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Quantas Parcelas Atrasadas Podem Levar à Busca e Apreensão de Veículo?

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A doméstica rotina financeira muitas vezes se complexifica devido a imprevistos ou dificuldades de pagamento. Uma das questões que mais gera insegurança entre os proprietários de veículos é: quantas parcelas atrasadas podem levar à busca e apreensão do veículo? Entender essa dinâmica é fundamental para evitar surpresas desagradáveis e tomar decisões conscientes sobre contratos de financiamento veicular.

Neste artigo, abordaremos de forma detalhada os aspectos legais relacionados à busca e apreensão de veículos por atraso nas parcelas, explicando os limites, procedimentos e direitos do consumidor. Além disso, apresentaremos dicas importantes para quem enfrenta esse tipo de problema e esclareceremos dúvidas comuns.

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Introdução

A aquisição de veículos por meio de financiamento é uma prática comum no Brasil, facilitando o acesso à propriedade para muitas famílias. Contudo, o inadimplemento das parcelas pode desencadear procedimentos de busca e apreensão, previstos na legislação brasileira. Para evitar que sua propriedade seja indevidamente apreendida, é essencial compreender os limites legais, prazos e os direitos do consumidor nesses casos.

Segundo dados do Banco Central do Brasil, uma porcentagem significativa de contratos de financiamento veicular apresenta parcelas em atraso, elevando a preocupação de consumidores e instituições financeiras. Assim, saber até que ponto o atraso pode levar à apreensão é uma informação crucial.

Como funciona a busca e apreensão de veículos por inadimplência?

O que é a busca e apreensão de veículo?

A busca e apreensão é uma medida judicial ou extrajudicial utilizada pelos credores — geralmente bancos ou financeiras — para recuperar veículos que foram financiados, mas cuja dívida não foi quitada até a data prevista no contrato.

Como ocorre o procedimento legal?

De acordo com o Código de Processo Civil e a Lei do Condomínio e de Propietários de Veículos, o credor pode solicitar judicialmente a execução da garantia — que, na maioria dos contratos de financiamento, é o próprio veículo — após inadimplência por um determinado período.

Geralmente, o procedimento envolve uma ação de execução de título extrajudicial, na qual o credor apresenta o contrato de financiamento e comprova o inadimplemento. Após decisão judicial favorável, expedindo um mandado de busca e apreensão, a polícia realiza a apreensão do veículo.

Quantas parcelas atrasadas levam à busca e apreensão?

Padrões jurídicos e práticos no Brasil

O ponto central desta discussão é: qual o número de parcelas atrasadas que justifica a busca e apreensão do veículo? A resposta varia de acordo com as cláusulas contratuais, a legislação vigente e as decisões judiciais.

1. Prazo para início do processo

Segundo o que estabelece o artigo 3º da Lei nº 13.043/2014, que altera o Código de Processo Civil para facilitar a execução de contratos de financiamento de veículos, o credor pode iniciar o procedimento após o vencimento de, pelo menos, duas parcelas consecutivas ou não consecutivas.

2. Número de parcelas atrasadas

Em geral, o entendimento jurídico tem sido de que o atraso a partir de duas parcelas consecutivas é suficiente para a entrada com ação de busca e apreensão. Contudo, essa regra não é fixa e pode variar com base no contrato e na decisão do juiz responsável.

O que diz a lei?

De acordo com o artigo 3º, § 1º, da Lei nº 13.043/2014:

"O credor poderá promover a execução do contrato após o vencimento de duas parcelas ou mais."

Ainda assim, o juiz analisará cada caso, considerando fatores como o período de inadimplência, negativa de resposta por parte do devedor, e a possibilidade de acordo extrajudicial.

Fatores que influenciam o procedimento de busca e apreensão

FatorDetalhes
Tempo de inadimplênciaQuanto mais tempo, maior a chance de ação judicial ser ajuizada.
Valor em abertoDívidas maiores podem acelerar o procedimento devido ao risco de perda para a financeira.
Cláusulas contratuaisAlgumas empresas estabelecem cláusulas específicas no contrato de financiamento.
Histórico de renegociaçãoTentativas de renegociação podem evitar a apreensão.
Ações extrajudiciaisCorrespondências e notificações podem ser enviadas antes de se solicitar busca e apreensão.

Como evitar a busca e apreensão do veículo?

1. Negocie a dívida antes de inadimplir

A melhor maneira de evitar a apreensão é manter contato com a financeira ao perceber dificuldades de pagamento. Muitas instituições oferecem opções de renegociação ou pausa temporária nos pagamentos.

2. Esteja atento ao contrato

Ler cuidadosamente todas as cláusulas do contrato de financiamento evita surpresas. Verifique o número de parcelas que podem estar em atraso antes que medidas extremas sejam tomadas.

3. Regularize as parcelas atrasadas

Se perceber que não conseguirá pagar, busque quitação parcial, parcelamento ou outros acordos. Isso evita que o credor tome medidas judiciais.

4. Conheça seus direitos

Segundo especialistas, qualquer procedimento de busca e apreensão deve seguir rigorosamente a legislação e respeitar os direitos do consumidor.

5. Procure assistência jurídica

Caso seja notificado de uma ação de busca e apreensão, consulte imediatamente um advogado especializado em direito do consumidor ou direito civil.

Perguntas frequentes (FAQs)

Quantas parcelas atrasadas são necessárias para perder o veículo?

Geralmente, a lei admite que o credor ajuíze ação após a inadimplência de duas parcelas consecutivas ou não. No entanto, a efetiva perda do veículo depende de decisão judicial e do cumprimento do procedimento legal.

É possível evitar a apreensão do veículo?

Sim. Negociando dívidas, realizando parcelamentos ou entrando em acordo extrajudicial, o proprietário pode evitar a apreensão, principalmente se o atraso for recente.

Quanto tempo até a apreensão do veículo após o atraso?

O tempo varia: após o atraso de duas parcelas, o credor pode iniciar o processo judicial. Contudo, a busca e apreensão só ocorre após decisão judicial definitiva e cumprimento do mandado.

Posso ficar sem o veículo se atrasar uma parcela?

Geralmente, uma parcela atrasada por si só não resulta na apreensão automática. É necessário um atraso mais significativo, como duas ou mais parcelas, além de processo judicial.

Quais os direitos do proprietário de veículo nesses casos?

O proprietário tem direito a ser informado previamente, a contestar a ação na Justiça, e a negociar a dívida antes de perder o bem.

Conclusão

A dúvida sobre quantas parcelas atrasadas podem levar à busca e apreensão de um veículo é comum entre consumidores e financiadores. De modo geral, o atraso de duas parcelas consecutivas ou não é considerado suficiente para que o credor possa iniciar procedimentos legais para recuperar o bem, seguindo a legislação brasileira e os princípios do direito do consumidor.

No entanto, o importante é sempre agir preventivamente, negociar as dívidas assim que surgirem dificuldades e buscar orientação jurídica adequada para garantir seus direitos. Ficar informado sobre a legislação e condições contratuais é essencial para evitar surpresas desagradáveis e preservar seu patrimônio.

Referências

  • Lei nº 13.043/2014 – Dispõe sobre a facilitação da execução de contratos de financiamento de veículos. Link oficial

  • Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) – Lei que regula os procedimentos civis no Brasil. Link oficial

  • Banco Central do Brasil – Dados sobre contratos de financiamentos veiculares. Site oficial

Lembre-se: ao enfrentar problemas com parcelas atrasadas, a melhor estratégia é procurar ajuda jurídica especializada. Apreensão indevida ou por atraso eventual pode ser revertida em diversos casos com orientação adequada.