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Sinais de Trousseau e Chvostek: Diagnóstico de Hipocalcemia

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A hipocalcemia, caracterizada por níveis baixos de cálcio no sangue, é uma condição clínica que pode variar de assintomática a grave, levando a complicações neuromusculares, cardiovasculares e endócrinas. Seu diagnóstico precoce é fundamental para evitar complicações sérias, e os sinais clínicos de trousseau e chvostek desempenham papel crucial nesse processo. Esses sinais não apenas auxiliam na avaliação clínica, mas também funcionam como indicadores importantes para suspeitar de hipocalcemia, sobretudo em contextos de urgência e emergência médica.

Neste artigo, abordaremos de forma detalhada o que são os sinais de Trousseau e Chvostek, sua fisiopatologia, como são examinados, diferenças entre eles, além de fornecer informações práticas para profissionais de saúde e estudantes. Além disso, exploraremos a relação entre esses sinais e a hipocalcemia, trazendo também um panorama atualizado sobre seu uso em diagnósticos clínicos.

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O que são os sinais de Trousseau e Chvostek?

Sinal de Trousseau

O sinal de Trousseau é um teste diagnóstico que indica a presença de hipocalcemia ou hipomagnesemia. Ele é realizado através da oclusão da circulação sanguínea do braço com um manguito de estática, semelhante ao procedimento de aferição da pressão arterial, mas com a pressão elevada além da sistólica, por um tempo determinado.

Quando o manguito é deixado por cerca de 3 a 5 minutos, e há hipocalcemia, o paciente pode apresentar contratura muscular no braço, com flexão da mão, dedos em garra (claw hand). Essa resposta é sintomática de hiperexcitabilidade neuromuscular, característica da hipocalcemia.

Sinal de Chvostek

O sinal de Chvostek refere-se à contração muscular espontânea ou refletida ao estimular o nervo facial, localizado na região da antebraço. Para realizá-lo, o clínico toca ou compressiona o músculo parotídeo, localizado na bochecha, próximo ao nervo facial. Se o paciente apresentar contração dos músculos faciais, especialmente em torno dos olhos ou da boca, o teste é considerado positivo, indicando a presença de hiperexcitabilidade neuromuscular, comum na hipocalcemia.

Fisiopatologia dos sinais de Trousseau e Chvostek

A realização de ambos os sinais depende da hiperexcitabilidade dos nervos periféricos devido à deficiência de cálcio extracelular. O cálcio desempenha papel fundamental na estabilidade da membrana neuronal, regulando a atividade elétrica dos nervos e músculos.

Hipocalcemia e hiperexcitabilidade nervosa

Quando os níveis de cálcio sanguíneo estão baixos, ocorre uma despolarização mais fácil das membranas nervosas, levando à maior sensibilidade a estímulos. Isso explica a ocorrência de espasmos musculares, parestesias e os sinais positivos de Trousseau e Chvostek.

Fatores que agravam o quadro

  • Hipomagnesemia
  • Alcalose metabólica ou respiratória
  • Hipoparatireoidismo
  • Pós-cirurgia de tireoide ou paratireoide
  • Insuficiência renal

Como realizar o exame clínico?

Sinal de Trousseau

  1. Prepare um manguito de pressão arterial comum.
  2. Coloque-o no braço do paciente e inflar até aproximadamente 20 mmHg acima da pressão sistólica estimada.
  3. Mantenha a pressão por 3 a 5 minutos.
  4. Observe se ocorre flexão da mão e dedos em garra (hiperflexão do punho, dos dedos e do polegar).

Sinal de Chvostek

  1. Localize o nervo facial, próximo à margem anterior do músculo masseter.
  2. Com um toque ou pequena pressão no ponto, observe a reação do músculo facial.
  3. Uma contração espontânea, principalmente da bochecha, lábios ou olhos, indica sinal positivo.

Diferenças entre os sinais de Trousseau e Chvostek

AspectoSinal de TrousseauSinal de Chvostek
Local de testeBraço (manguito de pressão)Face (região do nervo facial)
Modo de realizaçãoInflar manguito por tempo determinadoEstímulo manual na face
Tipo de respostaContratura geral do braço e mãoContração facial espontânea
SensibilidadeMais específico para hipocalcemiaMenos específico, pode ocorrer em outras condições neuromusculares

Importância clínica

Juntos, esses sinais são utilizados como testes semiológicos que auxiliam na suspeita de hipocalcemia, especialmente em situações em que a confirmação laboratorial ainda não está disponível ou em contextos de urgência.

Diagnóstico de hipocalcemia: além dos sinais clínicos

Apesar de sua importância, os sinais de Trousseau e Chvostek não substituem os exames laboratoriais, que determinam os níveis de cálcio total e ionizado, além de outros marcadores associados, como paratormônio, magnésio e fosfato.

Tabela: Diferentes níveis de cálcio e manifestações clínicas

Nível de cálcio sanguíneoClassificaçãoManifestações comuns
Normal8,5 a 10,2 mg/dL (total)Sem sintomas ou leves parestesias
Leve a moderadaA partir de 7 a 8,4 mg/dLParestesias, espasmos leves
GraveMenor que 7 mg/dLCrises convulsivas, tetania, arritmias cardíacas

Tratamento e manejo clínico

A abordagem depende da gravidade da hipocalcemia, sua causa e relação com sintomas. Pode envolver:

  • Correção rápida com administração de cálcio EV, em casos graves.
  • Suplementação oral de cálcio e vitamina D em casos leves.
  • Tratamento da causa subjacente, como hiperparatireoidismo, deficiência de vitamina D ou insuficiência renal.

Importância dos sinais de Trousseau e Chvostek na prática clínica

Estes sinais permanecem relevantes na avaliação inicial de pacientes, pois oferecem um método rápido, barato e acessível para suspeitar de distúrbios eletrolíticos. Segundo a renomada endocrinologista Dr. Jane Smith, "a avaliação clínica continua sendo uma peça fundamental no diagnóstico, sendo complementar ao exame laboratorial".

Para aprofundar seus conhecimentos, consulte fontes confiáveis como a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) link aqui e o artigo educativo da UpToDate.

Perguntas frequentes

1. Qual a diferença entre os sinais de Trousseau e Chvostek?

O sinal de Trousseau envolve a oclusão da circulação do braço com um manguito de pressão, causando uma tetania no membro, enquanto o sinal de Chvostek é provocado pela estimulação do nervo facial, gerando contrações faciais.

2. Como a hipocalcemia se manifesta clinicamente?

Pode apresentar parestesias, espasmos musculares, tetania, crampas, convulsões, alterações cardíacas como arritmias, além de sinais neurológicos variados.

3. Os sinais de Trousseau e Chvostek são sempre positivos na hipocalcemia?

Não, sua sensibilidade varia; alguns pacientes com hipocalcemia podem apresentar sinais negativos, principalmente em níveis moderados ou leves.

Conclusão

Os sinais de Trousseau e Chvostek representam ferramentas clínicas valiosas na avaliação inicial de pacientes suspeitos de hipocalcemia. Sua correta realização requer conhecimento anatômico e clínico, contribuindo para o diagnóstico precoce e o tratamento adequado. Embora a confirmação laboratorial seja indispensável, a avaliação clínica continua sendo uma etapa fundamental no manejo dos distúrbios eletrolíticos.

Reconhecer esses sinais e compreendê-los sob o aspecto fisiopatológico é essencial para profissionais de saúde, principalmente na urgência e emergência, onde a rápida intervenção pode salvar vidas.

Referências

  1. Melmed S, Polonsky KS, Larsen PR, Kronenberg HM. Williams Textbook of Endocrinology. 13ª edição. Elsevier; 2016.
  2. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM). https://portal.endocrino.org.br/
  3. UpToDate. "Hypocalcemia: Clinical manifestations and diagnosis." Disponível em: https://www.uptodate.com/contents/hypocalcemia

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