Remetidos os Autos para Órgão Jurisdicional Competente: Guia Completo
A tramitação processual no âmbito jurídico deve seguir rigorosamente os princípios da legalidade e da competência. Um dos momentos fundamentais nesse percurso é a remessa dos autos ao órgão jurisdicional competente para o processamento de recursos ou demais manifestações processuais. Essa etapa garante que a tramitação seja realizada dentro das normativas estabelecidas pelo ordenamento jurídico brasileiro, assegurando justiceiros os princípios do contraditório e da ampla defesa.
Neste guia completo, abordaremos em detalhes o procedimento de remessa dos autos, sua importância, os requisitos essenciais, além de esclarecer dúvidas frequentes. O objetivo é fornecer uma visão clara e atualizada, contribuindo para o entendimento do processo de remessa dos autos e sua implicação prática.

O que significa "Remetidos os Autos para Órgão Jurisdicional Competente"?
Definição
"Remetidos os autos para órgão jurisdicional competente" refere-se ao procedimento de envio oficial do processo ou recurso ao órgão que possui atribuição legal para julgar ou apreciar a matéria nele contida. Essa remessa ocorre após decisões, recursos ou determinados atos processuais que transferem a competência para instâncias inferiores, superiores ou diferentes segmentos do Poder Judiciário.
Importância do procedimento
Garantir que os autos cheguem ao órgão competente é fundamental para evitar nulidades processuais, atrasos na tramitação e prejuízo à parte interessada. Além disso, assegura a legalidade e legitimidade do processo.
Quando ocorre a remessa dos autos?
Fases processuais que envolvem a remessa
A remessa dos autos pode ocorrer em várias etapas do processo:
- Ao interpor recurso: encaminhamento do recurso ao órgão competente para julgamento.
- Após decisão interlocutória ou sentença: envio do processo à instância superior ou tribunal competente.
- Para juntada de documentos ou manifestações: transmissão para análise de setores específicos do tribunal ou órgão responsável.
Exemplos práticos
| Situação | Órgão destinatário |
|---|---|
| Recurso de apelação interposto | Tribunal de Justiça ou Tribunal Regional do Trabalho |
| Recurso especial ou recurso extraordinário | Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou Supremo Tribunal Federal (STF) |
| Apelação cível ou penal | Instância superior ou tribunal competente |
Como deve ocorrer a remessa dos autos?
Requisitos essenciais
Para que a remessa seja considerada válida, alguns requisitos devem ser observados:
- Formalidades legais: cumprimento das regras estabelecidas no Código de Processo Civil (CPC) e demais legislações pertinentes.
- Manifestação das partes: certificar que ambas as partes tenham conhecimento do procedimento de remessa.
- Descrição detalhada: anexar informações claras sobre o objeto da remessa e o motivo.
- Integralidade dos autos: remeter o processo completo, incluindo petições, decisões e provas.
Procedimento passo a passo
- Decisão de remessa: proferida pelo juiz ou órgão competente.
- Requerimento formal: por parte do advogado ou da parte interessada.
- Preparação dos autos: conferência, digitalização (se for o caso) e providências logísticas.
- Envio oficial: através de sistema eletrônico ou transporte físico, conforme o procedimento local.
- Comunicação às partes: garantia de ciência do procedimento.
Aspectos jurídicos relevantes
Normas aplicáveis
Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015)
Artigos que tratam da competência, recursos e remessa de autos.Lei de Organização Judiciária (Lei nº 13.595/2018)
Regulamenta a estrutura do Poder Judiciário e o fluxo processual.
Jurisprudência e doutrina
Segundo o jurista Caio Mário da Silva Pereira, "a remessa dos autos ao órgão competente é o procedimento que garante a efetividade e a constitucionalidade do processo"[^1].
Tabela: Tipos de remessa e suas características
| Tipo de remessa | Objetivo | Órgão destinatário | Forma de envio |
|---|---|---|---|
| Remessa de recurso | Submission do recurso ao tribunal competente | Tribunal de Justiça ou tribunais superiores | Sistema eletrônico / físico |
| Remessa de decisão interlocutória | Encaminhamento de decisão para apreciação | instância superior ou órgão colegiado | Sistema eletrônico |
| Remessa de autos para revisão | Revisão de sentença ou acórdão | Tribunal ou órgão de apelação | Físico ou digital |
As principais etapas do procedimento de remessa
1. Decisão de remessa
A produção de uma decisão formal é essencial. Geralmente, cabe ao juiz ou relator determinar a remessa, com base no que dispõe o código processual.
2. Requerimento de remessa
As partes ou advogados devem solicitar formalmente a remessa, seguindo as orientações internas do tribunal ou órgão.
3. Preparação e conferência
Conferir a integridade dos autos, garantir que todos os documentos estejam inclusos e prontos para envio.
4. Envio e comunicação
Realizar o envio através do procedimento oficial, seja digital (sistemas eletrônicos) ou físico, e comunicar às partes sobre o andamento do processo.
Dicas práticas para advogados e partes interessadas
- Sempre conferir se os autos estão completos antes do envio.
- Acompanhar o procedimento via sistemas online disponíveis nos tribunais.
- Utilizar os prazos processuais de forma rigorosa para evitar nulidades.
- Manter uma cópia de todos os documentos enviados ou recebidos.
Perguntas Frequentes
1. O que acontece se os autos forem remetidos ao órgão errado?
A remessa aos órgãos incorretos pode resultar na nulidade do ato, atrasando o processo. Nesse caso, o procedimento deve ser corrigido imediatamente, encaminhando os autos ao órgão competente.
2. Qual a diferença entre remessa de autos e intimação?
A remessa de autos refere-se ao envio formal do processo ao órgão jurisdicional competente, enquanto a intimação é a comunicação às partes ou aos advogados sobre atos processuais, como decisões ou prazos.
3. Quem pode requerer a remessa dos autos?
Normalmente, advogado ou parte interessada, mediante manifestação formal, sempre dentro dos prazos estabelecidos.
4. Quanto tempo leva para ocorrer a remessa dos autos?
Depende do órgão e do procedimento adotado, podendo variar de horas a semanas. Os tribunais têm prazos internos para garantir a celeridade processual.
5. É possível fazer a remessa de autos de forma eletrônica?
Sim, atualmente muitos tribunais utilizam sistemas eletrônicos como o Processo Judicial Eletrônico (PJe), e a remessa pode ser realizada digitalmente, otimizando o procedimento.
Conclusão
A remessa dos autos para o órgão jurisdicional competente é um passo crucial na tramitação dos processos judiciais. Garantir a correta remessa assegura a validade do procedimento, o respeito à competência e a efetividade da jurisdição. Advogados, partes e operadores do direito devem estar atentos às formalidades, prazos e procedimentos estabelecidos na legislação, sobretudo no Código de Processo Civil.
A compreensão desse procedimento contribui para uma atuação processual mais eficiente, evitam nulidades e promovem uma justiça mais célere e efetiva, alinhada às expectativas da sociedade.
Referências
- BRASIL. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).
- PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Processual. São Paulo: Saraiva, 2010.
- Tribunal de Justiça de São Paulo. Guia de Procedimentos Processuais. Disponível em: https://www.tjsp.jus.br.
- Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Manual de Processo Judicial Eletrônico. Disponível em: https://www.cnj.jus.br.
Notas:
[^1]: PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Processual. São Paulo: Saraiva, 2010.
MDBF