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Requisitos Funcionais e Não Funcionais: Guia Completo para Desenvolvimento de Software

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No processo de desenvolvimento de software, a definição clara e precisa dos requisitos é essencial para o sucesso do projeto. Eles representam as necessidades e expectativas do cliente ou usuário final, guiando toda a equipe de desenvolvimento na criação de uma solução eficaz e alinhada ao propósito desejado. Entre os principais conceitos que norteiam essa definição estão os requisitos funcionais e os não funcionais. Conhecê-los e compreendê-los profundamente é fundamental para evitar retrabalhos, garantir a qualidade do produto final e satisfazer as expectativas do cliente.

Este artigo apresenta um guia completo sobre requisitos funcionais e não funcionais, abordando suas diferenças, exemplos, importância, processos de elicitação e documentação, além de dicas para uma gestão eficiente desses requisitos durante o ciclo de vida do projeto.

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O que são requisitos funcionais e não funcionais?

Os requisitos devem ser bem definidos para garantir uma comunicação clara entre os stakeholders e a equipe de desenvolvimento. A seguir, explicamos cada um desses tipos de requisitos.

Requisitos Funcionais

São requisitos que descrevem as funcionalidades específicas do sistema, ou seja, o que o software deve fazer, suas operações, comportamentos e respostas às ações do usuário. Em outras palavras, eles definem as tarefas que o sistema deve realizar.

Exemplo:
- O sistema deve permitir que o usuário faça login usando seu endereço de e-mail e senha.
- O sistema deve gerar relatórios mensais automaticamente.
- O cliente deve ser capaz de fazer uma compra no carrinho virtual.

Requisitos Não Funcionais

São requisitos que descrevem as características de qualidade, desempenho, usabilidade, confiabilidade, segurança, entre outros aspectos do sistema. Eles não indicam funcionalidades específicas, mas sim atributos que o sistema deve possuir.

Exemplo:
- O sistema deve responder às solicitações em até 2 segundos.
- A interface deve ser acessível em dispositivos móveis.
- Os dados devem ser criptografados conforme padrão ISO 27001.

Diferenças principais entre requisitos funcionais e não funcionais

AspectoRequisitos FuncionaisRequisitos Não Funcionais
ObjetivoO que o sistema fazComo o sistema faz
DescriçãoFuncionalidades e comportamentosQualidades, atributos e restrições
ExemplosProcessar pedidos, cadastrar usuárioSegurança, desempenho, usabilidade
FocoFuncionalidadeQualidade e atributos do sistema
MediçãoTestes de funcionalidadeTestes de desempenho, usabilidade, confiabilidade

Importância dos requisitos no desenvolvimento de software

A correta identificação e documentação dos requisitos funcionais e não funcionais são essenciais para:

  • Garantir que o produto final atenda às necessidades do cliente.
  • Reduzir retrabalhos e custos com mudanças durante o desenvolvimento.
  • Facilitar a comunicação entre equipes técnica e de negócio.
  • Melhorar a qualidade do sistema final.
  • Assegurar que o sistema seja confiável, seguro e eficiente.

Processos de elicitação e documentação de requisitos

Elicitação de requisitos

O processo de elicitação consiste em coletar informações relevantes junto aos stakeholders, analisando o contexto do negócio e entendendo as necessidades do usuário. Técnicas comuns incluem entrevistas, workshops, análise de documentos, observação direta e prototipagem.

Documentação de requisitos

Após a elicitação, os requisitos devem ser documentados de forma clara, precisa e compreensível para toda a equipe. Ferramentas como casos de uso, histórias de usuário, diagramas e requisitos escritos auxiliam nesse processo.

Validação e gerenciamento contínuo

A validação garante que os requisitos estejam corretos, completos e alinhados ao objetivo do projeto. Além disso, é importante realizar o gerenciamento contínuo dos requisitos ao longo do ciclo de vida do projeto, ajustando-os conforme necessário.

Exemplos práticos de requisitos funcionais e não funcionais

Vamos ilustrar com uma tabela detalhada para facilitar a compreensão:

RequisitoTipoDescrição
Possibilidade de loginFuncionalUsuário deve poder acessar o sistema com credenciais válidas.
Cadastro de novo produtoFuncionalAdministrador pode adicionar produtos ao catálogo.
Versionamento de documentosFuncionalSistema deve permitir o controle de versões dos documentos.
Resposta do sistema em até 2 segundosNão FuncionalDesempenho
Alta disponibilidadeNão FuncionalSistema deve estar disponível 99,9% do tempo.
Compatibilidade móvelNão FuncionalInterface deve ser acessível por dispositivos móveis.

Ferramentas para gestão de requisitos

Existem diversas ferramentas que auxiliam na elicitação, documentação, rastreamento e gerenciamento de requisitos. Entre as mais conhecidas estão:

  • Jira: Plataforma popular para gerenciamento de projetos e rastreamento de requisitos.
  • Azure DevOps: Conjunto de ferramentas para planejamento e desenvolvimento ágil.
  • Confluence: Ferramenta de documentação colaborativa.

Para uma leitura aprofundada, recomendo consultar a Guia de requisitos do IEEE para boas práticas na elaboração de requisitos.

Dicas para uma boa gestão de requisitos

  • Engajamento de stakeholders: Envolver usuários finais, clientes e equipes técnicas para obter requisitos completos.
  • Priorizar requisitos: Classificar itens por importância e urgência para melhor gerenciamento.
  • Utilizar linguagem clara e precisa: Evitar ambiguidades na documentação.
  • Realizar validações periódicas: Garantir que os requisitos continuam alinhados com as necessidades do negócio.
  • Gerenciar mudanças: Estabelecer processos para controle de alterações nos requisitos.

"Requisitos bem definidos representam a espinha dorsal de qualquer projeto de sucesso." – Autor desconhecido

Perguntas frequentes (FAQs)

1. Qual a diferença entre requisitos funcionais e requisitos de negócio?

Requisitos de negócio descrevem as necessidades gerais da organização ou cliente, enquanto os requisitos funcionais detalham as funcionalidades específicas do sistema que suportam essas necessidades.

2. Como evitar ambiguidades na documentação de requisitos?

Utilizando uma linguagem clara, específica e evitando termos subjetivos. Também é recomendado validar os requisitos com stakeholders para garantir entendimento comum.

3. É possível que um requisito seja tanto funcional quanto não funcional?

Geralmente, os requisitos não funcionais complementam os funcionais, mas há casos onde aspectos de um requisito funcional também impactam atributos de qualidade, sendo importante documentar ambos os aspectos.

4. Qual a fase ideal para definir requisitos?

A fase de elicitação ocorre no início do projeto, durante o planejamento, mas a definição e refinamento continuam ao longo de todo o ciclo de desenvolvimento.

Conclusão

A compreensão e a correta gestão dos requisitos funcionais e não funcionais representam um passo fundamental para o sucesso de qualquer projeto de desenvolvimento de software. Ao identificar claramente o que o sistema deve fazer e como deve se comportar, as equipes conseguem criar soluções de alta qualidade, alinhadas às expectativas dos stakeholders. A aplicação de boas práticas de elicitação, documentação e validação contribui para evitar retrabalhos, reduzir custos e assegurar um produto final confiável e eficiente.

Lembre-se de que desenvolver um software não é apenas entregar uma funcionalidade, mas criar uma experiência completa e de qualidade para o usuário.

Referências

  1. Sommerville, I. (2016). Engenharia de Software. 10ª edição. Pearson Education.
  2. IEEE Standard 830-1998: Requisitos de Software - Guia para documentação de requisitos.
  3. .guia de requisitos do IEEE - Boas práticas na elaboração de requisitos de software.
  4. Princípios de gerenciamento de requisitos. (Link externo): https://www.impacta.edu.br/blog/gerenciamento-de-requisitos/

Se você busca desenvolver um software eficaz, entender profundamente a importância dos requisitos funcionais e não funcionais é o primeiro passo. Assim, poderá garantir que sua solução seja realmente útil, segura, confiável e alinhada às necessidades do seu negócio.