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Quem Pode Impetrar Mandado de Segurança Coletivo: Guia Completo

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O mandado de segurança é uma ferramenta jurídica fundamental para proteger direitos líquidos e certos frente a ilegalidades ou abusos de poder por parte de autoridades públicas ou agentes de pessoa jurídica no exercício de suas funções. Quando o tema envolve direitos de grupos, categorias ou segmentos sociais, surge a possibilidade do mandado de segurança coletivo.

Este artigo tem como objetivo esclarecer quem pode impetrar mandado de segurança coletivo, abordando suas modalidades, requisitos, procedimentos e outras informações essenciais. Com uma análise detalhada, orientaremos advogados, entidades, membros da sociedade civil e demais interessados sobre essa importante tutela jurisdicional.

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O que é o Mandado de Segurança Coletivo?

O mandado de segurança coletivo é uma modalidade de ação constitucional prevista na Constituição Federal Brasileira, destinada à proteção de direitos de grupos específicos, como categorias profissionais, associações, sindicatos ou comunidades.

Segundo a Constituição Federal de 1988, o artigo 5º, inciso LXX, estabelece que "conceder-se-á mandado de segurança coletivo para proteger direito líquido e certo, não previdenciário, de grupo, de entidade sindical ou de associação, tendo em vista o interesse coletivo ou o de suas categorias."**

De forma prática, o mandado de segurança coletivo visa tutelar direitos de uma coletividade frente a atos de autoridade que os violem, seja por ilegalidade ou abuso de poder.

Quem Pode Impetrar Mandado de Segurança Coletivo?

A regra geral é que podem impetrar mandado de segurança coletivo:

Pessoas Jurídicas:

  • Associações e entidades de caráter civil, além de fundações de direito privado, com finalidades específicas relativas ao grupo que reivindica o direito.

Sindicatos:

  • Sindicatos de trabalhadores ou de empregadores, quando o direito atacado estiver relacionado às categorias profissionais ou econômicas representadas.

Entidades de Classe:

  • Entidades de classe, como conselhos profissionais e organizações representativas, desde que devidamente registradas e com fins específicos.

Outras Organizações:

  • Organizações da sociedade civil que atendam aos requisitos legais, especialmente aquelas que representam interesses comuns de um grupo.

Requisitos para a Impetração do Mandado de Segurança Coletivo

Para que uma entidade ou pessoa jurídica possa impetrar um mandado de segurança coletivo, alguns requisitos devem ser atendidos:

RequisitoDescrição
Legitimidade ativaSer entidade que represente uma categoria ou grupo interessado no direito violado; ou pessoa que atenda aos requisitos legais de representação coletiva.
Direito líquido e certoO direito alegado deve ser evidente, de clareza indiscutível, e a violação ou ameaça dele deve ser constatada de forma objetiva.
Interesse coletivoA ação deve visar a proteção de interesse de um grupo ou categoria, não exclusivamente o interesse individual do impetrante.
Representação adequadaA entidade deve atuar de forma legítima, demonstrando sua representatividade do grupo afetado.

A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF) reforça que a legitimidade para impetrar o mandado de segurança coletivo não é restrita a apenas entidades de classe, podendo incluir outras organizações representativas com função semelhante.

Procedimento para Impetrar o Mandado de Segurança Coletivo

  1. Admissão do instrumento processual: O grupo ou entidade deve elaborar petição inicial, contendo os fatos, fundamentos jurídicos e pedidos claros.

  2. Documentação comprobatória: É essencial anexar documentos que demonstrem a legitimidade, a representação e o direito alegado.

  3. Citação da autoridade coatora: Uma vez impetrado o mandado, a autoridade responsável deverá ser citada para apresentar defesa, no prazo legal.

  4. Análise pelo Judiciário: O juízo analisará a admissibilidade e, posteriormente, o mérito do pedido.

  5. Decisão e eventual tutela liminar: Pode-se solicitar tutela provisória de urgência para suspender o ato ou obrigação ilegal imediatamente.

Para mais detalhes sobre o procedimento, consulte o site do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Exemplos de Direitos Protegidos por Mandado de Segurança Coletivo

  • Direitos ambientais de uma comunidade.
  • Condições de trabalho de uma categoria específica.
  • Acesso a serviços públicos essenciais para determinado grupo social.
  • Regulação de atividades profissionais.
  • Direitos de consumidores representados por associações.

Diferença entre Mandado de Segurança Individual e Coletivo

AspectoMandado de Segurança IndividualMandado de Segurança Coletivo
DestinatárioPessoa física com direito individual ameaçado ou violadoGrupo, categoria ou entidade representativa
LegitimidadePessoa ou organização que sofre a violaçãoEntidades com fins específicos de representação coletiva
ObjetoDireito individual líquido e certoDireito coletivo ou de interesse de grupo

Lei de Regência e Jurisprudência

A principal legislação que regula o mandado de segurança coletivo é a Lei nº 12.016/2009, que dispõe sobre o procedimento deste tipo de ação. Além disso, há diversas decisões do STF que consolidam a legitimidade e os critérios de impetração.

Citação importante:
"A legitimidade para a impetração do mandado de segurança de caráter coletivo é atribuída às entidades que representam interesses de categorias ou grupos, devendo sua atuação estar respaldada em finalidades institucionais e estatutárias." (STF, RE 658.158).

Perguntas Frequentes

1. Quem pode entrar com um mandado de segurança coletivo?

Podem impetrar o mandado de segurança coletivo associações, sindicatos, entidades de classe, organizações civis com fins sociais e outras organizações que tenham legitimidade para representar os interesses do grupo afetado.

2. O que significa direito líquido e certo?

Refere-se a um direito claramente definido, conhecido de forma inequívoca, sem necessidade de produção de provas complexas em primeira instância.

3. Quais os benefícios do mandado de segurança coletivo?

Ele permite que grupos inteiros tenham seus direitos protegidos de maneira rápida e efetiva, promovendo justiça social e proteção a interesses coletivos.

Conclusão

O mandado de segurança coletivo é uma ferramenta valiosa na defesa de direitos de grupos e categorias, fortalecendo o Estado de Direito e garantindo a proteção de interesses sociais. Sua legitimidade para impetrá-lo está firmemente respaldada na Constituição Federal e na legislação infraconstitucional.

Entidades, associações e sindicatos desempenham papel fundamental na tutela coletiva de direitos, atuando como representantes legítimos perante o Poder Judiciário. Como enfatiza o jurista José Afonso da Silva, "a cidadania encontra na ação coletiva uma de suas formas mais expressivas de participação e defesa de direitos."

Se você faz parte de uma entidade ou representa um grupo social, compreender o processo e os requisitos para impetrar um mandado de segurança coletivo é essencial para exercer seus direitos de forma efetiva.

Referências

  • BRASIL. Constituição Federal de 1988.
  • BRASIL. Lei nº 12.016/2009.
  • STF. Recurso Extraordinário 658.158.
  • SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional. Revista dos Tribunais, 2017.
  • Tribunal de Justiça de São Paulo. Guia de Direito Processual. https://www.tjsp.jus.br/

Este guia serve como uma referência completa para entender quem pode impetrar mandado de segurança coletivo, seus requisitos, procedimentos e suas particularidades, promovendo maior entendimento e acesso à Justiça.