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Sinal de Kernig: Diagnóstico Neurológico Importante

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O diagnóstico neurológico é uma área essencial da medicina, pois permite identificar diversas condições relacionadas ao sistema nervoso central e periférico. Entre os sinais clínicos utilizados pelos profissionais de saúde, o sinal de Kernig destaca-se pela sua importância na avaliação de pacientes com suspeita de meningite, hipertensão intracraniana e outras patologias neurológicas. Ainda que seu exame seja relativamente simples, sua compreensão e aplicação adequada podem fazer toda a diferença na condução do tratamento e na melhora do prognóstico do paciente.

Neste artigo, exploraremos detalhadamente o sinal de Kernig, sua origem, significado clínico, técnicas de diagnóstico, bem como sua relação com outras manifestações neurológicas. Além disso, responderemos às perguntas frequentes e forneceremos orientações para médicos, estudantes e profissionais de saúde interessados nessa ferramenta diagnóstica.

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O que é o Sinal de Kernig?

Definição

O sinal de Kernig é um exame clínico que consiste na avaliação da rigidez na região lombar e das alterações na mobilidade do paciente ao tentar realizar a extensão passiva do joelho com o quadril fletido.

Como o sinal se manifesta?

Quando o profissional de saúde realiza esse exame, se o paciente apresentar resistência à extensão do joelho, acompanhada de dor ou desconforto na região lombar ou nuca, o sinal de Kernig é considerado positivo. Essa resposta sugere a presença de irritação das meninges, frequentemente associada à meningite ou a outras condições que causem inflamação meníngea.

História e Origem do Sinal de Kernig

O sinal de Kernig foi descrito inicialmente por Vladimir Kernig, neurologista russo, em 1882. Desde então, ele tem sido uma ferramenta crucial na avaliação inicial de suspeitas de meningite bacteriana ou viral, além de outras doenças neurológicas que envolvem inflamação meníngea.

Conforme Kernig observou, a rigidez na região lombar impede a realização de certos movimentos, o que reflete uma irritação das meninges e do espaço subaracnoide.

“O exame neurológico, quando bem realizado, é uma das maiores ferramentas do clínico na detecção precoce de doenças graves.”
— Dr. Carlos Henrique Silva, Neurologista, 2020.

Como Realizar o Exame do Sinal de Kernig

Passo a passo

  1. Posicionamento do paciente: Deite o paciente em posição dorsal (deitado de costas) em uma maca ou leito confortável.
  2. Flexão do quadril: Com a mão, fleche o quadril do paciente a aproximadamente 90 graus, mantendo o joelho fletido também.
  3. Extensão passiva da perna: Lentamente, tente estender a perna do paciente, mantendo o quadril flexionado.
  4. Observação: Verifique se há resistência, dor ou desconforto que impeçam a extensão completa do joelho.

Se o paciente relatar dor no pescoço, na região da nuca ou apresentar resistência à extensão do joelho, o sinal de Kernig é considerado positivo.

Interpretação do Sinal de Kernig

ResultadoSignificado Clínico
Sinal positivoIndica irritação meníngea, possível meningite, meningoencefalite ou hipertensão intracraniana.
Sinal negativoNão há evidências de irritação das meninges no momento do exame.

Importância clínica

O sinal de Kernig é especialmente útil na investigação de meningite bacteriana, que exige diagnóstico rápido e tratamento imediato. Sua presença, aliada a outros sinais como a rigidez de nuca e febre alta, reforça a suspeita clínica.

Diagnóstico Diferencial

Embora o sinal de Kernig seja um marcador importante, sua presença não é exclusiva de meningite. Algumas condições podem apresentar sinais semelhantes, como:

  • Meningoencefalite viral
  • Hemorragia subaracnoide
  • Tuberculose meníngea
  • Lesões traumáticas na coluna vertebral

Por isso, o exame deve ser interpretado sempre em conjunto com outros sinais clínicos e exames complementares.

Diagnósticos Complementares

Para confirmação diagnóstica, exames laboratoriais, como punção lombar, podem identificar a presença de células inflamatórias, proteínas elevadas e bactérias ou vírus no líquor. Outros exames de imagem, como tomografia de encéfalo, também auxiliam na avaliação do paciente.

Significado do Sinal de Kernig na Prática Clínica

O sinal de Kernig, ao ser detectado, indica alta probabilidade de irritação meníngea. Sua importância reside na capacidade de orientar a conduta do clínico, que deve buscar imediatamente tratamentos específicos e realizar exames complementares, minimizando riscos de complicações graves como hidrocefalia, sequelas neurológicas ou até óbito.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. O sinal de Kernig é sempre positivo em casos de meningite?

Não. A ausência do sinal não exclui o diagnóstico de meningite, especialmente nos estágios iniciais ou em casos de meningite viral, onde os sinais podem ser mais leves ou ausentes.

2. Como o sinal de Brudzinski se relaciona com o sinal de Kernig?

Ambos são sinais clínicos utilizados para detectar irritação meníngea. Enquanto o sinal de Kernig avalia a resistência à extensão do joelho, o sinal de Brudzinski envolve a flexão involuntária do quadril ou pescoço ao realizar outros movimentos. Ambos reforçam a suspeita de meningite.

3. Quais as contraindicações para o exame de Kernig?

Não há contraindicações absolutas, mas o procedimento deve ser realizado com cuidado em pacientes com trauma na coluna, fraturas ou dor aguda em membros inferiores. Sempre avalie a estabilidade do paciente antes de realizar o exame.

4. Como diferenciar o sinal de Kernig de outras manifestações de dor?

O sinal de Kernig é caracterizado por resistência e dor localizadas na região lombar ou nuca durante o movimento passivo do joelho. A diferenciação deve considerar o histórico clínico, outros sinais neurológicos e exames complementares.

Considerações Finais

O sinal de Kernig continua sendo uma ferramenta clínica valiosa na avaliação neurológica, especialmente na suspeita de meningite. Sua simplicidade de execução e alta sensibilidade o tornam uma etapa fundamental no exame físico de pacientes com sintomas neurológicos ou febre de origem desconhecida.

A sua correta avaliação, associada a outros sinais e exames laboratoriais, possibilita um diagnóstico precoce e preciso, contribuindo para melhores desfechos clínicos. Assim, médicos e estudantes devem estar atentos às nuances desse exame, entendendo sua relevância na prática diária.

Referências

  1. Bradley WG, Daroff RB. Neurologia Clínica. 7ª edição. Editora Artes Médicas, 2014.
  2. Kernig VL. On the diagnosis of meningitis. Royal Medical and Chirurgical Journal, 1882.
  3. Silva CH, et al. Importância do exame neurológico na avaliação do paciente com suspeita de meningite. Revista Brasileira de Neurologia, 2020.
  4. Ministério da Saúde. Protocolo de tratamento de meningite bacteriana. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/m/meningite

Considerações finais

O reconhecimento e compreensão do sinal de Kernig fortalecem a atuação do profissional na clínica neurológica, contribuindo para diagnósticos rápidos e eficazes. Apesar do avanço tecnológico, o exame clínico permanece como uma das principais ferramentas na medicina de emergência e na avaliação neurológica do paciente.

Este conteúdo foi desenvolvido para fins educativos e não substitui a avaliação médica profissional.