Quem Tirou os Livros Apócrifos da Bíblia: Entenda a História
A Bíblia, considerada sagrada por bilhões de pessoas ao redor do mundo, possui uma história complexa de formação e canonização. Entre os temas que geram grande interesse e debate está a questão dos livros apócrifos — textos que não fazem parte do cânon oficial das Escrituras. Mas quem foi responsável por retirar esses livros? Este artigo aborda de forma detalhada a trajetória dos livros apócrifos na história bíblica, explicando os fatores históricos, teológicos e culturais que influenciaram essa decisão.
Introdução
Desde os primórdios do cristianismo, diversos textos foram escritos com temas religiosos e espirituais. Com o passar do tempo, a Igreja buscou estabelecer um cânon que representasse de forma fiel a fé e os ensinamentos cristãos. Nesse processo, alguns livros considerados apócrifos foram excluídos do canon oficial. Entender quem tirou esses textos e por quê é fundamental para compreender a história da Bíblia e suas traduções atuais.

O que são livros apócrifos?
Definição de livros apócrifos
Livros apócrifos são textos religiosos que, por motivos históricos, teológicos ou canonísticos, não foram incluídos na versão oficial da Bíblia. Esses textos geralmente apresentam diferenças na doutrina ou dificuldades de comprovação de autoria e datação.
Exemplos de livros apócrifos
Alguns dos livros mais conhecidos por serem considerados apócrifos ou deuterocanônicos — termo que muitas vezes gera confusão — incluem:
| Nome do Livro | Tipo de Texto | Consideração Canônica |
|---|---|---|
| Judite | Deuterocanônico | Incluído na Bíblia Católica |
| Sabedoria de Salomão | Deuterocanônico | Incluído na Bíblia Católica |
| 1 e 2 Macabeus | Deuterocanônicos | Incluído na Bíblia Católica |
| Evangelho de Tomé | Apócrifo | Não incluído na Bíblia Protestante |
| Evangelho de Maria | Apócrifo | Não incluído na Bíblia Protestante |
(Para mais informações, consulte História dos Textos Bíblicos.)
Como surgiu o canon bíblico?
Formação do cânon no antigo Israel
O processo de canonização do Antigo Testamento teve início na comunidade judaica, ao longo de vários séculos, consolidando livros considerados inspirados por Deus. A lista definitiva foi estabelecida por volta do século II a.C., com o reconhecimento de textos como os Profetas e os Escritos.
A formação do Novo Testamento
Já o Novo Testamento foi formado no século I d.C., através do reconhecimento de diferentes escritos—evangelhos, cartas, atos e o apocalipse—por parte das comunidades cristãs. Contudo, essa formação não foi imediata e os critérios de aceitação variaram ao longo do tempo.
Quem decidiu pelo canon oficial?
A canonização do Novo Testamento foi um processo complexo que envolveu lideranças e instituições religiosas ao longo dos séculos. Destaca-se a influência do Concílio de Cartago (397 d.C.), que consolidou oficialmente o cânon cristão. A decisão final foi influenciada por fatores históricos, teológicos e sociais.
Quem conseguiu remover os livros apócrifos da Bíblia?
Influência dos líderes religiosos e concílios
A retirada e a canonização de textos foram resultado de debates teológicos acirrados ao longo dos séculos. Os locais e momentos específicos que marcaram essas decisões incluem:
- Concilho de Roma (382 d.C.): oficializou a listagem de livros do Novo Testamento adotada posteriormente.
- Concílio de Niceia (325 d.C.): debate sobre textos doutrinários e canonísticos.
- Concílio de Cartago (397 d.C.): confirmou a lista dos livros canônicos atualmente aceitos na Igreja Católica, incluindo os deuterocanônicos.
A influência das tradições cristãs
Com o passar do tempo, diferentes tradições cristãs adotaram seus próprios cânones, o que influencia a inclusão ou exclusão de certos textos. Enquanto a Igreja Católica mantém os livros deuterocanônicos, as igrejas protestantes tendem a excluí-los, considerando os livros apócrifos como não inspirados.
Quem tirou os livros apócrifos?
Os responsáveis por excluir oficialmente os livros apócrifos foram os concílios e líderes religiosos que estabeleceram os critérios de canonização. No entanto, a decisão não foi de nenhum indivíduo único, mas de uma complexa articulação de fatores históricos e teológicos. Como afirmou o teólogo Hans Küng:
“A canonização da Bíblia é uma história de consenso e controvérsia, onde muitos textos foram deixados de fora, não por acaso, mas por decisões conscientes de líderes religiosos ao longo dos séculos.”
Por que os livros apócrifos foram excluídos?
Motivos históricos e doutrinários
Existem diversas razões para a exclusão dos livros apócrifos:
- Questionamentos sobre autoria e datação: muitos textos não possuem autenticidade comprovada.
- Diferenças doutrinárias: alguns livros apresentam ensinamentos conflitantes com os aceita pela tradição oficial.
- Critérios de inspiração: apenas os textos considerados inspirados por Deus foram incluídos no cânon.
Impacto na doutrina e na fé
A exclusão dos livros apócrifos teve influência direta na formação da doutrina cristã e na compreensão dos ensinamentos bíblicos. Por exemplo, textos como o Evangelho de Tomé apresentam perspectivas diferentes das oficiais, o que levou à sua não inclusão.
Quem foi responsável por essa decisão?
Seja qual for o período histórico, os responsáveis pela retirada dos livros apócrifos foram os líderes religiosos, teólogos e concílios que estabeleceram os limites do que seria considerado inspirado por Deus. Alguns nomes relevantes incluem:
- Cirilo de Alexandria
- Jerônimo de Stridônio (que traduziu a Bíblia para o latim, a Vulgata)
- Concílios ecumênicos
O papel do Concílio de Trento (1545-1563)
Este concílio foi fundamental para a reafirmação do cânon católico, incluindo os livros deuterocanônicos. A decisão de oficializar esses livros foi uma resposta às reformas protestantes, que questionaram sua inclusão.
O papel de diferentes tradições cristãs
| Tradição Cristã | Livros incluídos | Razões para inclusão/exclusão |
|---|---|---|
| Igreja Católica | Canon completo (incluindo deuterocanônicos) | Reconhece os livros deuterocanônicos como inspirados |
| Protestantismo | Sem livros deuterocanônicos | Considera-os apócrifos, não inspirados |
| Ortodoxia | Inclui alguns textos adicionais | Diferenças na tradição e história de canonização |
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Os livros apócrifos são considerados parte da Bíblia pelos protestantes?
Não. Os protestantes geralmente consideram os livros apócrifos como livros de valor histórico ou religioso, mas não os reconhecem como inspirados ou parte do cânon bíblico oficial.
2. Os livros apócrifos estão presentes na Bíblia Católica?
Sim. Muitos livros considerados apócrifos na tradição protestante fazem parte do cânon da Bíblia Católica, sendo chamados de deuterocanônicos.
3. Por que algumas versões da Bíblia incluem ou excluem certos livros?
A inclusão ou exclusão depende da tradição religiosa e do processo de canonização adotado por essa comunidade específica. Cada tradição tem critérios distintos para a canonização.
4. Os livros apócrifos têm alguma importância teológica?
Sim, eles oferecem insights históricos, culturais e religiosos da época. No entanto, sua aceitação como inspirado é variável entre as tradições cristãs.
Conclusão
Quem tirou os livros apócrifos da Bíblia foi o resultado de um longo processo de debates, concílios e tradições teológicas. Líderes religiosos, estudiosos e instituições desempenharam papéis centrais na definição do cânon bíblico que conhecemos hoje. Apesar da sua exclusão de certos textos, os livros apócrifos ainda permanecem como importantes fontes de estudo histórico e teológico, ajudando a compreender melhor a origem e evolução das tradições cristãs.
Referências
- Bíblia Sagrada — Edição Almeida Revista e Atualizada.
- Schafer, C. (2011). A Formação do Cânon Bíblico. Editora Vozes.
- Küng, H. (2008). A Bíblia — Uma Introdução Comentada. Paulus.
- História dos Textos Bíblicos
- Canon Bíblico e Traduções
Este artigo foi elaborado para proporcionar uma compreensão ampla e aprofundada sobre quem removeu os livros apócrifos da Bíblia, contextualizando sua importância na história religiosa e acadêmica.
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