MDBF Logo MDBF

Quem Tirou os 7 Livros da Bíblia: Esclareça a História

Artigos

A Bíblia é considerada por muitos como o livro sagrado que guia vidas e espiritualidade desde séculos atrás. No entanto, ao longo da história, houve mudanças na composição de seus textos, especialmente na canonização do Antigo Testamento. Um dos aspectos mais discutidos por estudiosos e fiéis é a exclusão de sete livros que, por diversas razões, não fazem parte da Bíblia Hebraica ou da maioria das versões protestantes. Conhecidos como os "livros apócrifos" ou "deuterocanônicos", estes textos têm uma história complexa que merece ser esclarecida.

Neste artigo, vamos explorar quem tirou os 7 livros da Bíblia, entender o contexto histórico, analisar as diferenças entre as versões e responder às perguntas mais frequentes sobre esse tema. Nosso objetivo é proporcionar uma visão clara e objetiva, elucidando os processos históricos e teológicos que influenciaram a formação do cânon bíblico.

quem-tirou-os-7-livros-da-biblia

O que são os 7 livros excluídos?

Antes de compreender quem os removeu, é importante entender quais são esses sete livros:

LivroNome em PortuguêsNotas
TobitTobiasLivro de sabedoria e oração
JuditeJuditeNarrativa de coragem feminina
SabedoriaSabedoriaInspirado na filosofia e sabedoria judaica
Eclesiástico (Sirácida)Sirácida (Sabedoria de Jesus, filho de Sirácida)Texto de sabedoria, semelhante ao Provérbios
BaruqueBaruqueProfético, companheiro de Jeremias
1 Macabeus1 MacabeusHistória do período de lutas judaicas contra os selêucidas
2 Macabeus2 MacabeusNarrativa de heroísmo e espiritualidade na resistência aos invasores

A questão da importância

Esses livros apresentam conteúdo religioso, histórico e filosófico que muitas denominações cristãs consideram inspirado, enquanto outras não os reconhecem como parte do cânon oficial. Assim, a pergunta central é: quem foi responsável por excluir esses livros do cânon bíblico?

Quem tirou os 7 livros da Bíblia?

O papel da Igreja Católica e das Igrejas Protestantes

A resposta depende do contexto histórico e da tradição religiosa. Podemos dividir essa resposta em dois momentos principais:

A Bíblia na Igreja Católica

A Igreja Católica Romana reconhece os livros deuterocanônicos (como Tobit, Judite, Sabedoria, Eclesiástico, Baruque, 1 e 2 Macabeus) como partes legítimas do cânon bíblico. Essa inclusão foi consolidada no Concílio de Trento (1545–1563), em resposta às reformas protestantes. Portanto, na tradição católica, esses livros sempre fizeram parte da Bíblia, embora em versões específicas, como a Vulgata, traduzidos por São Jerônimo.

A Bíblia na tradição protestante

Durante a Reforma Protestante, no século XVI, os reformadores questionaram a autoridade de certos livros considerados impróprios para a formação do cânon. Lideranças como Martinho Lutero, João Calvino e outros preferiram seguir os textos presentes na Bíblia Hebraica, que não incluíam os livros considerados apócrifos pela tradição judaica.

Quem excluiu os livros?
  • Martinho Lutero — Ao revisar a Bíblia, traduziu o Antigo Testamento com base na Bíblia Hebraica, que não contém os livros deuterocanônicos.
  • João Calvino — Concordou com a Bíblia Hebraica para o Antigo Testamento, excluindo esses livros de sua tradução e Bíblia padrão.

Processo de exclusão

A canonização do cânon foi um processo gradual, influenciado por critérios teológicos, históricos e linguísticos. A oficialização do desaparecimento dos 7 livros do conjunto francês e alemão ocorreu na Reforma Protestante, que buscou alinhar as Escrituras às tradições judaicas, que não consideram esses textos canônicos.

Para ilustrar, veja a tabela a seguir:

MomentoAutoridade ou EventoAção
Século I a.C. - Século I d.C.Comunidade judaicaCanonização do Tanakh (Torá, Profetas, Escritos)
Século IV - V d.C.Igreja CatólicaInclusão dos livros deuterocanônicos na Bíblia Latina (Vulgata)
Século XVIReforma ProtestanteExclusão dos livros deuterocanônicos do cânon protestante

O impacto da tradução na exclusão

A tradução da Bíblia desempenhou papel fundamental na definição do cânon. São Jerônimo, no século IV, traduziu a Bíblia para o latim, incluindo esses livros, refletindo a tradição católica. Entretanto, durante a Reforma, as versões protestantes passaram a seguir o cânon hebraico, que não inclui os livros apócrifos.

Citação relevante

“A Bíblia é a autoridade suprema para a fé cristã, mas sua formação foi um processo de reflexão, debate e consenso ao longo de séculos.” — Harold W. Hoehner

Quem realmente "tirou" os livros?

Na verdade, não foi uma única pessoa ou grupo que simplesmente "tirou" os livros da Bíblia, mas sim um processo histórico complexo que envolveu debates teológicos, critérios de autoria e origem, assim como influências culturais.

Influências religiosas e culturais

  • Juízes judaicos consideraram alguns textos apócrifos como inspirações secundárias ou extra-cânon.
  • As comunidades cristãs primitivas utilizaram diferentes coleções de textos, levando a discussões sobre sua autoridade.
  • As decisões do Concílio de Trento consolidaram a inclusão oficial na Igreja Católica.
  • A Reforma Protestante impulsionou a retirada dos livros deuterocanônicos do cânon protestante.

Conclusão

Quem "tirou" os 7 livros da Bíblia foi, na verdade, um conjunto de decisões históricas influenciadas por contextos culturais, teológicos e linguísticos. Não foi uma ação unilateral, mas o resultado de processos de entendimento sobre quais textos seriam considerados autoritativos para a fé cristã.

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Os livros apócrifos são considerados parte da Bíblia?

Depende da tradição religiosa. Na Igreja Católica, sim, fazem parte do cânon deuterocanônico. Na maioria das denominações protestantes e judaicas, não.

2. Por que os protestantes excluíram esses livros?

Porque seguiram o cânon hebraico tradicional, que não inclui os livros considerados deuterocanônicos, baseando-se em critérios históricos e linguísticos.

3. Esses livros são inspirados por Deus?

Para a Igreja Católica, sim. Para muitas denominações protestantes, esses livros não foram considerados inspirados oficialmente.

4. Onde posso ler esses livros hoje?

Estes livros estão disponíveis em versões específicas da Bíblia Católica, como na Vulgata e em edições como a Bíblia de Jerusalém. Também podem ser encontrados em sites de textos antigos e traduções católicas.

5. Como a Bíblia foi traduzida ao longo do tempo?

A maioria das versões modernas da Bíblia se baseia na tradução de textos originais em hebraico, aramaico e grego, levando em consideração diferentes cânones históricos.

Conclusão

A história da formação do cânon bíblico revela uma trajetória marcada por debates, convicções teológicas e influências culturais. Os sete livros que não fazem parte do cânon protestante tenham sido excluídos, na maior parte das vezes, devido às decisões tomadas por líderes religiosos que focaram na tradição judaica ou buscaram uma maior uniformidade naquilo que seria considerado inspirado e autoritativo.

Entender quem tirou esses livros da Bíblia é compreender os processos históricos e teológicos que moldaram a maior coletânea de textos religiosos do mundo. Assim, a questão não é apenas quem tirou, mas como e por que esses livros foram considerados de diferentes formas ao longo do tempo.

Referências

Se desejar aprofundar-se mais sobre o tema, recomendamos consultar fontes confiáveis e estudos acadêmicos que detalham a história da canonização bíblica e as diferenças entre as tradições religiosas.