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Sinal de Murphy: Entenda o Fenômeno e Sua Importância na Medicina

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O corpo humano é uma máquina complexa, onde sinais e sintomas muitas vezes funcionam como bússolas para os profissionais da saúde na hora de diagnosticar doenças. Um desses sinais, bastante conhecido na medicina, é o sinal de Murphy. Oriundo do nome do cirurgião americano John Benjamin Murphy, o sinal leva seu nome devido à sua relevância na avaliação de condições relacionadas ao abdômen, especialmente a colecistite.

Este artigo visa esclarecer o que é o sinal de Murphy, como ele é interpretado na prática médica, sua importância diagnóstica, além de abordar suas aplicações, limitações e curiosidades, contribuindo para uma compreensão mais ampla sobre esse fenômeno clínico.

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O que é o Sinal de Murphy?

Definição

O sinal de Murphy é uma manobra clínica utilizada na avaliação de pacientes com suspeita de inflamação da vesícula biliar, conhecida como colecistite. Para identificar esse sinal, o médico realiza uma inspeção física e observa se há uma interrupção na respiração do paciente durante a palpação do quadrante superior direito do abdômen.

Como é realizado o exame?

O procedimento consiste em:

  1. O paciente deve estar deitado de costas.
  2. O profissional de saúde posiciona a mão no ponto de McBurney ou na região do quadrante superior direito do abdômen.
  3. Ao solicitar que o paciente inspire profundamente, o médico avalia se há dor ou interrupção da inspiração, indicando o sinal de Murphy positivo.

Se o paciente interrompe a inspiração por sentir dor intensa ao toque na região, o sinal é considerado positivo.

Importância Clínica do Sinal de Murphy

Diagnóstico de Colecistite Aguda

O sinal de Murphy é considerado um dos principais indicadores clínicos na suspeita de colecistite aguda, uma inflamação da vesícula biliar geralmente causada por obstrução do ducto cístico por cálculos biliares. Sua presença aumenta a probabilidade de diagnóstico, especialmente quando associado a outros sinais e sintomas típicos.

Outras Condições Relacionadas

Embora seja mais comum na colecistite, o sinal de Murphy também pode estar presente em:

  • Colelitíase (cálculos na vesícula)
  • Colecistite crônica
  • Abcesso subhepático
  • Perforação de vísceras próximas ao fígado

Como o Sinal de Murphy É Interpretado na Prática Médica?

Sinal de Murphy Positivo

Significa que durante a palpação e o movimento de inspiração, o paciente apresenta dor intensa que o leva a interromper a inspiração. Essa resposta indica uma possível inflamação ou irritação na vesícula biliar ou região adjacente.

Sinal de Murphy Negativo

Quando o paciente consegue inspirar normalmente sem dor significante durante a palpação, a suspeita de colecistite é menor, embora o exame clínico deva ser complementado por outros testes.

Fatores que Podem Influenciar na Apresentação do Sinal de Murphy

FatorEfeito na Avaliação
Dor abdominal intensaPode fugir do exame clínico, dificultando a avaliação
ObesidadeDificulta a palpação e percepção do sinal
Perfuração ou abscessoPode alterar a resposta do sinal
Tabagismo ou uso de analgésicosPodem mascarar os sintomas

Diferença Entre os Sinais de Murphy e Outros Sinais de Dor Abdominal

SinalDescriçãoIndicação Principal
Sinal de MurphyDor ao inspirar profundamente ao tocar região do quadrante superior direitoColecistite
Sinal de BlumbergDor à palpações profundas com liberação rápida de pressãoPeritonite periférica
Sinal de McBurneyDor no ponto de McBurney ao toqueApendicite
Sinal de RovsingDor no quadrante inferior direito ao pressionar o quadrante esquerdoApendicite

Diagnóstico e Exames Complementares

Apesar do valor do sinal de Murphy, ele por si só não é suficiente para confirmar o diagnóstico. Os exames complementares, como ultrassonografia abdominal, exames de sangue (hemograma, enzimas hepáticas, marcadores inflamatórios), ajudam a confirmar a suspeita clínica.

Ultrassonografia Abdominal

A ultrassonografia é o método de imagem mais utilizado para avaliação da vesícula biliar, sendo capaz de detectar cálculos, espessamento da parede vesicular e sinais de inflamação.

Outros exames

  • Tomografia computadorizada (TC) abdominal
  • Exames laboratoriais de função hepática e marcadores inflamatórios

Tratamento e Prognóstico

O tratamento da colecistite, especialmente em caso de confirmação clínica, geralmente envolve:

  • Jejum
  • Administração de líquidos intravenosos
  • Antibioticoterapia
  • Cirurgia, preferencialmente colecistectomia laparoscópica, para remoção da vesícula inflamada

O prognóstico, quando tratado precocemente, é geralmente favorável, reduzindo o risco de complicações severas, como perfuração ou sepse.

Perguntas Frequentes sobre o Sinal de Murphy

1. Todo paciente com dor no quadrante superior direito tem sinal de Murphy positivo?

Não, a presença de dor não necessariamente indica um sinal positivo. O diagnóstico deve ser avaliado com base em toda a história clínica, exame físico e exames complementares.

2. O sinal de Murphy pode estar presente em outras condições além da colecistite?

Sim, embora seja mais comum na colecistite, ele pode aparecer em outras patologias abdominais relacionadas à irritação ou inflamação próxima à vesícula ou fígado.

3. Como diferenciar o sinal de Murphy de outros sinais de dor abdominal?

A diferenciação é feita pela localização, tipo de dor, resposta ao toque e outros sinais clínicos presentes. Quanto à avaliação, uma abordagem detalhada e o uso de exames complementares auxiliam na diferenciação.

4. Há limitações na utilização do sinal de Murphy?

Sim, fatores como obesidade, dor muscular ou condições que dificultam a palpação podem levar a falsos negativos ou positivos.

Conclusão

O sinal de Murphy é um componente importante na avaliação clínica de pacientes com suspeita de doenças biliares, especialmente a colecistite. Sua interpretação adequada, aliada a outros sinais clínicos e exames complementares, contribui para um diagnóstico mais preciso e ponta de entendimento da condição do paciente. Como cita Murphy, “a clínica é o primeiro passo para o diagnóstico, e o exame minucioso é a chave para o sucesso na prática médica”.

Então, ao realizar o exame físico, lembre-se: observação, atenção aos detalhes e correlações clínicas são essenciais para oferecer um diagnóstico eficiente e um tratamento adequado.

Referências

  1. William N. Kelley e colegas. Fisiologia Clínica. 8ª edição. Artmed, 2019.
  2. Tortora GL e Derrickson B. Princípios de Anatomia e Fisiologia. Elsevier, 2020.
  3. Sociedade Brasileira de Cirurgia – Guia de sinais clínicos na avaliação abdominal: https://sbc.org.br
  4. UpToDate – Murphy's sign in the clinical assessment: https://www.uptodate.com