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Seis Metas de Segurança do Paciente: Garantindo Atendimento de Qualidade

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A segurança do paciente é uma preocupação fundamental na assistência à saúde. Garantir que o paciente receba um atendimento de qualidade, livre de erros e danos, é uma responsabilidade que envolve toda a equipe multiprofissional. Para isso, o Conselho Nacional de Segurança do Paciente (CNSP) estabeleceu as Seis Metas de Segurança do Paciente, orientações essenciais que devem ser seguidas por instituições de saúde para reduzir riscos e melhorar os resultados clínicos.

Neste artigo, abordaremos detalhadamente cada uma dessas metas, a importância de sua implementação e estratégias para sua efetivação. Se você busca compreender como aprimorar a segurança no ambiente hospitalar ou na atenção primária, este conteúdo é para você.

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Introdução

A qualidade do atendimento em saúde não se resume apenas ao diagnóstico preciso ou ao tratamento eficaz, mas também à garantia de que o paciente estará protegido de riscos desnecessários durante sua jornada de cuidado. Segundo o Institute of Medicine (IOM), "A segurança do paciente é uma prioridade que deve ser incorporada à cultura de toda organização em saúde."

Para promover essa cultura, o Brasil adotou as Seis Metas de Segurança do Paciente, um conjunto de objetivos que visam reduzir incidentes, erros médicos e danos ao paciente durante sua assistência. Essas metas representam um avanço no fortalecimento da segurança e constituem padrão para hospitais e demais unidades de saúde.

As Seis Metas de Segurança do Paciente

1. Identificação Correta do Paciente

Importância

A correta identificação do paciente é fundamental para evitar erros como administração de medicamentos errados, realização de procedimentos na pessoa equivocada ou troca de registros.

Como implementar?

  • Uso de duas identificações independentes (nome completo, data de nascimento ou número do prontuário) antes de qualquer procedimento ou administração de medicação.
  • Etiquetas ou pulseiras de identificação visíveis e atualizadas.
  • Confirmação verbal do nome e data de nascimento pelo profissional de saúde na hora do procedimento.

2. Comunicação Eficaz na Transferência do Paciente

Importância

Comunicações claras e completas durante transferências internas ou externas evitam perdas de informações essenciais, garantindo continuidade do cuidado.

Como implementar?

  • Utilização de protocolos padronizados para transferência de informações.
  • Uso de listas de verificação durante a passagem de setor para setor.
  • Validação da compreensão da equipe receptor.

3. Segurança na Obtenção de Imagem e Procedimentos Invasivos

Importância

A realização de exames de imagem ou procedimentos invasivos sem protocolos rígidos pode levar a erros cruciais, como a realização de procedimentos na localidade incorreta.

Como implementar?

  • Confirmação da identidade antes do procedimento.
  • Uso de protocolos de checklist antes, durante e após o procedimento.
  • Confirmação de consentimento informado.

4. Uso Seguro de Medicamentos

Importância

Erros na administração de medicamentos podem causar efeitos adversos graves. Garantir o uso seguro envolve atenção à dose, via de administração e alergias.

Como implementar?

  • Lista atualizada de alergias do paciente.
  • Uso de protocolos de administração de medicamentos (5 Rights – correto paciente, medicamento, dose, via e horário).
  • Implementação de sistemas de automação, como sistemas de prescrição eletrônica.

5. Redução de Riscos de Infecções Associadas à Assistência à Saúde

Importância

Infecções hospitalares representam uma das principais causas de mortalidade relacionada aos cuidados de saúde.

Como implementar?

  • Higiene adequada das mãos (uso de álcool gel ou lavagem com água e sabão).
  • Uso correto de equipamentos de proteção individual (EPIs).
  • Limpeza e desinfecção de ambientes e instrumentos.
  • Protocolos de vigilância e controle de infecções.

6. Redução do Risco de Quedas e Lesões Associadas à Assistência à Saúde

Importância

Quedas podem resultar em fraturas, trauma e prolongamento da internação, além de impacto na qualidade de vida do paciente.

Como implementar?

  • Avaliações de risco de quedas na admissão e periodicamente.
  • Adaptação do ambiente (iluminação, piso antiderrapante).
  • Uso de dispositivos de segurança quando necessário.
  • Orientação e acompanhamento do paciente e familiares.
MetaObjetivo PrincipalAções-chavesResultado Esperado
Identificação CorretaGarantir que o paciente seja identificado corretamenteUso de duas identificações, pulseiras, confirmação verbalRedução de erros na administração de tratamentos e procedimentos
ComunicaçãoMelhorar a transferência de informaçõesProtocolos de comunicação, listas de verificaçãoContinuidade segura do cuidado
Procedimentos e ImagemAssegurar a realização correta de exames e procedimentosConfirmação de identidade, checklistsPrevenção de procedimentos na pessoa errada
Uso de MedicamentosAdministrar medicamentos com segurançaLista de alergias, sistema eletrônico, protocolos de administraçãoDiminuição de erros medicamentosos
Controle de InfecçõesPrevenir infecções hospitalaresHigiene das mãos, EPIs, controle de ambientesRedução das infecções relacionadas à assistência
Prevenção de QuedasEvitar quedas e lesõesAvaliação de risco, adequação do ambienteMenor incidência de quedas

Essa tabela ilustra como as metas interagem entre si, formando uma estratégia integrada para garantir a segurança do paciente.

Como as Instituições Podem Implementar as Metas de Forma Eficaz?

A implementação bem-sucedida das seis metas exige um compromisso institucional e uma cultura de segurança. Algumas estratégias incluem:

  • Treinamentos contínuos para toda equipe de saúde.
  • Auditorias internas para verificar o cumprimento das práticas.
  • Políticas institucionais alinhadas às metas de segurança.
  • Engajamento dos pacientes e familiares na sua própria segurança.
  • Utilização de tecnologia para facilitar o controle e monitoramento dos processos.

Segundo o estudo publicado na Revista Brasileira de Saúde Hospitalar, "a cultura de segurança é a base para a redução de erros e eventos adversos, sendo necessária uma abordagem multidisciplinar e contínua" (Rev Bras Saúde Hosp, 2021).

Perguntas Frequentes

1. Quais são os benefícios da adoção das Seis Metas de Segurança do Paciente?

A adoção dessas metas contribui para a redução de eventos adversos, melhora a qualidade do atendimento, aumenta a satisfação do paciente e diminui custos relacionados a complicações.

2. Como posso envolver a equipe na implementação dessas metas?

Promovendo treinamentos frequentes, reuniões de feedback, reconhecimento de boas práticas e incentivando uma cultura de segurança participativa.

3. É necessário investir em tecnologia para cumprir todas as metas?

Embora a tecnologia facilite muitos processos, o aspecto mais importante é a adesão aos protocolos e a conscientização de toda equipe. Recursos tecnológicos, como sistemas eletrônicos de prescrição, potencializam a segurança, mas não substituem boas práticas.

4. Como monitorar se as metas estão sendo cumpridas?

Através de auditorias, indicadores de qualidade, monitoramento de eventos adversos e pesquisa de satisfação do paciente.

Conclusão

A garantia da segurança do paciente é um compromisso de todos os profissionais de saúde e das instituições que atendem às demandas do cuidado em saúde. As Seis Metas de Segurança do Paciente representam uma estratégia concreta para reduzir riscos, evitar erros e promover atendimento de excelência.

Ao integrar essas metas às rotinas diárias e promover uma cultura de segurança, podemos transformar o ambiente hospitalar em um espaço mais seguro, humano e eficiente. Afinal, como disse o renomado Dr. Atul Gawande, "Segurança não é apenas uma meta, é uma cultura que precisa ser cultivada continuamente".

Invista na segurança do paciente. O resultado é uma assistência mais humana e de maior qualidade.

Referências

  • Conselho Federal de Medicina. Segurança do Paciente: Diretrizes e Normas. 2022.
  • Ministério da Saúde. Seis Metas de Segurança do Paciente. Brasil, 2013.
  • Institute of Medicine. To Err is Human: Building a Safer Health System. 1999.
  • Rev Bras Saúde Hospitalar. Cultura de Segurança na Saúde: Uma Necessidade Real. 2021.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Guia de Controle de Infecção Relacionada à Assistência à Saúde. 2020.
  • Hospitals Safety & Quality; site da Organização Mundial da Saúde sobre segurança do paciente.
  • Agência Nacional de Vigilância Sanitária; informações e normativas relacionadas à segurança na assistência à saúde.