas e mercados consumidores exclusivos, integrando a estratégia mercantilista à política imperialista.
5. Intervenção estatal
Ao contrário do livre mercado, o mercantilismo defendia um papel ativo do Estado na economia, inclusive com subsídios às indústrias e controle sobre o comércio.
Estratégias Econômicas do Mercantilismo
1. Estímulo à exploração colonial
As colônias eram vistas como fontes de matérias-primas e mercados consumidores. Países como Espanha, Portugal, Inglaterra e França estabeleceram vastos impérios coloniais.
2. Tarifas protecionistas
Imposição de tarifas sobre produtos importados para torná-los mais caros e incentivar o consumo de produtos nacionais.
3. Criação de monopólios comerciais
Estabelecimento de companhias e sociedades de comércio com monopólio sobre certos mercados e rotas comerciais, como a Companhia das Índias.
4. Subsídios e incentivos à indústria nacional
O Estado concedia incentivos fiscais, subsídios e apoio para fortalecer as indústrias locais, tornando-as competitivas no cenário internacional.
5. Controle de fluxo de ouro e prata
Medidas para evitar a saída de metais preciosos do país e incentivar sua entrada, como restrições à saída de ouro e prata.
Tabela: Principais países e suas estratégias mercantilistas (Século XVI a XVIII)
| País | Estratégia principal | Exemplos de ações |
|---|---|---|
| Espanha | Exploração colonial e metais preciosos | Conquista de Américas, envio de ouro e prata para a Espanha |
| Portugal | Exploração de rotas comerciais e colônias | Colonização do Brasil, controle do comércio de especiarias |
| Inglaterra | Protecionismo e desenvolvimento industrial | Tarifas sobre brinquedos, estímulo às indústrias nacionais |
| França | Comerciais e monopólios industriais | Companhia das Índias Orientais, monopólio do comércio com suas colônias |
| Países Baixos | Comércio e monopólio comercial | Estabelecimento do Banco de Amsterdã, fortalecimento de sua marinha comercial |
O Papel das Grandes Navegações na Ascensão do Mercantilismo
As Grandes Navegações tiveram papel decisivo na expansão do mercantilismo, pois promoveram uma maior descoberta de novas terras, recursos e rotas marítimas. A busca por metais preciosos, especiarias, seda, porcelanas, entre outros produtos, impulsionou o comércio internacional e incentivou as políticas protecionistas adotadas pelos Estados europeus.
Enfoque colonial
As colônias serviam como fontes de matérias-primas e mercados exclusivos, fortalecendo a balança comercial favorável. Além disso, os países buscavam controlar rotas comerciais estratégicas, consolidando suas posições no comércio global.
"A exploração colonial e o acúmulo de riquezas foram os pilares do sistema mercantilista, refletindo a busca incessante por poder econômico e político." — História Econômica do Brasil
A Crise do Mercantilismo e o Início do Physiocratismo e do Liberalismo
Ao final do século XVIII, diversas críticas ao mercantilismo começaram a surgir, especialmente com as ideias do fisiocrata François Quesnay, que defendia a liberdade econômica e a importância da agricultura como fonte de riqueza. As ideias do Iluminismo e as Revoluções Industrial e Francesa marcaram o declínio do sistema mercantilista, dando lugar ao liberalismo econômico, baseado na livre iniciativa e na mínima intervenção do Estado.
Links externos relevantes
Perguntas Frequentes
1. Qual era o principal objetivo do sistema mercantilista?
O principal objetivo era acumular metais preciosos, como ouro e prata, por meio de uma balança comercial favorável, fortalecendo o poder econômico e político do Estado.
2. Como o mercantilismo influenciou as colonizações europeias?
O sistema incentivou a exploração colonial, buscando matérias-primas e mercados exclusivos, contribuindo para a expansão territorial dos países europeus.
3. Quais foram as principais críticas ao mercantilismo?
As críticas apontavam para a intervenção excessiva do Estado na economia, ineficiência no mercado e o fato de que o sistema favorecia os interesses do Estado em detrimento do bem-estar geral.
4. Qual sistema econômico sucedeu o mercantilismo?
O liberalismo econômico, dominante a partir do século XIX, defendia a liberdade de mercado, menor intervenção estatal e a livre iniciativa.
Conclusão
O sistema mercantilista foi uma das primeiras tentativas de organizar a economia de forma consciente e estratégica, levando em consideração o poder político, a exploração colonial, o controle do comércio e a acumulação de riquezas. Apesar de suas limitações e críticas, foi fundamental para a formação do capitalismo moderno e para o desenvolvimento das relações comerciais internacionais. Sua influência pode ser vista nos modelos econômicos atuais, embora, nos dias de hoje, a visão do Estado participativo tenha sido substituída por princípios de livre mercado.
Referências
- BECCHI, Luiz Antônio. História Econômica do Brasil. São Paulo: Editora Atual, 2010.
- CHAUÍ, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 2018.
- FREITAS, Leandro. Mercantilismo e Colonialismo. Rio de Janeiro: Editora Revan, 2015.
- Britannica. Mercantilism. Disponível em: https://www.britannica.com/topic/mercantilism
- Unesco. Revolução Industrial e o fim do mercantilismo. Disponível em: https://unesdoc.unesco.org/ark:/48223/pf0000371645
Palavra-chave primária
Sistema mercantilismo, estratégias econômicas, século XVI, século XVIII, doutrina econômica, balança comercial, colonialismo, protecionismo, metais preciosos, exploração colonial
Este artigo foi elaborado com objetivo de otimização SEO e fornece uma compreensão detalhada do sistema mercantilista e suas estratégias econômicas. Para aprofundar seus estudos, consulte as referências e links externos indicados.
MDBF