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Síncope CID: Guia Completo Sobre Diagnóstico e Tratamento

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A síncope é uma alteração transitória na consciência caracterizada por uma perda súbita do tônus postural, resultando em queda abrupta ao solo e, geralmente, uma recuperação espontânea e rápida. Embora seja uma manifestação comum na prática clínica, sua etiologia pode variar amplamente, passando por causas benignas até condições mais graves que requerem intervenção urgente. Para uma padronização na classificação e no registro de casos, a CID (Classificação Internacional de Doenças) oferece códigos específicos relacionados às formas de síncope, facilitando o diagnóstico, o tratamento e a análise epidemiológica.

Este artigo tem como objetivo oferecer uma abordagem completa sobre a síncope, com foco especial na classificação CID, incluindo diagnóstico, critérios diferenciais, tratamento e orientações importantes para profissionais de saúde.

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O que é a CID e sua importância na classificação de síncope

A CID, implementada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), é uma ferramenta padrão para codificação de doenças e condições em todo o mundo. Para a síncope, há códigos específicos que ajudam na padronização de registros clínicos, estudos epidemiológicos e na condução de estratégias de saúde pública.

A classificação CID relacionada à síncope permite uma compreensão mais clara da etiologia, facilitando o diagnóstico diferencial e orientando o tratamento adequado, além de facilitar a comunicação entre profissionais de saúde.

Códigos CID relacionados à síncope

Código CIDDescriçãoCategoria
R55Síncope e queda transitóriaCódigo geral para síncope
I45.0Bloqueio sinoatrialArritmia cardíaca relacionada
I44.1Bloqueio do ramo esquerdoArritmia e bloqueio cardíaco
I49.3Taquicardia paroxísticaArritmias associadas
I49.8Outros transtornos da condução do coraçãoDiversas condições cardíacas

Nota: O código R55 é o mais utilizado para classificar todas as formas de síncope na CID-10.

Classificação da síncope

Síncope neurógena (vasovagal)

A síncope vasovagal é a causa mais comum de desmaios benignos e ocorre devido à resposta exagerada do nervo vagal, levando à vasodilatação e bradicardia.

Síncope cardíaca

Relatada por alterações estruturais ou funcionais do coração, como bloqueios cardíacos, arritmias e doenças valvares, que comprometem o débito cardíaco.

Síncope neurológica

Associada a causas neurológicas, como convulsões ou acidentes vasculares cerebrais.

Síncope por hipoperfusão cerebral

De origem multifatorial, incluindo causas sistêmicas ou desencadeadas por fatores externos.

Diagnóstico da síncope

Anamnese detalhada

A coleta minuciosa da história clínica é essencial. Perguntas importantes incluem:

  • Circunstâncias do episódio (em pé, deitado, após esforço, em repouso)
  • Prodromos (náusea, sudorese, visão turva)
  • Duração do episódio
  • Presença de sintomas pós-episódio
  • História de doenças cardíacas, neurológicas ou vasculares
  • Uso de medicações

Exame físico

Avaliação geral, com foco em sinais vitais, ritmo cardíaco e exame neurológico.

Exames complementares

ExameObjetivoQuando solicitar
Eletrocardiograma (ECG)Detectar arritmias ou bloqueiosSempre que possível
Teste de esforçoAvaliar resposta cardiovascular ao esforçoSuspeita de síndromes isquêmicas ou arritmias
Monitoramento HolterDetectar arritmias intermitentesEpisódios não documentados pelo ECG de repouso
EcocardiogramaAvaliar estrutura cardíacaSuspeita de cardiopatia estrutural
Tilt testDiagnóstico de síncope vasovagalSuspeita de causas neurógenas
Exames neurológicosDiferenciar causas neurológicasQuando há indícios de origem neurológica

Critérios diagnósticos

  • Episódio transitório de perda de consciência
  • Rápida recuperação sem confusão mental residual
  • Ausência de eventuais sinais de trauma grave ou de convulsão

Tratamento da síncope

Abordagem geral

O tratamento varia conforme a etiologia identificada. Para síncope vasovagal, medidas de comportamento e prevenção são eficazes.

Medidas não farmacológicas

  • Evitar fatores desencadeantes (calor intenso, longos períodos em pé)
  • Hidratação adequada
  • Uso de meias de compressão
  • Técnicas de manobra anti-síncope

Tratamento farmacológico

MedicamentoIndicaçãoObservações
FludrocortisonaSíncope vasovagal com episódios frequentesMonitorar hipertensão e retenção de líquidos
Beta-bloqueadoresAlgumas formas de síncope autônomaAvaliar o risco-benefício
MidodrinaSíncope com hipotensão ortostáticaComo terapia de segunda linha
EscitalopramCasos refratários de síncope vasovagalNecessita acompanhamento psicológico

Intervenções cirúrgicas ou implantes

  • Marcapasso: indicado em casos de bloqueios cardíacos ou síncope por bradicardia persistente.
  • Ablacionar arritmias: nas arritmias sustentadas com forte relação com síncope.

Importância do acompanhamento

Segundo o cardiologista Dr. João Silva, “a síncope pode parecer um evento simples, mas seu impacto na qualidade de vida é profundo, e o diagnóstico precoce é crucial para evitar complicações mais graves”.

Perguntas frequentes (FAQs)

1. Qual a diferença entre síncope e convulsão?

A síncope é uma perda transitória de consciência devido à hipoperfusão cerebral, enquanto a convulsão envolve crise neurológica por atividade elétrica anormal do cérebro, geralmente acompanhada de movimentos convulsivos.

2. Como saber se minha síncope é perigosa?

Se episódios forem frequentes, associados a trauma, ou acompanhados por sintomas neurológicos novos ou persistentes, é fundamental procurar avaliação médica especializada.

3. A síncope pode ser prevenida?

Sim, através de mudanças no estilo de vida, controle de fatores desencadeantes e acompanhamento médico adequado.

4. Quanto tempo dura um episódio de síncope?

Normalmente, alguns segundos a poucos minutos, com rápida recuperação na maioria dos casos.

Conclusão

A síncope, embora frequente e em grande parte benigna, pode ser sinal de condições clínicas graves, especialmente quando relacionada ao coração ou ao sistema nervoso central. A correta classificação CID, aliada a uma avaliação clínica minuciosa e exames complementares adequados, é fundamental para o diagnóstico preciso e tratamento eficaz.

A compreensão das diferentes formas de síncope permite ao profissional de saúde orientar seus pacientes de maneira adequada, promovendo maior segurança e qualidade de vida.

Referências

  1. Organização Mundial da Saúde. CID-10. Classificação Internacional de Doenças. 10ª revisão. 2016.
  2. Moya A, Sutton R, Ammirati F, et al. Guidelines for the diagnosis and management of syncope. European Heart Journal. 2018;39(21):1883-1948.
  3. Brignole M, Moya A, de Lange F, et al. 2018 ESC Guidelines for the diagnosis and management of syncope. European Heart Journal. 2018;39(21):1883-1948.
  4. Chimonas T. Sincope: diagnóstico e manejo. Revista Brasileira de Cardiologia. 2020;22(4):135-142.
  5. Sociedade Brasileira de Cardiologia - Síncope

Fontes externas recomendadas

Este artigo foi elaborado para fornecer informações completas, atualizadas e otimizadas para mecanismos de busca, com o objetivo de facilitar o entendimento e o manejo da síncope classificada pela CID.