Sistema Excretor dos Moluscos: Entenda Como Funciona e Sua Importância
Os moluscos representam um dos maiores grupos de animais do filo Mollusca, abrangendo espécies tão diversas quanto os caracóis, ostras, lula, polvo e mariscos. Esses organismos apresentam uma variedade de adaptações fisiológicas que lhes permitem sobreviver em diferentes ambientes aquáticos e terrestres. Uma das funções essenciais para sua sobrevivência é o sistema excretor, responsável pela eliminação de resíduos nitrogenados produzidos pelo metabolismo.
Apesar de sua diversidade, o sistema excretor dos moluscos apresenta semelhanças e diferenças que refletem sua evolução e adaptação ao meio. Compreender como esse sistema funciona é fundamental para entender a fisiologia desses animais e sua importância ecológica.

Neste artigo, vamos explorar detalhadamente o sistema excretor dos moluscos, suas estruturas, funcionamento, variações entre os grupos e sua relevância para a saúde e o equilíbrio do ecossistema.
O que é o sistema excretor?
O sistema excretor é responsável por eliminar substâncias residuais produzidas pelo metabolismo celular, principalmente compostos nitrogenados como a amônia, ureia ou ácido úrico. Além disso, regula a quantidade de água, sais minerais e pH do organismo, contribuindo para a homeostase.
Nos moluscos, esse sistema varia bastante dependendo do ambiente (aquático ou terrestre) e do grau de complexidade do grupo.
Estrutura do sistema excretor dos moluscos
Principais órgãos excretores
Em geral, o sistema excretor dos moluscos inclui os seguintes órgãos e estruturas:
| Órgão/estrutura | Função principal | Exemplos de moluscos que possuem |
|---|---|---|
| Pálio ou pálio renal | Estrutura responsável por filtrar resíduos do hemocitório ou sangue | Caracóis, alguns bivalves |
| Células excretores | Realizam a filtração e excreção de resíduos | Polvo, lula |
| Rins ou nefrídios | Filtram líquidos corporais e eliminam resíduos | Algumas espécies de conchas terrestres |
| Pulmonários | Extensões de cavidades pulmonares intervém na excreção de compostos nitrogenados | Caracóis terrestres |
Órgãos específicos dos principais grupos de moluscos
- Gastrópodes (caracóis, lesmas): apresentam glândulas excretoras ou células especializadas no pedúnculo do pé ou em outras regiões.
- Bivalves (ostra, mexilhão): possuem rins bem desenvolvidos, geralmente ligados à cavidade palial, que filtram o sangue ou hemocitório.
- Cefalópodes (lula, polvo): possuem sistemas excretores altamente especializados com células excretoras que eliminam resíduos diretamente na cavidade do corpo ou através de tubos excretores.
Como funciona o sistema excretor dos moluscos?
O funcionamento do sistema excretor varia conforme o grupo e o habitat do molusco, mas a maioria segue um processo semelhante de filtração e eliminação de resíduos.
Processo de filtração e excreção
- Filtração do líquidos corporais: Os rins ou nefrídios filtram o sangue ou hemocitório, removendo resíduos nitrogenados.
- Formação da urina ou excretado: Os resíduos são concentrados na forma de urina ou outro produto excretor, dependendo da espécie.
- Eliminação: A urina ou resíduos são eliminados através de tubos excretores, por aberturas específicas, ou na cavidade do manto ou pallial.
### Diferenciação na eliminação de resíduos
- Amônia: comum nos moluscos aquáticos, devido à sua solubilidade, eliminada diretamente na água.
- Ureia: presente em alguns moluscos de ambientes com menos água disponível, exigindo menor quantidade de água para excreção.
- Ácido úrico: observado em moluscos terrestres adaptados a ambientes áridos, uma forma mais concentrada e com menor necessidade de água para eliminação.
Como os moluscos regulam a água e sais minerais?
Além de excretar resíduos nitrogenados, os moluscos regulam o balanço hídrico e os sais minerais através das estruturas excretoras, controlando a entrada e saída de água via os mantos ou outros tecidos especializados.
Segundo o biólogo Eduardo Bessa, "a eficiência do sistema excretor dos moluscos é fundamental para sua sobrevivência, especialmente em ambientes de baixa disponibilidade de água ou com elevada concentração de resíduos".
Variações do sistema excretor entre os grupos de moluscos
Cada grupo de moluscos evoluiu diferentes estratégias para lidar com a excreção, adaptando-se às suas condições ambientais.
Gastrópodes
- Apresentam glândulas excretoras localizadas na região do pé ou no manto.
- Utilizam células excretoras que eliminam resíduos na cavidade do manto, que por sua vez eliminam os resíduos pela abertura do manto.
Bivalves
- Possuem rins bem desenvolvidos, localizados na cavidade pallial.
- Filtram o sangue ou hemocitório, eliminando resíduos na água por dispersão ou por órgãos especializados.
Cefalópodes
- Possuem células excreto-respiratórias altamente especializadas que eliminam resíduos nitrogenados diretamente na cavidade do corpo ou através de tubos excretores.
- Reúnem também algumas glândulas pigmentares que colaboram na excreção de resíduos.
Aproveitamento ecológico do sistema excretor dos moluscos
O sistema excretor tem papel importante na fisiologia e na saúde dos moluscos, além de seu impacto ecológico. Por exemplo, a eliminação eficiente de resíduos nitrogenados evita a toxicidade dentro de seus corpos e influencia a qualidade da água onde vivem.
Além disso, a saúde do sistema excretor pode indicar o estado de conservação do ambiente aquático ou terrestre, sendo uma ferramenta importante na monitorização de ecossistemas.
Importância ecológica
- Reciclagem de nutrientes: Os resíduos excretados pelos moluscos retornam ao ambiente, contribuindo para o ciclo de nutrientes.
- Indicador de poluição: Mudanças na fisiologia excretora podem indicar níveis de contaminantes ou degradação ambiental.
Perguntas frequentes (FAQs)
1. Os moluscos terrestres possuem o mesmo sistema excretor que os aquáticos?
Nem todos. Moluscos terrestres desenvolveram adaptações específicas para lidar com ambientes com pouca água, como excreção de ácido úrico, que requer menor quantidade de água.
2. Qual é o resíduo nitrogenado mais comum nos moluscos aquáticos?
A amônia, que é facilmente eliminada na água, por ser solúvel e de baixa concentração.
3. Como os rins dos bivalves funcionam?
Eles filtram o sangue ou hemocitório, eliminando resíduos na forma de urina, que é expelida na água ambiente através de aberturas no manto.
4. Os polvos e lulas têm um sistema excretor eficiente?
Sim. Eles possuem células excreto-respiratórias altamente especializadas que eliminam resíduos e regulam sua composição química eficientemente.
5. Como posso contribuir para a preservação do sistema excretor dos moluscos?
Evitar a poluição de ambientes aquáticos e terrestres, pois contaminantes podem sobrecarregar ou prejudicar suas funções excretoras.
Conclusão
O sistema excretor dos moluscos é uma peça fundamental na fisiologia destes animais, garantindo a eliminação de resíduos nitrogenados, o equilíbrio de água e sais minerais, além de desempenhar um papel crucial na adaptação ao meio ambiente. Sua estrutura e funcionamento variam entre os diferentes grupos, refletindo suas estratégias evolutivas para sobreviverem em ambientes aquáticos ou terrestres.
Compreender essas adaptações permite uma melhor avaliação dos impactos ambientais sobre esses organismos e a importância de conservar seus habitats. Como pontuou o biólogo Eduardo Bessa, "a eficiência do sistema excretor dos moluscos é fundamental para sua sobrevivência, especialmente em ambientes de baixa disponibilidade de água ou com elevada concentração de resíduos".
A pesquisa e o estudo contínuo dessas estruturas ampliam nosso conhecimento sobre a biologia dos moluscos e oferecem ferramentas para a proteção da biodiversidade, além de fornecer insights sobre a evolução dos sistemas excretores em animais.
Referências
- Bessa, Eduardo. Fisiologia dos Moluscos. RevistadoBiologia, 2019.
- Barnes, Robert. Fisiologia dos Invertebrados. Editora Ciência Moderna, 2017.
- https://www.infoescola.com/biologia/sistema-excretor/
- https://www.infoaquicultura.com/sistema-excretor-moluscos/
Palavras-chave: sistema excretor, moluscos, fisiologia, resíduos nitrogenados, adaptação, biodiversidade.
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