Quantas Vezes a Empresa Pode Recorrer em Processo Trabalhista: Direitos e Limites
No âmbito do direito trabalhista brasileiro, processos judiciais envolvendo empresas e empregados são comuns e, muitas vezes, complexos. Uma dúvida recorrente tanto para empregadores quanto para advogados é: quantas vezes uma empresa pode recorrer em um processo trabalhista?
Este questionamento está relacionado aos limites e possibilidades de recurso no sistema jurídico brasileiro, e entender esses aspectos é fundamental para garantir uma defesa eficaz, sem perder prazos ou direitos.

Neste artigo, exploraremos tudo o que você precisa saber sobre os recursos em processos trabalhistas, incluindo os tipos de recursos existentes, os limites de recursos, uma análise sobre o funcionamento do sistema, além de dicas importantes para empresas que desejam assegurar seus direitos.
O que é um recurso no processo trabalhista?
Antes de falar sobre a quantidade de recursos, é importante entender o que é um recurso no contexto do processo trabalhista.
Recurso é o instrumento utilizado pelos sujeitos processuais para solicitar a revisão de uma decisão tomada por uma instância anterior, buscando a alteração, modificação ou anulação dessa decisão.
No âmbito do direito do trabalho, os recursos têm o objetivo de garantir o amplo direito de defesa, permitindo às partes contestar decisões judiciais que acreditam injustas ou incorretas.
Os principais tipos de recursos no processo trabalhista
Understanding the types of resources available in labor proceedings helps clarify the limits and possibilities for companies.
| Tipo de Recurso | Finalidade | Prazo para Interposição | Instância de Destino |
|---|---|---|---|
| Recurso Ordinário | Para questionar decisões da Vara do Trabalho | Em até 8 dias após a publicação | Tribunal Regional do Trabalho (TRT) |
| Recurso de Revista | Revisão de decisões de TRT que contrariem a legislação ou súmula do TST | Em até 8 dias após a publicação | Tribunal Superior do Trabalho (TST) |
| Recurso de Embargos | Para sanar omissão, obscuridade ou contradição em decisões do TST | Em até 5 dias após a publicação | TST |
| Agravo de Instrumento | Para impugnar decisões interlocutórias durante o processo | Em até 8 dias após a publicação | Tribunal ao qual o proceso estiver submetido |
| Recurso de Revista e de Embargos (TST) | Revisão de multas e outras decisões específicas | Varia, conforme o caso | TST |
Quantas vezes a empresa pode recorrer em um processo trabalhista?
Limites de recursos no processo trabalhista
No sistema jurídico brasileiro, não há um limite fixo que determine quantas vezes uma parte pode recorrer de uma decisão. No entanto, há regras e limitações que regulam o uso de recursos, especialmente para evitar recursos meramente protelatórios.
Segundo o artigo 1.015 do Código de Processo Civil (aplicável subsidiariamente ao processo trabalhista), o recurso deve ser utilizado de forma racional e é cabível apenas contra decisões que causarem prejuízo às partes.
No âmbito do processo trabalhista, a quantidade de recursos que uma empresa pode interpor depende da complexidade do caso, dos recursos cabíveis em cada fase, e do entendimento do tribunal sobre eventual abuso de direito processual.
Limitações práticas e estratégias
Apesar de não haver um limite formal, a prática processual demonstra que a interposição excessiva de recursos pode ser considerada por juízes e tribunais como tentativa de protelar o andamento do processo.
Por isso, é fundamental que as empresas avaliem bem a estratégia de recurso, optando apenas pelos cabíveis e com fundamentos sólidos.
O papel do princípio da eventualidade
Outro ponto importante é o princípio da eventualidade, previsto no artigo 1.003 do Código de Processo Civil, que exige que todas as questões relevantes sejam debatidas na primeira oportunidade, sob pena de preclusão. Assim, a empresa deve estar atenta aos momentos certos para recorrer, para evitar perder o direito de questionar uma decisão posteriormente.
O funcionamento do sistema recursal no processo trabalhista
A fase de recurso
Após a sentença, a parte vencida pode interpor um recurso, sendo o recurso ordinário o mais comum na Justiça do Trabalho.
O recurso é julgado por uma instância superior — o Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
Se ainda assim permanecer insatisfeito, a parte pode recorrer ao Tribunal Superior do Trabalho (TST), que julga recursos de revista ou de embargos.
Exemplo de fluxo recursal
Considere a seguinte situação:
- A sentença de primeira instância é favorável ao empregado.
- A empresa, inconformada, interpela recurso ordinário ao TRT.
- O TRT mantém a sentença ou a modifica.
- Ainda insatisfeita, a empresa interpela recurso de revista ao TST.
- O TST analisa e decide se mantém a decisão ou a reformula.
Citação importante
“O direito de recorrer é fundamental para assegurar o amplo acesso à justiça, mas deve ser exercido de forma responsável, para evitar a litigância de má-fé e o abuso do direito processual.” — Tribunal Superior do Trabalho
Dicas para empresas que desejam recorrer de decisões trabalhistas
- Avalie a legalidade e o mérito do recurso antes de interpor, pois recursos meramente protelatórios podem gerar multas e prejudicar a imagem da empresa.
- Atente-se aos prazos, que são critérios essenciais para o sucesso do recurso. O prazo padrão na Justiça do Trabalho é de 8 dias, salvo exceções.
- Fundamente bem os recursos, citando jurisprudência, legislação vigente e precedentes relevantes.
- Consulte advogados especializados em direito do trabalho para garantir uma estratégia eficiente e evitar o desgaste processual.
- Utilize recursos somente nas hipóteses cabíveis, evitando a interposição de recursos sem fundamento, que podem ser considerados abuso de direito.
Perguntas Frequentes (FAQs)
1. Uma empresa pode recorrer quantas vezes de uma mesma decisão?
Não há um limite máximo formal, mas a prática processual e a jurisprudência recomendam evitar recursos excessivos ou protelatórios, sob pena de serem considerados abusivos.
2. Quais recursos a empresa pode utilizar em uma sentença trabalhista?
Os recursos mais comuns são o Recurso Ordinário, Recurso de Revista, Embargos e Agravo de Instrumento.
3. Quanto tempo a empresa tem para recorrer de uma decisão trabalhista?
Geralmente, o prazo é de 8 dias a partir da publicação da decisão, podendo variar conforme o caso.
4. É possível recorrer várias vezes ao TST?
Sim, mas cada recurso precisa cumprir requisitos específicos de admissibilidade e demonstração de violação à legislação ou súmulas do TST.
5. Como evitar recursos desnecessários ou protelatórios?
Ao consultar advogados especializados, fundamentar bem os recursos e agir com estratégia ajudam a otimizar o processo e evitar abusos.
Conclusão
Apesar de não existir um limite explícito para o número de recursos que uma empresa pode interpor em um processo trabalhista, o sistema busca equilibrar o direito de defesa com a celeridade processual, coibindo práticas abusivas.
Empresas que desejam recorrer de decisões trabalhistas devem atuar com responsabilidade, fundamentando bem seus recursos, respeitando prazos e avaliando cuidadosamente a necessidade de cada recurso.
Resumindo, a estratégia correta é fundamental para evitar atrasos, custos e riscos de penalidades processuais. Assim, o conhecimento jurídico aliado a uma boa assessoria especializada garante a proteção dos direitos empresariais e a efetividade do processo.
Referências
BRASIL. Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015). Disponível em: Planalto.gov.br
TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO. Guia prático de recursos na Justiça do Trabalho. Disponível em: tst.jus.br
DELGADO, Paulo. Manual de Processo do Trabalho. São Paulo: Atlas, 2020.
OLIVEIRA, José Afonso da Silva. Recursos Trabalhistas. Revista Brasileira de Direito, 2019.
Considerações finais
Entender os limites e possibilidades de recursos no processo trabalhista é essencial para que empresas atuem com segurança e estratégia na defesa de seus interesses. Conhecer os procedimentos, prazos e requisitos ajuda a evitar o desgaste e contribui para uma tramitação mais eficiente e justa no sistema jurídico brasileiro.
MDBF