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Quem Pode Tomar a Vacina da Dengue: Diretrizes e Recomendações

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A dengue é uma das doenças transmissíveis mais preocupantes no Brasil e em vários países tropicais e subtropicais. Ela provoca sintomas que variam de leves a graves, podendo evoluir para complicações sérias, inclusive a febre hemorrágica e o síndrome do choque da dengue. Nesse cenário, a vacinação surge como uma importante estratégia de controle e prevenção.

A vacina contra a dengue foi desenvolvida para reduzir a incidência da doença e suas complicações, mas nem todos podem ou devem tomar a vacina. Entender quem pode receber a vacina, as recomendações específicas e as precauções é fundamental para garantir a efetividade da imunização e a segurança dos indivíduos.

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Este artigo fornece uma análise detalhada sobre as diretrizes de vacinação contra a dengue no Brasil, abordando quem pode e quem não deve tomar a vacina, considerando aspectos clínicos, epidemiológicos e regulatórios.

O que é a vacina contra a dengue?

A vacina contra a dengue, comercialmente conhecida como Dengvaxia, é uma vacina tetravalente que protege contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. Ela é indicada para pessoas com idade entre 9 e 45 anos, que já tiveram contato prévio com o vírus, devido à maior eficácia e segurança nesta faixa etária.

A imunização visa reduzir casos graves, hospitalizações e óbitos relacionados à dengue, especialmente em áreas endêmicas.

Quem pode tomar a vacina da dengue?

Diretrizes Gerais

As principais recomendações do Ministério da Saúde e da Anvisa indicam que a vacinação contra a dengue é recomendada para:

  • Indivíduos com idade entre quatro (4) e 45 anos.
  • Pessoas que já tiveram exposição prévia ao vírus da dengue, confirmada por exames sorológicos ou por histórico clínico compatível com a doença.

Critérios específicos de elegibilidade

A seguir, uma tabela resumida com os critérios de elegibilidade e contraindicações:

CritérioPode Tomar a Vacina?Observações
Idade entre 4 e 45 anosSimVacina recomendada nesta faixa etária.
Histórico de dengue prévioSimNecessário comprovar exposição anterior; imunização pode aumentar a proteção.
Sem história de dengueNãoPessoas sem confirmação de infecção prévia devem evitar a vacina devido ao risco de efeitos adversos.
Crianças abaixo de 9 anosNãoAinda não há recomendação para menores de 9 anos.
Maiores de 45 anosGeralmente não indicadoAinda que alguns estudos tenham investigado vacinas para idades superiores, a recomendação oficial é até 45 anos.
Gestantes e lactantesNão recomendadoRecomenda-se evitar a vacina durante a gravidez, devido à falta de estudos conclusivos de segurança.
Pessoas com doenças crônicasAvaliação médicaIndivíduos com condições como imunossupressão, câncer ou doenças autoimunes devem consultar um médico antes de se vacinar.
Pessoas com alergia ao componenteNão indicadoPessoas com alergia conhecida à composição da vacina devem evitar a imunização.

Aspecto importante: confirmação de infecção anterior

Antes de administrar a vacina, recomenda-se a realização de testes sorológicos para confirmar o contato prévio com o vírus da dengue. Isso evita o risco de desenvolver casos graves, um efeito conhecido como "síndrome da imunidade parcialmente protegida".

Recomendações adicionais para a vacinação

Perfil epidemiológico

  • A vacinação na população é estrategicamente recomendada em regiões com alta circulação do vírus.
  • O Programa Nacional de Imunizações prioriza áreas endêmicas para maximizar o impacto da vacinação.

Quando evitar a vacina?

  • Durante episódios de febre ou qualquer sintoma infeccioso agudo.
  • Em períodos de surtos de dengue, quando a pessoa pode estar em fase inicial de infecção, mesmo que assintomática.

Considerações importantes

  • A vacina não substitui as ações de controle do mosquito Aedes aegypti, responsável pela transmissão.
  • Devem ser mantidas medidas de proteção individual, como uso de repelentes, roupas adequadas e eliminação de criadouros.

Perguntas Frequentes

1. A vacina da dengue é eficaz para todas as faixas de idade?

Resposta: A vacina é indicada para pessoas de 4 a 45 anos, apresentando maior eficácia nesta faixa etária que já tiveram contato prévio com o vírus da dengue.

2. Posso tomar a vacina mesmo sem saber se tive dengue antes?

Resposta: Não é recomendado tomar a vacina sem confirmação de exposição prévia ao vírus, pois o risco de efeitos adversos aumenta, inclusive o desenvolvimento de formas graves da doença.

3. Como saber se já tive dengue?

Resposta: O diagnóstico pode ser confirmado por exames sorológicos específicos, que identificam anticorpos contra o vírus da dengue.

4. Quais são os efeitos colaterais mais comuns da vacina?

Resposta: Dor no local da aplicação, fadiga, febre leve, dor de cabeça e sintomas semelhantes aos de uma gripe podem ocorrer, geralmente de maneira leve e transitória.

5. Pessoas com alergia a componentes da vacina podem ser imunizadas?

Resposta: Pessoas com alergia conhecida a algum componente da vacina devem evitar a imunização ou consultar um especialista.

Conclusão

A vacinação contra a dengue é uma ferramenta valiosa na estratégia de controle da doença, especialmente em regiões endêmicas. No entanto, sua administração deve seguir critérios específicos para garantir segurança e eficácia. Pessoas entre 4 e 45 anos com história confirmada de dengue podem se beneficiar da vacina, enquanto indivíduos sem exposição prévia ou com condições específicas devem procurar orientação médica antes da imunização.

A compreensão adequada dessas diretrizes é essencial para que a vacina possa cumprir seu papel na redução do impacto da dengue na saúde pública brasileira.

Referências

  1. Ministério da Saúde. Vacina contra a Dengue. https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-z/d/dengue/vacinacao

  2. Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dengvaxia: orientação de uso e recomendações. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/assuntos/medicamentos/medicamentos-para-uso-humano/medicamentos-vetores/dengvaxia

  3. World Health Organization. Dengue vaccine: WHO position paper. 2018. https://www.who.int/publications/i/item/who-wer-2018.93.

"A saúde pública depende da conscientização e do compromisso de cada indivíduo em seguir as recomendações de vacinação e prevenção."