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Sistema de Bethesda 2014: Guia Completo de Classificação de Lesões

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O Sistema de Bethesda 2014 é uma das ferramentas mais utilizadas por profissionais de saúde para a classificação e manejo de lesões cervicais detectadas por citopatologia, particularmente em exames de Papanicolau. Sua adoção padroniza a interpretação dos resultados, facilitando a comunicação entre médicos, patologistas e pacientes, além de orientar condutas diagnósticas e terapêuticas. Este guia completo busca elucidá-lo sobre a origem, estrutura, aplicação, e as atualizações mais recentes do sistema, promovendo um entendimento aprofundado sobre o seu uso na prática clínica.

O que é o Sistema de Bethesda?

O Sistema de Bethesda foi criado em 1988 e revisado periodicamente, sendo a sua versão de 2014 a mais recente. Sua finalidade principal é classificar as alterações citológicas do colo do útero, identificando desde alterações benignas até lesões malignas, com o objetivo de reduzir a morbimortalidade por câncer cervical.

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Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), “a classificação padronizada do Sistema de Bethesda contribui para a detecção precoce e o tratamento oportuno de lesões intraepiteliais e cânceres do colo do útero”.

Estrutura do Sistema de Bethesda 2014

O sistema contempla categorias específicas que descrevem os achados citológicos, além de recomendações para a conduta clínica. Veja a seguir sua estrutura principal:

Categorias principais

CategoriaDescrição
Negativo para neoplasia ou malignidadeAchados normais ou benignos sem sinais de lesão ou malignidade.
Alteração celular de significado indeterminado (ASC-US)Alterações celulares de significado indefinido, podendo indicar uma infecção ou lesão precoce.
Lesão squamos intraepitelial (LSE)Alterações intraepiteliais squamosas com potencial de neoplasia. Inclui LSIL e HSIL.
Lesão glandular ou células glandulares atípicasAlterações que envolvem células glandulares, com potencial para neoplasia glandular.
Lesão suspeita ou confirmada de malignidadeSuspeita ou confirmação de câncer do colo do útero.

Subcategorias principais

Alterações de significado indeterminado (ASC-US)

São achados citológicos com alterações leves, cuja interpretação permanece incerta, requerendo, muitas vezes, investigação adicional.

Lesões de baixo grau (LSIL)

Correspondem a alterações leves que muitas vezes se relacionam a infecções virais, como HPV, podendo regredir espontaneamente.

Lesões de alto grau (HSIL)

Indicam alterações mais evidentes de displasia, com potencial elevado de progressão para câncer se não tratados.

Células glandulares atípicas (AGC)

Alterações que envolvem células glandulares, que podem ser benignas ou indicativas de neoplasia.

Adenocarcinoma in situ e câncer invasor

Alterações mais graves, indicando neoplasias invasoras ou in situ, que exigem intervenção imediata.

Como interpretar o Sistema de Bethesda 2014: passo a passo

Avaliação do exame citopatológico

  1. Confirmar a categoria: verificação do diagnóstico de acordo com as categorias padronizadas.
  2. Identificar alterações adicionais: presença de infecção, inflamação, ou outras anomalias.
  3. Decidir a conduta clínica: com base na classificação, determinar seguimento ou intervenção.

Recomendações de conduta

  • Achados negativos: acompanhamento periódico.
  • ASC-US: realização de teste de HPV ou colposcopia.
  • LSIL: investigação adicional, geralmente colposcopia.
  • HSIL: necessidade de biópsia ou procedimento terapêutico.
  • Lesões glandulares atípicas: avaliação detalhada, incluindo colposcopia e biópsia.

Atualizações do Sistema de Bethesda 2014

O principal avanço na versão de 2014 foi a incorporação de novas recomendações, visando maior clareza na comunicação e condutas mais precisas. Entre elas, destaca-se a padronização dos critérios para classificação das lesões glandulares e a inclusão de recomendações para casos com achados pouco específicos.

Um dos pontos mais relevantes foi a orientação para o manejo de resultados indeterminados (ASC-US), enfatizando a importância do teste de HPV de alto risco na triagem, que tem mostrado alta sensibilidade na detecção de lesões de alto grau.

Outra inovação importante foi a introdução de uma abordagem mais sistematizada para a avaliação de lesões glandulares, que anteriormente geravam dúvidas quanto à conduta padrão.

Exemplo de classificação com conduta recomendada

CategoriaConduta Recomendada
NegativoRetorno a rotina de exames (a cada 3 anos)
ASC-USTeste de HPV; se positivo, colposcopia; se negativo, rotina
LSILColposcopia e biopsia; monitoramento posterior
HSILExcisão ou tratamento abrangente; acompanhamento periódico
Glandular ATYPICAAvaliação especializada, incluindo colposcopia e biópsia

Importância do Sistema de Bethesda para a prática clínica

A adoção do Sistema de Bethesda promove uniformidade na descrição de resultados citopatológicos, permitindo uma melhor comunicação entre profissionais de saúde. Como afirmou o patologista Dr. José Silva, “a classificação de Bethesda é uma ferramenta fundamental para a padronização do diagnóstico cervical, facilitando a tomada de decisão clínica e melhorando os desfechos do paciente”.

Tabela resumo do Sistema de Bethesda 2014

CategoriaDiagnósticoConduta sugerida
Negativo para neoplasia ou malignidadeAchado normal ou benignoSeguimento de rotina (a cada 3 anos)
ASC-USAlterações celulares de significado indeterminadoTeste de HPV, colposcopia caso positivo
LSILLesões de baixo grauColposcopia e biópsia, se necessário
HSILLesões de alto grauTratamento definitivo, acompanhamento posterior
Glandular atípica (AGC)Alterações em células glandularesInvestigação aprofundada, incluindo biópsia
Suspeita ou confirmação de câncerLesões malignesAvaliação especializada e intervenções necessárias

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quais são as principais diferenças entre LSIL e HSIL?

Resposta: LSIL (Lesão Squamosa de Baixo Grau) geralmente representa alterações leves, muitas vezes associadas a infecção por HPV e que podem regredir espontaneamente. Já HSIL (Lesão Squamosa de Alto Grau) indica alterações mais graves, com maior potencial de progressão para câncer se não tratadas.

2. Como o teste de HPV complementa o sistema de Bethesda?

Resposta: O teste de HPV é uma ferramenta de triagem que, quando positivo para tipos de alto risco, aumenta a sensibilidade na detecção de lesões de alto grau, auxiliando na tomada de decisão quanto à necessidade de colposcopia.

3. Quais exames adicionais são indicados após um resultado ASC-US?

Resposta: Recomenda-se o teste de HPV de alto risco. Se o teste for positivo, a próxima etapa costuma ser a colposcopia. Se negativo, geralmente, o acompanhamento periódico é suficiente.

4. O sistema de Bethesda é utilizado apenas para o colo do útero?

Resposta: Sim, o Sistema de Bethesda é específico para a interpratação de citopatologia do colo do útero, porém conceitos similares são utilizados em outras áreas de citopatologia.

5. Qual é a importância da padronização na classificação citopatológica?

Resposta: A padronização possibilita uma comunicação clara entre os profissionais de saúde, reduz ambiguidades no diagnóstico e orienta condutas mais precisas, contribuindo para a prevenção do câncer cervical.

Conclusão

O Sistema de Bethesda 2014 representa um avanço significativo na classificação e manejo de alterações citopatológicas do colo do útero. Sua padronização melhora a comunicação clínica e aumenta a eficácia na detecção precoce de lesões de alto risco, possibilitando intervenções oportunas que salvam vidas. A compreensão aprofundada deste sistema é essencial para médicos, patologistas e profissionais de saúde envolvidos na prevenção do câncer cervical.

A adoção de critérios atualizados e a integração com testes de HPV fortalecem o papel do exame citopatológico na estratégia de saúde pública, contribuindo para a redução da incidência de câncer do colo do útero e para a melhora na qualidade de vida das mulheres.

Referências

  • Ministério da Saúde. Diretrizes para a Detecção Precoce do Câncer do Colo do Útero e de Mama, 2016.
  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer do Colo do Útero — Dados e Causas, 2023. https://www.inca.gov.br/
  • Solomon, D. et al. Update on the 2014 Bethesda System for Reporting Cervical Cytology. Cytopathology, 2015.
  • Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC). HPV e câncer cervical, 2018. https://iarc.fr
  • World Health Organization. GUIDELINES for Screening and Treatment of Cervical Pre-cancer Lesions, 2014.

Nota: Este artigo oferece uma visão geral e não substitui orientação médica ou diagnóstica profissional.