Remetido os Autos para Órgão Jurisdicional Competente para Prosseguir: Guia Jurídico
No âmbito do Direito Processual, a remessa dos autos para o órgão jurisdicional competente representa uma fase fundamental para garantir a adequada tramitação do processo e a efetividade da justiça. Essa etapa ocorre quando há necessidade de transferir um processo de uma instância, órgão ou jurisdição para outro, seja por questões de competência, jurisdição territorial ou por determinação legal. Compreender os detalhes desse procedimento é essencial para advogados, estudantes de Direito e demais profissionais do setor jurídico.
Este artigo busca esclarecer de forma detalhada o conceito, os procedimentos, os aspectos legais e as implicações de "remeter os autos para órgão jurisdicional competente para prosseguir", além de responder às dúvidas mais frequentes e fornecer um panorama completo sobre o tema.

O que significa "Remetido os Autos para Órgão Jurisdicional Competente para Prosseguir"?
Definição Conceitual
A expressão refere-se ao ato processual de encaminhar os autos de um processo judicial ou administrativo a um órgão competente para dar continuidade ao procedimento, seja por questão de competência, jurisdição, ou por determinação legal ou judicial.
"A adequada remessa dos autos é vital para assegurar que o processo seja julgado pelo órgão que possui jurisdição e competência para decidir a matéria." — Desembargador José Roberto Mendonça Coelho
Quando ocorre a remessa dos autos?
Essa etapa ocorre em diversas situações, como:
- Quando há mudança de jurisdição territorial.
- Quando o juízo de origem não possui competência para julgar determinado feito.
- Quando o processo é redistribuído por regra de distribuição automática.
- Em ações onde há necessidade de remessa por decisão judicial.
Como funciona o procedimento de remessa de autos?
Processo de remessa
O procedimento para remeter os autos pode variar dependendo do tipo de processo (cível, criminal, trabalhista, etc.), do tribunal ou da instância envolvida, mas geralmente envolve as seguintes etapas:
Decisão Judicial ou Legal: A transferência ocorre mediante decisão do juiz ou por determinação legal, como na citação de incidente de incompetência.
Preparo e diligências: Previamente, garantem-se as condições de transporte e responsabilidade pela integridade dos autos.
Remessa formal: Os autos físicos ou digitais são enviados ao órgão competente, acompanhados de petição ou guia de remessa.
Protocolamento: O órgão destinatário faz o recebimento formal, registra a entrada e dá andamento ao processo.
Modalidades de remessa
| Modalidade | Descrição | Exemplos |
|---|---|---|
| Remessa por via postal ou transporte oficial | Envio físico dos autos por correio ou transporte oficial | Processo civil clássico até a digitalização completa |
| Remessa digital | Transferência mediante sistema eletrônico | Processo eletrônico no TJSP, por exemplo |
| Remessa por determinação judicial | Ordem expressa do juiz | Incompetência fixada por decisão judicial |
Aspectos Legais da Remessa de Autos
Fundamentação legal
A remessa de autos é prevista em diversas normas, tais como:
- Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015): Em seus artigos dispõe sobre redistribuição e competência.
- Código de Processo Penal: Em casos de competência exclusiva de outro juízo ou tribunal.
- Normas específicas de órgão jurisdicional: Como tribunais superiores.
Requisitos essenciais
- Clareza na decisão de remessa: Deve estar fundamentada e motivada.
- Segurança na transmissão: Garantindo a integridade e a autenticidade dos autos.
- Observância do prazo legal: Para evitar nulidades processuais.
Transação de autos eletrônicos
Com a digitalização dos processos, a remessa passou a ser muitas vezes feita por meio de sistemas eletrônicos que asseguram agilidade e segurança na tramitação.
Implicações da Remessa de Autos
Para as partes
- Possibilidade de acompanhamento pelo novo órgão jurisdicional.
- Notificação sobre a remessa e prosseguimento processual.
Para os profissionais do direito
- Necessidade de atualização constante sobre competências jurisdicionais.
- Responsabilidade na correta remessa dos autos para evitar nulidades.
Considerações importantes
- Implicações de incompetência: Ao remeter os autos para órgão incompetente, o juiz pode incorrer em nulidade, devendo fazer a remessa correta.
- Devolução dos autos: Muitas vezes, o órgão destinatário deve devolver os autos ao juiz de origem, por exemplo, se detectar irregularidades.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Qual a diferença entre remessa de autos e redistribuição de processo?
Resposta: A remessa é o ato de transferir os autos de um órgão para outro dentro do mesmo processo, enquanto a redistribuição refere-se à designação de um processo para determinado juiz ou turma por critérios de competência.
2. Quando o juiz deve remeter os autos para outro órgão jurisdicional?
Resposta: Quando houver decisão de incompetência, necessidade de prosseguimento em juízo competente, ou por determinação legal, como na fase de apelação ou recursos.
3. A remessa de autos pode ser feita por via digital?
Resposta: Sim. Com a evolução da tecnologia, muitos tribunais utilizam sistemas eletrônicos de tramitação de processos, facilitando a remessa digital.
4. O que acontece se os autos forem enviados ao órgão incorreto?
Resposta: Pode haver nulidade processual. Nesses casos, o órgão para onde foram remetidos indevidamente deve devolver os autos ao órgão competente, e o processo pode precisar ser redistribuído.
5. É possível solicitar a devolução dos autos após remessa?
Resposta: Sim, mediante requerimento fundamentado, pode-se solicitar troca ou retorno dos autos em determinadas situações de irregularidade ou erro na remessa.
Tabela: Etapas do Processo de Remessa de Autos
| Etapa | Descrição | Responsável |
|---|---|---|
| Decisão de remessa | Fundamentada na decisão judicial ou necessidade legal | Juiz ou órgão responsável |
| Preparação dos autos | Organização, digitalização (se necessário), conferência de integridade | Equipe processual |
| Envio dos autos | Remessa formal ao órgão competente | Transportador, sistema eletrônico |
| Recebimento | Registro e conferência no órgão destinatário | Secretária, sistema eletrônico |
| Tramitação | Prosseguimento do processo na nova jurisdição | Juiz ou tribunal |
Conclusão
A remessa dos autos para órgão jurisdicional competente é uma etapa crucial que garante a regularidade e a eficácia do procedimento judicial. A correta compreensão de suas etapas, fundamentos legais e implicações evita nulidades e atrasos na tramitação processual, contribuindo para uma justiça célere e efetiva.
A dignidade do processo judicial depende, em grande medida, de procedimentos bem estabelecidos e observância rigorosa das normas processuais.
Referências
- BRASIL. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).
- BRASIL. Código de Processo Penal (Decreto-Lei nº 3.689/1941).
- MENDONÇA COELHO, José Roberto. Recursos e procedimento. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2019.
- Tribunal de Justiça de São Paulo. Guia de tramitação de processos eletrônicos. Disponível em: https://www.tjsp.jus.br
- Supremo Tribunal Federal. Normas e procedimentos. Disponível em: https://www STF.jus.br
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