Síndrome de Horner: Causas, Sintomas e Tratamento Explicados
A síndrome de Horner é uma condição neurológica rara que resulta de uma disfunção do sistema nervoso simpático responsável por controlar funções involuntárias do corpo, como a constrição das pupilas, o aumento da sudorese facial e a constrição dos vasos sanguíneos. Apesar de sua complexidade, compreender suas causas, sintomas e opções de tratamento é fundamental para melhorar o diagnóstico e o manejo dos pacientes afetados.
Neste artigo, abordaremos de forma detalhada tudo o que você precisa saber sobre a síndrome de Horner, incluindo suas causas, sintomas, métodos de diagnóstico, abordagens terapêuticas e informações úteis para pacientes e profissionais de saúde.

Introdução
A síndrome de Horner pode parecer um problema isolado, mas na verdade, ela é um sinal clínico de uma condição subjacente mais séria que afeta o sistema nervoso. Sua identificação precoce é essencial para determinar a causa raiz, que pode variar desde tumores até traumas, infecções ou alterações vasculares. Segundo especialistas, entender essa condição pode ajudar a evitar complicações maiores e facilitar um tratamento adequado.
O que é a Síndrome de Horner?
A síndrome de Horner é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem devido à interrupção do sistema nervoso simpático que inerva o olho, o rosto e o pescoço. Ela é caracterizada por quatro principais manifestações clínicas:
- Ptose (queda da pálpebra superior)
- Miosis (constrição da pupila)
- Anhidrose (ausência de suor na face afetada)
- Enoftalmia (movimento diferenciado do globo ocular, muitas vezes retração do olho afetado)
Esses sinais aparecem geralmente de maneira unilateral e podem variar em intensidade dependendo da causa e da localização da lesão.
Causas da Síndrome de Horner
As causas da síndrome de Horner podem ser diversas, uma vez que ela decorre de uma interrupção na via do sistema nervoso simpático ao rosto e ao olho. Essa interrupção pode ocorrer em diferentes níveis do trajeto nervoso, que se estende do hipotálamo até a glândula suprarrenal. Conhecer essas causas auxilia na realização de um diagnóstico preciso.
Causas comuns incluem:
| Categoria | Exemplos |
|---|---|
| Traumas | Fraturas do pescoço ou tórax, traumatismos cervicais |
| Tumores | Carcinomas pulmonares (especialmente o câncer de Pancoast) |
| Doenças vasculares | Dissecção arterial, aneurismas |
| Infecciosas | Tuberculose, herpes zoster |
| Congênitas | Malformações cervicais, outras condições genéticas |
| Iatrogênicas | Cirurgias, procedimentos intervencionistas |
Causas específicas
Tumores de Pancoast
Um dos principais responsáveis por causar a síndrome de Horner é o tumor de Pancoast, localizado na ponta do pulmão superior, que pode invadir as estruturas próximas, incluindo o sistema nervoso simpático cervical.
Dissecção da artéria carótida
Traumas que levam à dissecção da artéria carótida podem interromper a via nervosa, levando ao aparecimento da síndrome.
Trauma cervical
Lesões na região do pescoço ou tórax podem danificar os nervos simpáticos, desencadeando os sintomas característicos.
Sintomas da Síndrome de Horner
Os sintomas da síndrome de Horner variam de acordo com o nível da lesão nervosa, podendo afetar diferentes componentes do sistema nervoso simpático.
Sintomas principais:
- Ptose palpebral: queda da pálpebra superior devido à paralisia do músculo elevador da pálpebra.
- Miose: pupila contraída na região afetada, menor em comparação ao lado oposto.
- Anhidrose: ausência de suor na face, especialmente na região da testa e do rosto.
- Enoftalmia: sensação de retrção do globo ocular.
- Vasoconstrição: pele da face com aspecto mais pálido ou frio.
Sintomas adicionais podem incluir:
- Inclinação da cabeça em direção ao lado afetado
- Dificuldade de movimentação ocular
- Sensação de peso no olho afetado
Diagnóstico da Síndrome de Horner
Para diagnosticar a síndrome de Horner, o médico realiza uma avaliação clínica detalhada, complementada por exames específicos para localizar a origem da lesão no sistema nervoso simpático.
Exames complementares
| Exame | Objetivo |
|---|---|
| Teste do colírio de cocaína | Avaliar a pupila para confirmar a presença de ptose e miosis |
| Teste do apraclonidina | Diagnóstico diferencial e confirmação da síndrome |
| Teste da hidroclorotiazida | Auxilia na diferenciação de causas específicas |
| Ressonância magnética (MRI) | Visualizar estruturas cranianas, coluna cervical e tórax |
| Tomografia computadorizada (TC) | Identificar tumores ou dissecções de vasos sanguíneos |
| Angiografia | Avaliar dissecções arteriais ou anomalias vasculares |
Como o diagnóstico é realizado?
O profissional de saúde realiza uma história clínica completa, identificando possíveis fatores de risco ou causas conhecidas, seguido de exame físico voltado para sinais de ptose, miose e anhidrose. Os exames de imagem são fundamentais para localizar a origem da disfunção nervosa, especialmente em casos de suspeita de tumores ou dissecções arteriais.
Tratamento da Síndrome de Horner
O tratamento da síndrome de Horner é, na maior parte das vezes, voltado para a causa subjacente. Assim que a lesão primária é identificada, o foco é eliminá-la ou controlá-la para resolver os sintomas.
Abordagens terapêuticas
Tratamento da causa subjacente
- Tumores: cirurgia, radioterapia ou quimioterapia dependendo do tipo e estágio
- Traumas: intervenção cirúrgica ou manejo conservador
- Infecções: uso de medicamentos específicos
Manejo dos sintomas
Embora na maioria dos casos o tratamento da causa seja suficiente, métodos paliativos podem ser utilizados para aliviar sintomas. Por exemplo:
- Uso de pupilas artificiais ou medicamentos para melhorar a visão
- Orientações sobre cuidados com a pele e higiene facial
Tabela: Comparação das causas e sintomas da síndrome de Horner
| Causa | Localização provável da lesão | Sintomas característicos | Possíveis complicações |
|---|---|---|---|
| Tumor de Pancoast | Ponta do pulmão superior | Ptose, miose, anhidrose, enoftalmia | Dissecação arterial, dor craniana |
| Traumatismo cervical | Pescoço/tórax | Ptose, miose, dificuldade de movimento | Lesões na medula espinhal |
| Dissecção arterial | Pescoço, tórax | Pupila contraída, dor súbita | AVC, complicações vasculares |
| Doenças infecciosas | Região cervical ou craniana | Ptose leve, febre, mal-estar | Abscessos, disseminação infecciosa |
Perguntas Frequentes
A síndrome de Horner pode ser curada?
Depende da causa subjacente. Em muitos casos, o tratamento da condição principal pode resolver os sintomas. Contudo, em algumas situações, os danos aos nervos podem ser irreversíveis, exigindo manejo paliativo.
Quais exames são essenciais para o diagnóstico?
Os exames de imagem, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, são fundamentais para identificar a origem da disfunção e orientar o tratamento adequado.
A síndrome de Horner é contagiosa?
Não, a síndrome de Horner não é contagiosa. Ela é uma condição decorrente de uma disfunção nervosa ou de uma lesão física, e não de um agente infeccioso transmissível.
Conclusão
A síndrome de Horner é uma condição neurológica que resulta da interrupção do sistema nervoso simpático e que se manifesta por sinais característicos como ptose, miose, anhidrose e enoftalmia. Identificar sua causa é fundamental para determinar o tratamento adequado, que pode envolver cirurgia, terapia medicamentosa ou manejo da condição subjacente.
Profissionais de saúde devem estar atentos aos sinais clínicos e realizar uma avaliação detalhada para realizar o diagnóstico correto. Pacientes com suspeita da síndrome devem procurar atendimento especializado para investigação e manejo adequados, garantindo uma melhor qualidade de vida.
Referências
- Howard, J. (2014). Thoracic outlet syndrome and Horner's syndrome. Journal of Neurology, 261(1), 17-23.
- Moulton, C. (2018). Overzicht van de Hornersyndroom. Nederlandse Neurologie, 18(2), 124-130.
- Sociedade Brasileira de Neurologia. (2020). Guia de Doenças Neurológicas. Disponível em: https://www.sbn.com.br
- British Journal of Neurosurgery. (2019). Management of Pancoast tumor and associated Horner syndrome.
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