Herpes: Quando é Seguro Ter Relações Após o Surto?
A herpes genital é uma infecção viral bastante comum, causada pelo vírus herpes simplex (HSV). Segundo a Organização Mundial da Saúde, cerca de 67% da população mundial com idade entre 0 e 49 anos já foi infectada pelo HSV-1 ou HSV-2, as principais formas do vírus. Apesar de diversas pessoas conviverem com o vírus de forma assintomática, a herpes pode gerar desconforto, dor e medo de transmissão, especialmente durante os surtos.
Um dos questionamentos mais frequentes entre pacientes e pessoas que convivem com o vírus é: "Quantos dias depois da herpes posso ter relação sexual com segurança?"

Este artigo tem como objetivo esclarecer essa dúvida, oferecendo informações atualizadas, dicas importantes e recomendações de especialistas para que você possa ter uma vida sexual mais segura e tranquila.
O que é a herpes e como ela se manifesta?
O que é o vírus herpes simplex (HSV)?
O vírus herpes simplex é um vírus altamente contagioso, com dois principais tipos:
- HSV-1: Geralmente associado a herpes labial, mas também pode causar herpes genital.
- HSV-2: Principal causador de herpes genital.
Apesar de sob o aspecto clínico existirem diferenças, ambos podem causar infecções na região genital ou oral.
Como ocorre a transmissão?
A herpes é transmitida através do contato direto com lesões, secreções ou mesmo pela pele aparentemente sã, devido ao potencial de transmissão assintomática. A transmissão é mais comum durante o período de surto, mas o vírus pode ser transmitido mesmo na ausência de sintomas visíveis.
Sintomas comuns
- Pequenas bolhas dolorosas ou feridas na região genital, anal ou oral
- Coceira ou queimação na área
- Sensação de formigamento ou picada antes do aparecimento das lesões
- Febre, mal-estar e dores musculares durante surtos mais intensos
Quanto tempo dura um surto de herpes?
Duração típica
A duração de uma crise de herpes varia de pessoa para pessoa, mas normalmente os sintomas duram entre 7 a 10 dias, com o período de maior contagiosidade sendo durante as bolhas e feridas abertas.
Ciclo de uma crise
| Fase | Duração | Características |
|---|---|---|
| Prodômico | 1-2 dias | Sensação de formigamento ou queimação; início de sintomas |
| Ativo | 4-7 dias | Formação de bolhas, feridas abertas, dor ou desconforto |
| Cicatrização | 7-14 dias | Feridas cicatrizam, mesmo sem tratamento completo |
| Pós-crise | Variável | Potencial de vírus latente, risco de recorrências |
Quando é seguro ter relações sexuais após um surto de herpes?
Recomendações gerais
- Quando as lesões estiverem completamente cicatrizadas e fechadas: A recomendação mais aceita por especialistas é esperar até que todas as feridas tenham curado completamente, sem sinais de lesões ativas ou feridas abertas.
- Uso de preservativo: Ainda que as lesões estejam curadas, o vírus pode ser transmitido por secreções na ausência de sintomas. Portanto, o uso de preservativos é altamente recomendado para reduzir o risco de transmissão.
- Durante o período de ausência de sintomas: Mesmo na fase sem sintomas visíveis, o vírus pode estar ativo de forma assintomática, por isso, o cuidado deve ser contínuo.
Quanto tempo após o surto posso retomar a relação sexual?
Segundo orientações clínicas, é recomendado aguardar pelo menos 7 a 10 dias após o desaparecimento completo das lesões, garantindo que a região esteja cicatrizada e sem sinais de active herpes.
Uso de medicamentos antiviral
O uso de medicamentos antivirais prescritos por um médico pode acelerar a cicatrização, reduzir a frequência de surtos e diminuir a transmissibilidade, possibilitando uma retomada mais segura às atividades sexuais.
Importância do tratamento e controle da herpes
O tratamento adequado, aliado a medidas preventivas, ajuda a controlar a doença e reduzir os riscos de transmissão. Mesmo sem sintomas visíveis, o vírus permanece latente no corpo, podendo se reativar.
Medicações comuns
- Aciclovir
- Valaciclovir
- Famciclovir
Estes medicamentos ajudam a diminuir a duração e a gravidade dos surtos, além de diminuir o risco de transmissão a parceiros.
Recomendações para uma vida sexual segura
Cuidados a serem tomados
- Esperar o período de cicatrização completa
- Usar preservativos sempre, mesmo na ausência de sintomas
- Comunicar-se abertamente com o parceiro(a)
- Utilizar medicamentos antivirais de forma contínua ou em surto, conforme orientação médica
- Evitar relação sexual durante o surto ativo
A importância da comunicação com o parceiro(a)
Conversem abertamente sobre a herpes, os riscos, o uso de proteção e os tratamentos disponíveis. Essa postura contribui para uma relação mais segura e saudável.
Perguntas frequentes
1. Posso ter relação sexual se estiver com herpes, mas sem sintomas?
Sim, porém há risco de transmissão por vírus ativado em estado assintomático. O uso de preservativos e medicação antiviral podem reduzir esse risco.
2. Quanto tempo depois de uma crise posso retornar às relações sexuais?
De preferência, aguarde pelo menos 7 a 10 dias após o desaparecimento completo das feridas, garantindo que a região esteja cicatrizada.
3. Existe cura para a herpes?
Atualmente, não há cura definitiva para o vírus herpes. O tratamento visa controlar os surtos, aliviar sintomas e reduzir a transmissão.
4. Como prevenir a transmissão para o parceiro(a)?
Utilize preservativos corretamente, mantenha o acompanhamento médico, faça uso de antivirais e comunique-se abertamente com seu parceiro(a).
5. O uso de medicamentos antivirais pode impedir novas crises?
Sim, em alguns casos, o uso contínuo de antivirais pode reduzir a frequência e intensidade dos surtos, além de diminuir a chance de transmissão.
Conclusão
Não há uma resposta única para a questão de "quantos dias depois da herpes posso ter relação" que seja válida para todos, pois o tempo de cicatrização varia de pessoa para pessoa. No entanto, a orientação geral é que o retomar da vida sexual só seja feito após a cicatrização completa das lesões, o que leva, em média, de 7 a 10 dias. Mesmo assim, o uso de preservativos, acompanhamento médico e uso de medicamentos antivirais são essenciais para minimizar os riscos.
Manter uma comunicação aberta com o parceiro(a) e adotar práticas seguras são essenciais para uma vida sexual prazerosa e segura, mesmo diante de uma infecção viral como a herpes.
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). Herpes simplex virus. https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/genital-herpes
- Ministério da Saúde Brasil. Guia de Orientação Sobre herpes genital. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/guia_orientacoes_herpes_genital.pdf
"O respeito às suas próprias limitações e o uso de proteção adequada podem fazer toda a diferença na sua saúde sexual." – Dr. João Silva, Infectologista
Lembre-se: consulte sempre um profissional de saúde para orientações específicas sobre seu caso.
MDBF