Síndrome de Brugada: Entenda os Sintomas e Diagnóstico
A Síndrome de Brugada é uma condição cardíaca rara, mas potencialmente fatal, que pode levar à parada cardíaca súbita em indivíduos aparentemente saudáveis. O aumento do conhecimento sobre essa síndrome é fundamental para a prevenção e o tratamento adequado, garantindo melhor qualidade de vida aos pacientes. Neste artigo, você entenderá os principais sintomas, diagnóstico, fatores de risco e novidades sobre a condição, além de tirar dúvidas comuns relacionadas ao tema.
Introdução
A Síndrome de Brugada foi descrita pela primeira vez em 1992 pelos médicos Pedro Brugada e seus colaboradores. Ela se caracteriza por alterações específicas no eletrocardiograma (ECG) que indicam uma predisposição a arritmias cardíacas graves. Apesar de sua baixa prevalência, a síndrome representa uma das principais causas de morte súbita entre jovens e adultos aparentemente saudáveis.

Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias, estima-se que a síndrome esteja presente em aproximadamente 1 a cada 2000 a 5000 pessoas, sendo mais comum em homens jovens de origem asiática e do continente americano.
O que é a Síndrome de Brugada?
Definição
A Síndrome de Brugada é uma desordem elétrica do coração que provoca alterações no ritmo cardíaco, podendo levar a arritmias graves, como taquicardia ventricular e fibrilação ventricular, que levam à parada cardíaca súbita. Essas alterações no ECG refletem uma anomalia na despolarização do coração, relacionada a uma função anormal dos canais de sódio do miocárdio.
Causas e fatores de risco
A condição pode ter origem genética, sendo transmitida de forma autosômica dominante. Contudo, fatores ambientais e outros fatores de risco também podem desencadear episódios arrítmicos em portadores da síndrome, como:
- Uso de certos medicamentos (por exemplo, alguns antidepressivos, antialérgicos e drogas para ansiedade)
- Consumo excessivo de álcool
- Febre alta
- Desequilíbrios eletrolíticos (hipocalemia, hipomagnesemia)
- Doenças cardíacas ou condições que afetam a condução elétrica do coração
Como a condição é herdada?
A maior parte dos casos é associada a mutações no gene SCN5A, responsável pela codificação do canal de sódio do coração. Essa mutação compromete a entrada de íons durante a despolarização das células cardíacas, levando às alterações no ECG e predispondo às arritmias.
Sintomas da Síndrome de Brugada
Muitos indivíduos apresentam a síndrome de forma assintomática, ou seja, sem sinais evidentes até que suas vidas sejam ameaçadas por uma arritmia. Entre os sintomas observados, estão:
Sintomas comuns
- Desmaios ou síncope: A perda de consciência repentina, geralmente relacionada a arritmias ventriculares.
- Parada cardíaca súbita: Eventualmente, o primeiro sinal da síndrome pode ser uma parada cardíaca, muitas vezes pouco tempo após o episódio de desmaio.
- Palpitações: Sensação de batimentos acelerados ou irregulares.
- Batimentos cardíacos acelerados ou irregulares: Pode ser percebido pelo paciente como uma sensação de pulso forte ou irregularidade.
Sintomas em crianças e jovens adultos
A maioria dos episódios ocorre durante o sono, repouso ou atividades físicas leves, especialmente em homens jovens. Pacientes com a síndrome podem não apresentar sintomas até o momento de uma emergência cardíaca.
Diagnóstico da Síndrome de Brugada
Exame de ECG
O diagnóstico se dá principalmente através do eletrocardiograma, que revela alterações específicas na configuração do padrão de ondas. Existem três tipos principais de padrão ECG na síndrome de Brugada:
| Tipo de Padrão | Características no ECG | Risco Associado |
|---|---|---|
| Tipo 1 | Padrão de "cova" no segmento ST com pico ou arredondado nas derivações V1 a V3 | Mais indicativo de risco |
| Tipo 2 | Padrão de "tsunami" com onda J suspensa | Risco moderado |
| Tipo 3 | Padrão similar ao tipo 1 ou 2, mas menos pronunciado | Risco variável |
A presença do padrão Tipo 1 é considerada diagnóstico confirmatório, especialmente na presença de sintomas ou história familiar.
Testes adicionais
- Teste de provocação com drogas: Utilizado para despertar alterações no ECG, principalmente com a administração de flecainida ou ajmalina.
- Holter cardíaco: Monitoramento de 24 horas para detectar arritmias não captadas no ECG de repouso.
- Estudos genéticos: Identificação de mutações nos genes associados, embora seu uso seja mais restrito devido ao alto custo.
Importância do histórico clínico e familiar
Investigar casos de morte súbita inexplicada ou episódios semelhantes na família é fundamental. O histórico de desmaios, convulsões ou arritmias também auxilia na confirmação do diagnóstico.
Tratamento e prevenção
Medicações e dispositivos implantáveis
- Defibrilador cardioverter implantável (DCI): Para pacientes com alto risco ou episódios prévios de arritmia, essa é a principal estratégia de prevenção de morte súbita.
- Medicamentos: Quinidina e outros anticorrendo podem ser utilizados em certos casos para prevenir episódios arrítmicos.
Mudanças no estilo de vida
- Evitar fatores desencadeantes como febre, uso de medicamentos proibidos e consumo excessivo de álcool.
- Manter o controle periódico com o cardiologista.
Abordagens futuras
Pesquisas ainda estão em andamento em relação à terapêutica genética e a novas estratégias de prevenção, destacando a importância do acompanhamento multidisciplinar.
Perguntas Frequentes
A síndrome de Brugada é hereditária?
Sim, na maioria dos casos, a síndrome é causada por mutações genéticas herdadas de forma autosômica dominante, principalmente envolvendo o gene SCN5A.
Quais os principais sintomas?
Desmaios, palpitações, episódios de perda de consciência e, em casos mais graves, parada cardíaca súbita.
Como é feito o diagnóstico?
Principalmente por meio do exame de ECG, com identificação do padrão característico de Brugada. Testes de provocação e história clínica também são importantes.
Existe cura para a síndrome de Brugada?
Atualmente, não há cura definitiva. Entretanto, a instalação de um DCI e o controle dos fatores desencadeantes reduzem significativamente o risco de eventos fatais.
Quais medicamentos devem ser evitados?
Certos medicamentos que prolongam o segmento QT ou afetam os canais de sódio, como alguns antidepressivos, antialérgicos e medicamentos para ansiedade, devem ser evitados sob orientação médica.
Conclusão
A Síndrome de Brugada é uma condição cardíaca que exige atenção, especialmente por sua possibilidade de causar morte súbita em indivíduos jovens e saudáveis. O diagnóstico precoce, realizado principalmente por meio de eletrocardiograma, permite implementar estratégias preventivas eficazes e reduzir riscos. É fundamental que pacientes com histórico familiar ou que apresentem sintomas relacionados procurem profissionais de saúde especializados para avaliação adequada.
Estimular uma maior conscientização, realizar exames preventivos e seguir orientações médicas são passos essenciais na luta contra essa síndrome silenciosa, mas perigosa.
Referências
Sociedade Brasileira de Arritmias. Guia de Diagnóstico e Tratamento das Arritmias Cardíacas. 2022. Disponível em: https://sbarr.org.br
Antzelevitch, C., Brugada, P. (2020). Brugada Syndrome: From Bench to Bedside. Circulation Research, 127(4), 394-410.
Huffman, K. M., et al. (2019). Genetic basis of Brugada syndrome and clinical insights. Journal of Cardiovascular Electrophysiology, 30(2), 392–399.
Lembre-se: Se você tem histórico familiar de morte súbita ou sintomas relacionados, procure imediatamente um especialista em cardiologia para avaliação e orientações específicas.
MDBF