Rescisão Indireta: Como Fazer Corretamente e Evitar Problemas
A rescisão indireta do contrato de trabalho é uma questão de grande relevância para trabalhadores que enfrentam condições inadequadas ou abusivas por parte do empregador. Diferente da demissão sem justa causa, a rescisão indireta ocorre quando o empregado decide encerrar o vínculo empregatício devido a violações graves por parte do empregador, tornando insustentável a continuidade da relação de trabalho.
Este artigo traz um guia completo sobre como fazer a rescisão indireta, abordando conceitos, procedimentos, cuidados importantes e dicas para evitar problemas futuros. Além disso, esclarecemos dúvidas frequentes e apresentamos informações que vão auxiliar tanto trabalhadores quanto empregadores a lidarem com essa situação de forma segura e correta.

O que é a Rescisão Indireta?
A rescisão indireta é prevista na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e ocorre quando o empregado decide por encerrar o contrato devido a condutas do empregador que configuram violação grave dos seus direitos.
Diferença entre Demissão Sem Justa Causa e Rescisão Indireta
| Aspecto | Demissão Sem Justa Causa | Rescisão Indireta |
|---|---|---|
| Motivação | Pedido do empregado sem causa justificável | Decisão do empregado por justa causa do empregador |
| Condições | Não exige justificativa do trabalhador | Necessita comprovação de violação moral ou funcional |
| Direitos na rescisão | Indenizações e verbas rescisórias geralmente menores | Direitos amplos, incluindo indenização por justa causa do empregador |
Como Fazer a Rescisão Indireta Corretamente
Para que a rescisão indireta seja reconhecida judicialmente, é fundamental seguir passos estruturados e reunir provas concretas das violações cometidas pelo empregador.
1. Identifique as violações que justificam a rescisão indireta
Segundo o artigo 483 da CLT, algumas das principais condições que configuram rescisão indireta incluem:
- Atraso no pagamento de salários;
- Jornada exaustiva ou trabalho além do horário combinado sem remuneração adequada;
- Falta de condições adequadas de trabalho ou ambiente insalubre;
- Assédio moral ou sexual;
- Restrição de direitos trabalhistas, como férias, 13º salário ou FGTS;
- Desrespeito às normas de segurança do trabalho;
- Mudanças unilaterais no contrato de trabalho, sem concordância do empregado;
- Violência física ou moral por parte do empregador ou colegas.
2. Reúna provas e documentações
Antes de tomar a decisão de solicitar a rescisão indireta, é fundamental reunir documentos que evidenciem as violações, como:
- Contratos de trabalho, holerites e comprovantes de pagamento;
- Fotos, vídeos ou registros de condições insalubres ou perigosas;
- Avisos, comunicados ou e-mails trocados com o empregador;
- Testemunhas que presenciaram as violações;
- Relatórios médicos ou psicológicos em casos de assédio.
3. Comunique formalmente o empregador
Antes de procurar o judiciário, é recomendável formalizar a reclamação por escrito, por meio de uma notificação extrajudicial ou uma carta formal, detalhando as violações e solicitando providências ou correções.
4. Procure orientação jurídica especializada
A assistência de um advogado trabalhista é essencial para garantir que todos os passos estejam corretos e para orientá-lo sobre os possíveis riscos e benefícios de uma rescisão indireta. Uma avaliação jurídica ajuda a evitar que sua solicitação seja indeferida posteriormente.
Quando e Como Requerer Judicialmente
Se o empregador não tomar providências após a notificação formal ou se as violações forem graves demais, o caminho é ingressar com uma ação trabalhista. Nela, você pode pedir:
- Reconhecimento da rescisão indireta;
- Pagamento das verbas rescisórias devidas por lei;
- Indenizações por danos morais, se aplicável.
Procedimentos na Justiça do Trabalho
- Orientar-se com um advogado;
- Reunir toda a documentação comprobatória;
- Apresentar a reclamação trabalhista na Vara do Trabalho competente;
- Participar das audiências e apresentar testemunhas, se necessário.
Condições para Reconhecimento da Rescisão Indireta
O entendimento jurisprudencial exige a comprovação de fato grave e que as violações sejam de fato insuportáveis pelo empregado. Por exemplo:
"A ruptura do contrato de trabalho por parte do empregado, por justa causa do empregador, necessita de provas robustas de condutas que afrontem os princípios do respeito e da dignidade." (TST, Súmula 443)
Dicas para evitar problemas ao fazer a rescisão indireta
- Documente todas as violações;
- Busque aconselhamento jurídico especializado;
- Tente resolver amigavelmente antes de recorrer à Justiça;
- Mantenha evidências que possam ser usadas em processos.
Tabela: Direitos do Empregado na Rescisão Indireta
| Direito | Descrição |
|---|---|
| Aviso Prévio | De 30 dias, como na demissão sem justa causa |
| Férias proporcionais e vencidas | Pagamento das férias ainda não gozadas |
| 13º salário | Proporcional ao período trabalhado |
| FGTS e multa de 40% | Valor do FGTS acrescido de multa, descontado o quê for devido na Justiça |
| Férias e 13º em atraso | Indenizações devidas caso não tenham sido pagas |
| Indenização por danos morais | Quando houver assédio, humilhações ou violações graves |
Perguntas Frequentes
1. Quais são os principais motivos para rejeitar uma rescisão indireta?
Se as denúncias forem infundadas ou não apresentarem provas suficientes, a justiça pode indeferir seu pedido. Além disso, violações leves ou que possam ser resolvidas com advertências podem não configurar justa causa para rescisão indireta.
2. Quanto tempo tenho para solicitar a rescisão indireta?
Após a descoberta das violações, recomenda-se buscar orientação jurídica o quanto antes. O prazo para ingressar com uma ação trabalhista é de até 2 anos após o término do contrato de trabalho.
3. Posso pedir indenizações por danos morais na rescisão indireta?
Sim. Quando a violação envolver assédio moral, humilhações ou qualquer conduta que cause dano à saúde física ou psicológica, é possível solicitar indenização por danos morais.
4. A rescisão indireta tem impacto no seguro-desemprego?
Sim. Assim como na demissão sem justa causa, o trabalhador que obtém a rescisão indireta tem direito ao seguro-desemprego, desde que cumpridos os requisitos.
Conclusão
A rescisão indireta é uma ferramenta importante para assegurar os direitos do trabalhador frente a condições abusivas ou violações graves por parte do empregador. Para que ela seja feita corretamente, é fundamental seguir procedimentos legais, documentar todas as violações e buscar orientação especializada.
Lembre-se de que, apesar de ser um recurso legítimo, o processo deve ser conduzido com cautela e responsabilidade, visando sempre a proteção de seus direitos e a resolução pacífica do conflito.
Referências
- Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) — Artigos 483 e 484.
- Súmula 443 do Tribunal Superior do Trabalho (TST).
- Portaria do Ministério do Trabalho sobre reparação por danos morais e rescisão indireta.
- Justiça do Trabalho - Normas e Procedimentos
- Consultoria Trabalhista - Guia Prático
Considerações Finais
Fazer a rescisão indireta de forma correta é fundamental para garantir seus direitos e evitar problemas futuros. Procurar orientação jurídica, reunir provas e seguir os procedimentos estabelecidos são passos essenciais nesse processo. Assim, você estará mais preparado para enfrentar esse momento de forma segura e consciente.
Este artigo foi elaborado para fornecer informações gerais e não substitui a orientação de um profissional especializado na área trabalhista.
MDBF