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Revisão Integrativa: O Que É e Como Fazer de Forma Eficaz

Artigos

A pesquisa científica é uma ferramenta fundamental para o avanço do conhecimento em diversas áreas do saber. Entre os diversos tipos de revisão de literatura, a Revisão Integrativa destaca-se por sua capacidade de sintetizar e integrar evidências provenientes de diferentes estudos, proporcionando uma compreensão ampla e aprofundada de um tema específico. Este artigo tem como objetivo explicar o que é a revisão integrativa, detalhar como realizá-la de forma eficaz e fornecer dicas práticas para pesquisadores, estudantes e profissionais interessados nesse método de pesquisa.

O Que é uma Revisão Integrativa?

Definição de Revisão Integrativa

A revisão integrativa é um método de investigar, analisar e sintetizar resultados de estudos empíricos e teóricos sobre um determinado tema. Segundo Biderman et al. (2012), ela permite "uma compreensão geral do objeto de estudo, integrando múltiplas evidências, métodos e perspectivas".

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Características Principais

  • Amplidão: inclui estudos quantitativos, qualitativos e teóricos.
  • Objetivo: gerar uma compreensão global do tema, identificando lacunas, tendências e questões relevantes.
  • Abordagem: de síntese integrativa, consolidando conhecimentos heterogêneos.

Diferenças entre Revisão Sistemática e Revisão Integrativa

CritériosRevisão SistemáticaRevisão Integrativa
PropósitoAvaliar eficácia ou efetividadeAmpliar compreensão geral do tema
Tipo de estudos incluídosGeralmente estudos quantitativosQualitativos, quantitativos e teóricos
Estrutura e profundidadeMais rígida e estruturadaFlexível, mais abrangente
Resultado esperadoRecomendações baseadas em evidênciasSíntese integrativa do conhecimento

Como Fazer uma Revisão Integrativa de Forma Eficaz

1. Definição do Tema e da Questão de Pesquisa

Antes de iniciar a revisão, é fundamental delimitar claramente o tema de interesse e formular uma questão de pesquisa específica. Essa etapa orienta todo o processo, garantindo foco e objetivos bem definidos.

2. Planejamento e Protocolização

Planejamento implica estabelecer critérios de inclusão e exclusão, definir fontes de pesquisa e determinar os procedimentos metodológicos. A elaboração de um protocolo de pesquisa, por exemplo, no formato do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses), aumenta a transparência e reprodutibilidade do estudo.

3. Busca Sistemática na Literatura

Utilize bases de dados relevantes, como Scielo, PubMed, Google Scholar, Web of Science, entre outras. A busca deve ser realizada com combinações estratégicas de palavras-chave e operadores booleanos para garantir abrangência.

4. Seleção dos Estudos

Com critérios claros estabelecidos, realize a triagem dos estudos inicialmente pelo título e resumo, seguidamente pela leitura completa dos textos selecionados. Consolide os estudos incluídos em uma tabela de elegibilidade para facilitar a análise.

5. Extração de Dados

Crie uma ficha de extração que contemple informações como autores, ano, tipo de estudo, objetivos, amostra, principais resultados e conclusões. Essa etapa é fundamental para organizar as evidências.

6. Avaliação da Qualidade dos Estudos

Utilize instrumentos específicos, como o Critical Appraisal Skills Programme (CASP) ou outros critérios adaptados, para avaliar a validade, confiabilidade e relevância das evidências.

7. Análise e Síntese dos Resultados

Aqui, ocorre a integração dos dados coletados, identificando tendências, contradições e lacunas no conhecimento. A análise pode envolver agrupamentos temáticos, cronológicos ou por método.

8. Redação do Relatório

Organize as informações de forma clara, seguindo uma estrutura lógica e coerente. Inclua seções de introdução, metodologia, resultados, discussão e conclusão.

Estrutura Recomendada para uma Revisão Integrativa

SeçãoConteúdo
IntroduçãoContextualização, justificativa e objetivo da revisão
MetodologiaCritérios de inclusão/exclusão, fontes, estratégias de busca, análise
ResultadosApresentação dos estudos selecionados e principais achados
DiscussãoInterpretação dos resultados, implicações e limitações
ConclusãoResumo das principais contribuições e recomendações
ReferênciasLista completa dos estudos e fontes utilizadas

Dicas Práticas para Uma Revisão Integrativa Eficaz

  • Defina critérios claros desde o início;
  • Faça uma busca abrangente e atualizada;
  • Documente todas as etapas do processo;
  • Utilize ferramentas de gerenciamento de referências, como Mendeley ou EndNote;
  • Seja crítico na avaliação dos estudos;
  • Mantenha o foco na questão de pesquisa, evitando desvios;
  • Revise e atualize a revisão periodicamente.

Tabela de Exemplos de Fontes de Pesquisa

FonteDescriçãoLink
SciELOBiblioteca eletrônica de periódicos científicos brasileiroshttps://www.scielo.org
PubMedBase de dados de artigos biomédicos e da saúdehttps://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/
Google ScholarBuscador de literatura acadêmicahttps://scholar.google.com.br

Citação Relevante

"A revisão integrativa é uma ponte que conecta diferentes fragmentos de conhecimento, oferecendo uma visão holística do tema estudado." – Silva (2015)

Perguntas Frequentes (FAQ)

1. Qual a diferença entre revisão integrativa e revisão sistemática?

A principal diferença está na abrangência e no objetivo. Enquanto a revisão sistemática busca responder a uma pergunta específica, geralmente sobre eficácia de intervenções, a revisão integrativa visa compreender um fenômeno de forma ampla, incluindo diferentes tipos de estudos e perspectivas.

2. Quanto tempo leva para realizar uma revisão integrativa?

O período varia de acordo com a complexidade do tema e a quantidade de estudos disponíveis. Em média, uma revisão integrativa pode levar de 3 a 6 meses, considerando todas as etapas.

3. É necessário ter experiência em metodologia de pesquisa para fazer uma revisão integrativa?

Embora não seja obrigatório, conhecimento em métodos científicos e análise de literatura facilita a condução do processo. Recomenda-se buscar capacitações específicas ou orientação de professores e pesquisadores experientes.

4. Como garantir a qualidade da revisão?

Seguindo passos metodológicos rigorosos, definindo critérios claros, realizando busca sistemática, avaliando criticamente os estudos e mantendo transparência em todas as etapas.

Conclusão

A revisão integrativa é uma ferramenta essencial para consolidar conhecimentos e orientar novas pesquisas. Sua realização requer planejamento e rigor metodológico, mas oferece insights valiosos que podem impactar áreas acadêmicas, profissionais e científicas. Como Rui Barbosa afirmou, “A leitura de um bom livro é uma viagem de descobertas”, e na pesquisa, a revisão integrativa é o mapa que guia essas descobertas.

Se você deseja aprofundar seu conhecimento, explore os recursos disponíveis em plataformas reconhecidas, como Scielo e PubMed, e esteja atento ao rigor científico na sua jornada de pesquisa.

Referências

  • Biderman, C., Moares, N. A., Bruns, D. T., & Pontes, A. (2012). Métodos de Revisão Integrativa: uma revisão de literatura. Revista Brasileira de Enfermagem, 65(4), 683-689.
  • Silva, M. A. (2015). Revisão integrativa na enfermagem: um método de pesquisa. Revista de Enfermagem UFSC, 1(1), 1-10.
  • Tricco, A. C., et al. (2018). PRISMA Extension for Scoping Reviews (PRISMA-ScR): Checklist and Explanation. Annals of Internal Medicine, 169(7), 467-473.

Este artigo foi elaborado para oferecer uma compreensão completa e prática sobre revisão integrativa, contribuindo para o avanço acadêmico e científico no Brasil.