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Quanto um Pai Tem Que Pagar de Pensão: Guia Completo e Atualizado

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A pensão alimentícia é um tema que gera muitas dúvidas e discussões no Brasil. Saber quanto um pai deve pagar de pensão é essencial para garantir os direitos das crianças e adolescentes, além de evitar conflitos judiciais. Neste guia completo, abordaremos tudo o que você precisa saber sobre o valor da pensão, critérios utilizados, legislação vigente e dicas para lidar com essa obrigação de forma justa e consciente.

Introdução

A responsabilidade de prover sustento para os filhos não termina na fase de menoridade, sendo uma obrigação legal do genitor proporcional às suas condições financeiras. Contudo, determinar o valor adequado da pensão pode ser uma tarefa complexa, que envolve aspectos econômicos, sociais e jurídicos. Este artigo tem como objetivo esclarecer essas dúvidas, fornecendo informações atualizadas e práticas para pais, mães e interessados.

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O que diz a lei sobre pensão alimentícia?

A base legal brasileira para pensão alimentícia está no Código Civil (art. 1.695 a 1.710) e na Lei nº 13.058/2014 que altera o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Legislação vigente

De acordo com a legislação brasileira, a pensão deve cobrir as necessidades básicas do filho, como alimentação, vestuário, educação, saúde, lazer, entre outros.

"O dever de sustento dos filhos é obrigação dos pais, na proporção de seus recursos."
— Art. 1.695 do Código Civil

Critérios utilizados pelos tribunais

Ao determinar o valor da pensão, o Judiciário analisa:

  • Renda do alimentante (pai ou mãe);
  • Necessidades do alimentando (filho);
  • Padrão de vida a que a criança tinha antes da separação ou divisão de bens;
  • Possibilidade financeira de quem paga.

Como calcular o valor da pensão alimentícia

Apesar de não existir uma fórmula padrão, há critérios objetivos utilizados pelos juízes e partes envolvidas. A seguir, apresentamos uma metodologia geral para entender o cálculo.

Critérios básicos para o cálculo

CritérioDescriçãoExemplo
Renda do alimentanteValor do salário, rendimentos ou fontes de rendaR$ 5.000,00
Necessidades do alimentandoCustos necessários por mêsR$ 1.500,00 (incluindo escola, saúde, alimentação)
Percentual da rendaPercentual típico considerado pelo tribunal20% a 30% da renda líquida
Padrão de vidaNível de vida que a criança tinha antes da separaçãoCasa, carro, viagens, lazer, etc.

Exemplo de cálculo

Se o pai tem uma renda líquida de R$5.000, e o tribunal decide aplicar 25% dessa renda para a pensão:

R$ 5.000,00 x 25% = R$ 1.250,00

Assim, o valor da pensão pode ser estabelecido em aproximadamente R$ 1.250,00, ajustado conforme as necessidades específicas do filho e a possibilidade do pai.

Fatores que podem influenciar o valor da pensão

Capacidade financeira do pai ou mãe

A lei prioriza assegurar o sustento do filho, porém também reconhece a capacidade financeira do pagador. Situações de desemprego, redução de renda ou altas despesas podem influenciar a decisão judicial.

Número de filhos

Quando há mais de uma criança, o valor total da pensão deve ser dividido proporcionalmente às necessidades de cada uma.

Padrão de vida

Geralmente, o objetivo é manter o padrão de vida pré-separação, evitando prejuízos para a criança.

Despesas extraordinárias

Gastos com saúde, educação especial, passagens, cursos e outras despesas essenciais podem ser consideradas na definição do valor.

Tabela de valores de pensão de acordo com a renda

Faixa de Renda do Pai/MãePercentual aplicadoValor estimado para uma criança com renda de R$ 5.000,00Observações
Até R$ 2.000,0030%R$ 600,00Para necessidades básicas
De R$ 2.001,00 a R$ 4.000,0025%R$ 1.000,00Para manter padrão mínimo
Acima de R$ 4.001,0020%R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00Caso de maior capacidade financeira

Fonte: Adaptado de jurisprudência e recomendações do CNJ.

Como solicitar ou alterar a pensão alimentícia

Requerimento judicial

Para estabelecer ou modificar o valor, o responsável pela criança deve ingressar com uma ação de alimentos na Vara de Família. É importante apresentar provas de renda, despesas e necessidades.

Negociação extrajudicial

Em muitos casos, é possível realizar um acordo amigável através de mediação ou negociação direta, evitando litígios e custos adicionais.

Alteração do valor

Se houver alteração na renda ou nas necessidades do menor, é possível solicitar a revisão do valor da pensão, que pode ser diminuída ou aumentada de acordo com os novos aspectos.

perguntas frequentes (FAQ)

1. Quanto um pai deve pagar de pensão por um filho?

Não há um valor fixo. Normalmente, o valor é determinado com base na renda do pai e nas necessidades do filho, variando entre 20% a 30% da renda mensal líquida, conforme a jurisprudência.

2. Pode a pensão ser modificada posteriormente?

Sim. A pensão pode ser revisada caso haja mudança na condição financeira do alimentante ou nas necessidades do alimentando, mediante ação judicial.

3. O que acontece se o pai não pagar a pensão?

O não pagamento pode resultar em diversas penalidades, incluindo penhora de bens, inscrição em cadastros de inadimplentes e até prisão civil por dívida de alimento.

4. Como funciona a pensão para filhos maiores de idade?

A obrigatoriedade se mantém se o filho estiver cursando faculdade, tiver alguma deficiência ou condição que demande suporte financeiro, até que completem 24 anos ou atinjam condição de independência.

Conclusão

Determinar quanto um pai deve pagar de pensão alimentícia depende de uma avaliação equilibrada entre a capacidade financeira do pai ou mãe e as necessidades do filho. É fundamental agir de forma responsável, buscando o entendimento mutuo ou, se necessário, recorrer ao judiciário para assegurar os direitos do menor. A legislação brasileira oferece mecanismos para garantir que esse valor seja justo e compatível com a realidade de cada família.

Lembre-se: garantir o sustento adequado das crianças é uma obrigação legal e ética de ambos os genitores, essencial para promover o bem-estar e o desenvolvimento saudável dos filhos.

Referências

  • Código Civil Brasileiro, Arts. 1.695 a 1.710.
  • Lei nº 13.058/2014 – Altera o Estatuto da Criança e do Adolescente.
  • Tribunal de Justiça do Brasil. "Guia prático de pensão alimentícia". Disponível em: https://www.tjbr.jus.br/
  • Conselho Nacional de Justiça (CNJ). "Recomendações para fixação de pensões alimentícias". Disponível em: https://www.cnj.jus.br/

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