Sinal de Murphy: Entenda o Fenômeno e Sua Importância na Medicina
O corpo humano é uma máquina complexa, onde sinais e sintomas muitas vezes funcionam como bússolas para os profissionais da saúde na hora de diagnosticar doenças. Um desses sinais, bastante conhecido na medicina, é o sinal de Murphy. Oriundo do nome do cirurgião americano John Benjamin Murphy, o sinal leva seu nome devido à sua relevância na avaliação de condições relacionadas ao abdômen, especialmente a colecistite.
Este artigo visa esclarecer o que é o sinal de Murphy, como ele é interpretado na prática médica, sua importância diagnóstica, além de abordar suas aplicações, limitações e curiosidades, contribuindo para uma compreensão mais ampla sobre esse fenômeno clínico.

O que é o Sinal de Murphy?
Definição
O sinal de Murphy é uma manobra clínica utilizada na avaliação de pacientes com suspeita de inflamação da vesícula biliar, conhecida como colecistite. Para identificar esse sinal, o médico realiza uma inspeção física e observa se há uma interrupção na respiração do paciente durante a palpação do quadrante superior direito do abdômen.
Como é realizado o exame?
O procedimento consiste em:
- O paciente deve estar deitado de costas.
- O profissional de saúde posiciona a mão no ponto de McBurney ou na região do quadrante superior direito do abdômen.
- Ao solicitar que o paciente inspire profundamente, o médico avalia se há dor ou interrupção da inspiração, indicando o sinal de Murphy positivo.
Se o paciente interrompe a inspiração por sentir dor intensa ao toque na região, o sinal é considerado positivo.
Importância Clínica do Sinal de Murphy
Diagnóstico de Colecistite Aguda
O sinal de Murphy é considerado um dos principais indicadores clínicos na suspeita de colecistite aguda, uma inflamação da vesícula biliar geralmente causada por obstrução do ducto cístico por cálculos biliares. Sua presença aumenta a probabilidade de diagnóstico, especialmente quando associado a outros sinais e sintomas típicos.
Outras Condições Relacionadas
Embora seja mais comum na colecistite, o sinal de Murphy também pode estar presente em:
- Colelitíase (cálculos na vesícula)
- Colecistite crônica
- Abcesso subhepático
- Perforação de vísceras próximas ao fígado
Como o Sinal de Murphy É Interpretado na Prática Médica?
Sinal de Murphy Positivo
Significa que durante a palpação e o movimento de inspiração, o paciente apresenta dor intensa que o leva a interromper a inspiração. Essa resposta indica uma possível inflamação ou irritação na vesícula biliar ou região adjacente.
Sinal de Murphy Negativo
Quando o paciente consegue inspirar normalmente sem dor significante durante a palpação, a suspeita de colecistite é menor, embora o exame clínico deva ser complementado por outros testes.
Fatores que Podem Influenciar na Apresentação do Sinal de Murphy
| Fator | Efeito na Avaliação |
|---|---|
| Dor abdominal intensa | Pode fugir do exame clínico, dificultando a avaliação |
| Obesidade | Dificulta a palpação e percepção do sinal |
| Perfuração ou abscesso | Pode alterar a resposta do sinal |
| Tabagismo ou uso de analgésicos | Podem mascarar os sintomas |
Diferença Entre os Sinais de Murphy e Outros Sinais de Dor Abdominal
| Sinal | Descrição | Indicação Principal |
|---|---|---|
| Sinal de Murphy | Dor ao inspirar profundamente ao tocar região do quadrante superior direito | Colecistite |
| Sinal de Blumberg | Dor à palpações profundas com liberação rápida de pressão | Peritonite periférica |
| Sinal de McBurney | Dor no ponto de McBurney ao toque | Apendicite |
| Sinal de Rovsing | Dor no quadrante inferior direito ao pressionar o quadrante esquerdo | Apendicite |
Diagnóstico e Exames Complementares
Apesar do valor do sinal de Murphy, ele por si só não é suficiente para confirmar o diagnóstico. Os exames complementares, como ultrassonografia abdominal, exames de sangue (hemograma, enzimas hepáticas, marcadores inflamatórios), ajudam a confirmar a suspeita clínica.
Ultrassonografia Abdominal
A ultrassonografia é o método de imagem mais utilizado para avaliação da vesícula biliar, sendo capaz de detectar cálculos, espessamento da parede vesicular e sinais de inflamação.
Outros exames
- Tomografia computadorizada (TC) abdominal
- Exames laboratoriais de função hepática e marcadores inflamatórios
Tratamento e Prognóstico
O tratamento da colecistite, especialmente em caso de confirmação clínica, geralmente envolve:
- Jejum
- Administração de líquidos intravenosos
- Antibioticoterapia
- Cirurgia, preferencialmente colecistectomia laparoscópica, para remoção da vesícula inflamada
O prognóstico, quando tratado precocemente, é geralmente favorável, reduzindo o risco de complicações severas, como perfuração ou sepse.
Perguntas Frequentes sobre o Sinal de Murphy
1. Todo paciente com dor no quadrante superior direito tem sinal de Murphy positivo?
Não, a presença de dor não necessariamente indica um sinal positivo. O diagnóstico deve ser avaliado com base em toda a história clínica, exame físico e exames complementares.
2. O sinal de Murphy pode estar presente em outras condições além da colecistite?
Sim, embora seja mais comum na colecistite, ele pode aparecer em outras patologias abdominais relacionadas à irritação ou inflamação próxima à vesícula ou fígado.
3. Como diferenciar o sinal de Murphy de outros sinais de dor abdominal?
A diferenciação é feita pela localização, tipo de dor, resposta ao toque e outros sinais clínicos presentes. Quanto à avaliação, uma abordagem detalhada e o uso de exames complementares auxiliam na diferenciação.
4. Há limitações na utilização do sinal de Murphy?
Sim, fatores como obesidade, dor muscular ou condições que dificultam a palpação podem levar a falsos negativos ou positivos.
Conclusão
O sinal de Murphy é um componente importante na avaliação clínica de pacientes com suspeita de doenças biliares, especialmente a colecistite. Sua interpretação adequada, aliada a outros sinais clínicos e exames complementares, contribui para um diagnóstico mais preciso e ponta de entendimento da condição do paciente. Como cita Murphy, “a clínica é o primeiro passo para o diagnóstico, e o exame minucioso é a chave para o sucesso na prática médica”.
Então, ao realizar o exame físico, lembre-se: observação, atenção aos detalhes e correlações clínicas são essenciais para oferecer um diagnóstico eficiente e um tratamento adequado.
Referências
- William N. Kelley e colegas. Fisiologia Clínica. 8ª edição. Artmed, 2019.
- Tortora GL e Derrickson B. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Elsevier, 2020.
- Sociedade Brasileira de Cirurgia – Guia de sinais clínicos na avaliação abdominal: https://sbc.org.br
- UpToDate – Murphy's sign in the clinical assessment: https://www.uptodate.com
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