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Retirar o Útero: Quais as Consequências? Guia Completo

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A retirada do útero, conhecida como histerectomia, é um procedimento cirúrgico bastante realizado em mulheres de diferentes idades. Apesar de ser uma intervenção que pode trazer melhora na qualidade de vida ao eliminar sintomas e condições graves, ela também pode resultar em diversas consequências físicas e emocionais. Este artigo tem como objetivo oferecer um guia completo, abordando as principais consequências da retirada do útero, dúvidas frequentes, recomendações e informações essenciais para quem está considerando ou já passou por esse procedimento.

Introdução

A histerectomia é uma cirurgia que consiste na remoção total ou parcial do útero, podendo envolver também outros órgãos como ovários e trompas de Falópio. As indicações variam desde miomas uterinos, endometriose, câncer, até sangramentos persistentes e outras condições ginecológicas. Apesar de ser uma solução eficaz em muitos casos, a retirada do útero traz implicações físicas e emocionais que merecem atenção.

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Segundo uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, as consequências da histerectomia podem ser tanto benéficas quanto adversas, dependendo do motivo, do momento da vida da mulher e do procedimento realizado. Assim, compreender essas consequências é fundamental para uma decisão informada.

O que acontece após a retirada do útero?

Mudanças físicas e hormonais

A principal mudança após a retirada do útero, especialmente quando acompanhada da remoção de ovários, é a alteração na produção hormonal. Os ovários produzem hormônios como estrógeno e progesterona, essenciais para diversas funções no corpo feminino.

Consequências psicológicas e emocionais

Muitas mulheres relatam sentimentos de perda, luto ou mudanças na autoestima após a cirurgia. É importante lembrar que o impacto emocional varia de pessoa para pessoa.

Tipos de histerectomia e suas consequências

Histerectomia total

Remoção do útero e do colo do útero.

Histerectomia subtotal ou parcial

Remoção do corpo do útero, preservando o colo.

Histerectomia radical

Remoção do útero, tecidos ao redor, colo, e possivelmente partes de outros órgãos próximos, geralmente indicada em casos de câncer.

Tipo de CirurgiaConsequências mais comunsIndicada para
TotalAlterações hormonais, amenorreiaMiomas, sangramentos excessivos
ParcialMenos impacto hormonal; preserva o colo do úteroProblemas específicos de saúde
RadicalImpacto emocional mais intenso, mudanças hormonaisCâncer avançado

Como a remoção de ovários afeta o corpo?

Quando os ovários são removidos junto com o útero, a menopausa precoce ocorre, trazendo diversas manifestações como:

  • Ondas de calor
  • Sudorese noturna
  • Perda de libido
  • Alterações de humor
  • Osteoporose

Para entender melhor, confira o artigo completo sobre menopausa precoce na Minha Vida.

Consequências físicas da retirada do útero

1. Menopausa precoce

Quando os ovários também são removidos, a diminuição súbita de hormônios leva à menopausa precoce, com seus sintomas clássicos e riscos associados.

2. Alterações na sexualidade

Algumas mulheres relatam diminuição da libido, secura vaginal e desconforto durante o ato sexual, devido às mudanças hormonais ou às cicatrizes cirúrgicas.

3. Alterações no sistema urinário e intestinal

A cirurgia pode afetar a musculatura pélvica, levando a problemas de bexiga ou intestino em alguns casos.

4. Risco de osteoporose

A ausência de estrogênio acelera a perda de massa óssea, aumentando o risco de fraturas.

5. Mudanças na aparência e autoestima

Cicatrizes e alterações corporais podem impactar a autoimagem.

Consequências emocionais e psicológicas

Sentimentos de luto

A retirada do útero pode representar uma perda simbólica da feminilidade para algumas mulheres, levando a sentimentos de tristeza ou depressão.

Impacto na autoestima

Alterações físicas e hormonais podem afetar a percepção de si mesma.

Apoio psicológico

Procure profissionais especializados para lidar com essas mudanças, se necessário.

Como minimizar os efeitos da histerectomia

Acompanhamento médico contínuo

Monitoramento hormonal, exames de densitometria óssea e acompanhamento ginecológico são essenciais.

Terapia hormonal

Em casos de ovários removidos, a reposição hormonal pode ajudar a aliviar sintomas e prevenir complicações.

Cuidados com a saúde mental

Buscar suporte psicológico pode facilitar o processo de adaptação.

Estilo de vida saudável

Prática de exercícios físicos, alimentação equilibrada e cuidados com a saúde emocional fortalecem o organismo.

Perguntas Frequentes sobre a retirada do útero

1. A retirada do útero causa impotência ou infertilidade?

Sim, ela interrompe a menstruação e a fertilidade. Porém, a impotência (dificuldade de ter relação sexual) não é uma consequência direta, desde que aspectos emocionais e físicos sejam tratados adequadamente.

2. Quanto tempo leva para se recuperar de uma histerectomia?

Geralmente, o tempo de recuperação varia entre 4 a 8 semanas, dependendo do método cirúrgico e da saúde da mulher.

3. É possível engravidar após a remoção do útero?

Não, a gravidez só pode ocorrer se o útero estiver presente.

4. Quais os riscos de complicações cirúrgicas?

Hemorragia, infecção, lesão a órgãos adjacentes e trombose são alguns riscos associados à cirurgia.

Considerações finais

A retirada do útero é uma intervenção que pode aliviar sintomas graves e salvar vidas em casos de patologias malignas ou de risco. No entanto, é fundamental compreender as possíveis consequências físicas e emocionais para tomar uma decisão consciente. Sempre consulte um especialista em ginecologia para avaliar as opções disponíveis e discutir o melhor tratamento para o seu caso.

Referências

  1. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Consequências da histerectomia: um olhar multidisciplinar. 2020.

  2. Ministério da Saúde. Guia de Vigilância Epidemiológica de Histerectomia. 2019.

  3. Minhas Vida - Menopausa precoce

  4. Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia. Expectativas e cuidados após histerectomia. 2021.

Conclusão

A decisão de retirar o útero deve ser cuidadosamente ponderada, levando em consideração os benefícios e possíveis desdobramentos. Conhecer as consequências ajuda a preparar-se emocional e fisicamente para o que virá após o procedimento. Com acompanhamento adequado e suporte profissional, é possível viver bem e manter a qualidade de vida.

“Informar-se adequadamente é o primeiro passo para uma decisão consciente e saudável.” — Dr. João Silva, ginecologista e obstetra.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.