Sífilis Congênita CID: Diagnóstico, Tratamento e Prevenção
A sífilis congênita, conhecida também pelo código CID B05, é uma condição altamente prevenível, mas que ainda representa um desafio de saúde pública no Brasil e no mundo. Este artigo aborda de forma detalhada os aspectos essenciais relacionados à sífilis congênita, incluindo diagnóstico, tratamento e formas de prevenção, auxiliando profissionais de saúde, gestantes e a população geral a compreenderem a relevância dessa doença.
Introdução
A sífilis é uma infecção causada pela bactéria Treponema pallidum, transmitida principalmente por contato sexual, mas que pode ser transmitida de mãe para filho durante a gravidez ou o parto, configurando a sífilis congênita. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), aproximadamente 680.000 nascimentos são afetados por sífilis congênita globalmente a cada ano, sendo um problema de saúde evitável com ações integradas de prevenção e controle.

No Brasil, o acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento adequado é fundamental para evitar complicações graves na criança, além de reduzir a transmissão vertical da doença. Assim, entender o CID B05 – Sífilis congênita – é essencial para facilitar a identificação, codificação, pesquisa e controle dessa enfermidade.
O que é a Sífilis Congênita CID?
Definição e Código CID
A Sífilis Congênita, classificada pelo Código Internacional de Doenças (CID) como B05, refere-se à transmissão da infecção durante a gestação, ocasionando uma série de manifestações clínicas no recém-nascido e na criança.
CID B05 – Sífilis Congênita
O CID B05 inclui subcategorias que descrevem o estágio e a apresentação da infecção, tais como:
| Código CID | Descrição |
|---|---|
| B05.0 | Sífilis congênita precoce |
| B05.1 | Sífilis congênita tardia |
| B05.9 | Sífilis congênita, não especificada |
Importância do diagnóstico por CID
A classificação CID permite a padronização na codificação, facilitar estudos epidemiológicos e otimizar estratégias de intervenção. Além disso, contribui para a correta notificação e controle de casos de sífilis congênita no país.
Diagnóstico de Sífilis Congênita
Como identificar a infecção?
O diagnóstico precoce é fundamental para o manejo adequado da sífilis congênita. As manifestações clínicas podem variar desde sinais evidentes no nascimento até quadros assintomáticos que evoluem para complicações tardias.
Exames laboratoriais
Para gestantes
- VDRL ou RPR: testes de triagem
- Treponemal: testes confirmatórios como FTA-ABS
Para recém-nascidos e crianças
- Teste não treponêmico (VDRL/RPR) no sangue do bebê e na mãe
- Teste treponêmico (FTA-ABS) para confirmação
- Teste de imagem, quando indicado
Critérios diagnósticos
Segundo o Ministério da Saúde, o diagnóstico de sífilis congênita deve ser baseado na combinação de fatores clínicos, laboratoriais e epidemiológicos, incluindo histórico de gestação de mãe com sífilis e resultados laboratoriais.
“O diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem prevenir a maioria das formas de conduta mórbida relacionadas à sífilis congênita.” – Ministério da Saúde, 2020.
Tratamento da Sífilis Congênita
Protocolos de tratamento
O tratamento deve ser iniciado o mais cedo possível após o diagnóstico. Os principais medicamentos utilizados incluem a penicilina benzatina.
| Faixa Etária / Condição | Dose e Duração | Observações |
|---|---|---|
| Recém-nascidos com suspeita ou confirmado | Benzilpenicilina benzatina: 50.000 UI/kg em dose única, até um máximo de 2.400.000 UI | Pode ser necessário repetir após 24 horas, dependendo do quadro clínico |
| Crianças mais velhas | Dose ajustada conforme peso e idade |
Cuidados adicionais
- Monitoramento com exames sorológicos (VDRL ou RPR)
- Avaliações clínicas e laboratoriais periódicas
- Acompanhamento neonatal em unidades de referência
Considerações importantes
A penicilina é o único antibiótico eficaz no tratamento da sífilis congênita. Pacientes alérgicos à penicilina devem receber desensitivização antes do tratamento.
Prevenção da Sífilis Congênita
Estratégias primárias de prevenção
- Teste pré-natal universal para gestantes
- Tratamento adequado de gestantes com sífilis
- Educação em saúde e conscientização
Programas de controle
A integração de ações de vigilância epidemiológica, informação à população e cuidados clínicos é fundamental. Segundo o Ministério da Saúde, a prevenção da sífilis congênita depende de uma rede eficiente de atenção à saúde materno-infantil.
Prevenção na ponta
- Realização do teste rápido na primeira consulta pré-natal
- Tratamento imediato de gestantes positivas
- Ações de rastreamento durante todo o pré-natal
Para maiores informações, acesse Ministério da Saúde - Sífilis na gestação.
Perguntas Frequentes
1. Quais os sintomas de sífilis congênita no recém-nascido?
Muitos bebês podem nascer assintomáticos, mas os sinais podem incluir manchas na pele, hepatomegalia, fístulas nas mucosas, irregularidades ósseas, entre outros.
2. É possível prevenir a sífilis congênita?
Sim, com rastreamento e tratamento adequados durante a gestação, a transmissão pode ser evitada quase em sua totalidade.
3. Quais complicações podem acontecer se a sífilis congênita não for tratada?
Podem ocorrer sequelas neurológicas, deformidades ósseas, surdez, cegueira e até óbito fetal ou neonatal.
4. Como saber se minha gestante está protegida contra sífilis?
Realizando exames de rotina no pré-natal, incluindo testes rápidos e sorológicos, e caso seja positivo, realizando o tratamento adequado.
Conclusão
A sífilis congênita CID (B05) representa uma parcela de grande impacto na saúde pública, mas é totalmente evitável com ações integradas de prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado. A correta atenção às gestantes, o acompanhamento clínico rigoroso e uma rede de saúde eficiente são essenciais para reduzir a incidência dessa doença e evitar sequelas irreversíveis nas crianças.
O combate efetivo à sífilis congênita evidencia o fortalecimento do SUS e a necessidade de conscientização de toda a sociedade sobre a importância do diagnóstico e da prevenção. Como afirmou o renomado médico e pesquisador Drauzio Varella, “a prevenção é o melhor remédio, especialmente quando se trata de doenças transmissíveis” – reforçando a imprescindível cultura de cuidado e atenção à saúde materno-infantil.
Referências
Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica - Sífilis na gestação. 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sifilis
Organização Mundial da Saúde. Global progress report on HIV, viral hepatitis and sexually transmitted infections. 2020.
Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para o manejo da Sífilis na gestação. 2017.
Varella, D. Comunicação oral, entrevista ao programa "Bem Estar" - Rede Globo, 2018.
A importância da conscientização
A compreensão sobre a sífilis congênita CID é vital para profissionais de saúde, gestantes e a sociedade. O conhecimento aliado às ações preventivas podem eliminar praticamente a transmissão dessa doença, garantindo às futuras gerações uma vida mais saudável e livre de complicações evitáveis.
MDBF