MDBF Logo MDBF

Quantas Parcelas Posso Atrasar no Financiamento de Veículo: Dicas e Limites

Artigos

Adquirir um veículo por meio de financiamento é uma prática comum no Brasil, permitindo que muitas pessoas tenham acesso a um bem de alto valor sem desembolsar o montante total de uma só vez. No entanto, imprevistos financeiros podem acontecer e, por vezes, o pagamento das parcelas é atrasado, seja por dificuldades temporárias ou por esquecimentos.

Uma dúvida frequente entre os consumidores é: quantas parcelas posso atrasar no financiamento de veículo sem sofrer penalidades ou perder o bem? Neste artigo, abordaremos essa questão, explicando os limites, consequências, direitos do consumidor e estratégias para lidar com atrasos nos pagamentos.

quantas-parcelas-posso-atrasar-no-financiamento-de-veiculo

O que diz a lei sobre atrasos no financiamento de veículos?

O contrato de financiamento de veículo é regulado pelo Código de Defesa do Consumidor (CDC) e pelas instituições financeiras, que também têm suas próprias políticas internas. De modo geral, o atraso no pagamento gera encargos, como multas e juros, e pode levar a ações de cobrança e, em casos extremos, à perda do veículo por meio de leilão.

Prazo para atraso sem perda do bem

Não há uma regra fixa na legislação brasileira que determine um número exato de parcelas que podem ser atrasadas sem consequências graves. No entanto, a jurisprudência e as normas bancárias indicam que, após um atraso de aproximadamente 90 dias (ou três meses consecutivos de inadimplência), há maior risco de o credor considerar o contrato rescindido e iniciar procedimentos de retomada do veículo.

Rescisão e retomada do veículo

Segundo o artigo 51 do CDC, o consumidor tem direito a ser informado sobre a possibilidade de perder o bem na ocorrência de inadimplência, além de ter direito à ampla defesa. A instituição financeira geralmente só pode retomar o veículo após 90 dias de inadimplência contínua, mediante notificação formal e procedimento judicial ou extrajudicial.

Quais são as consequências de atrasar parcelas no financiamento de veículo?

Vamos explorar, a seguir, as principais consequências ocasionadas pelo atraso na quitação das parcelas.

1. Encargos financeiros adicionais

Ao atrasar uma parcela, o cliente passa a pagar:

  • Multa de 2% a 10% sobre o valor da parcela atrasada
  • Juros de mora, geralmente de 1% ao mês
  • Correção monetária, dependendo do contrato

2. Registro de inadimplência

O nome do devedor pode ser levado aos órgãos de proteção ao crédito, como SPC e SERASA, dificultando futuras compras a crédito.

3. Cobrança extrajudicial e judicial

A instituição financeira inicia ações de cobrança, podendo incluir telefonemas, notificações e protestos.

4. Perda do veículo

Após determinado tempo de inadimplência, geralmente a partir de 90 dias, o credor pode executar a garantia, ou seja, retomar o veículo por meio de ação de retomada ou leilão judicial.

ConsequênciaDetalhesTempo estimado
Multas e jurosAcrescidos ao valor devidoA partir de 30 dias
Registro em SPC/SERASAInadimplência registradaA partir de 30 dias
Comprometimento do créditoDificuldade para obter novos créditosApós inadimplência prolongada
Retomada do veículoGeralmente após 90 dias de inadimplênciaA partir de 90 dias

Como evitar perder o veículo por atraso nas parcelas?

1. Comunicação com a instituição financeira

Se estiver enfrentando dificuldades, entre em contato com o banco ou financeira para negociar possíveis prazos ou a suspensão de cobranças temporárias.

2. Refinanciamento ou renegociação

Algumas instituições oferecem programas de refinanciamento ou renegociação de dívidas, evitando a retomada do bem e impacto à sua pontuação de crédito.

3. Planejamento financeiro

Mantenha um planejamento financeiro rigoroso, com reserva de emergência, para evitar atrasos em parcelas de financiamento.

O que fazer se atrasar uma parcela?

Se ocorrer algum atraso, considere as seguintes ações:

  • Verifique o valor devido incluindo multas e juros
  • Entre em contato com a financeira para evitar ações de cobrança agressivas
  • Effetue o pagamento o quanto antes, para evitar complicações
  • Guarde comprovantes de pagamento

Perguntas frequentes (FAQ)

Quantas parcelas posso atrasar sem perder o meu carro?

Embora não exista um número exato na lei, a jurisprudência e práticas bancárias indicam que o atraso de até 90 dias geralmente é o limite para que a instituição financeira possa retomar o veículo mediante procedimento legal, após notificação.

É possível negociar um novo prazo após atrasar parcelas?

Sim. Muitas instituições oferecem a possibilidade de renegociação, permitindo pagamento parcelado ou suspenso por um período determinado, ajudando o cliente a regularizar sua situação.

O que acontece se eu atrasar muitas parcelas seguidas?

Depois de aproximadamente 90 dias de inadimplência continuada, há maior risco de o credor iniciar a execução da garantia do contrato, podendo levar à retomada do veículo por meio de leilão judicial.

Posso recuperar o meu veículo após a retomada?

Após a retomada, em regra, o bem é leiloado para quitar a dívida. Caso haja sobra, o valor é devolvido ao devedor; caso contrário, esse saldo devedor persiste. É difícil recuperar o veículo após a venda em leilão, portanto, procure negociar antes dessa etapa.

Considerações finais

Saber quantas parcelas posso atrasar no financiamento de veículo envolve entender os limites legais, os prazos de inadimplência e os riscos envolvidos. Em geral, o atraso de até 90 dias costuma ser considerado o limite para a possibilidade de retomada do bem, desde que o devedor seja notificado e consiga regularizar a dívida.

Por isso, a melhor estratégia é evitar atrasos, manter um bom planejamento financeiro e, em caso de dificuldades, buscar negociações com a financeira. Afinal, a inadimplência prolongada pode comprometer sua credibilidade financeira e até mesmo levar à perda do bem adquirido.

"A inadimplência é uma fase delicada, mas muitas vezes é possível encontrar soluções negociadas, que sejam justas para ambas as partes." — Direitos do Consumidor e Educação Financeira

Referências

Se desejar mais informações específicas ou orientações sobre seu caso, consulte um advogado especializado em direito do consumidor ou um especialista em crédito e financiamento.