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Busca e Apreensão: Quantas Parcelas Atrasadas Podem Levar à Ação?

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A busca e apreensão de bens é uma medida jurídica prevista na legislação brasileira que visa garantir o pagamento de dívidas, especialmente em contratos de financiamento ou leasing. Uma dúvida comum entre consumidores e credores é: "Quantas parcelas atrasadas podem levar à realização de uma busca e apreensão?" Neste artigo, abordaremos o tema de forma detalhada, elucidando os aspectos legais, prazos, limites e procedimentos envolvidos nesse processo.

Introdução

A relação de consumo e crédito no Brasil movimenta bilhões de reais anualmente, e muitas vezes, o inadimplemento de parcelas pode gerar tensões e consequências legais para ambas as partes. Enquanto os credores buscam garantir seus direitos, os consumidores desejam entender suas possibilidades e limites perante a lei. A busca e apreensão se destaca como uma ferramenta legal para que credores recuperem seus bens quando há inadimplência. Mas até que ponto uma quantidade de parcelas atrasadas justifica tal medida?

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Este artigo tem como objetivo esclarecer essa questão, fornecendo informações essenciais para quem deseja compreender os critérios e procedimentos relacionados à busca e apreensão por atraso de parcelas.

O que é busca e apreensão?

A busca e apreensão é uma medida judicial que permite ao credor localizar, apreender e, posteriormente, vender um bem dado em garantia em caso de inadimplência do devedor. Geralmente, essa medida é utilizada em contratos de financiamento de veículos, imóveis e outros bens.

Cenário comum de aplicação

  • Contratos de financiamento de veículos
  • Leasing de bens móveis
  • Contratos de empréstimo com garantia real
  • Financiamentos imobiliários

Segundo o Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), a busca e apreensão é regulada para proteger os direitos do credor sem violar os direitos do devedor, observando os princípios constitucionais de ampla defesa e contraditório.

Quantas parcelas atrasadas podem levar à busca e apreensão?

A legislação brasileira não estipula um número exato de parcelas atrasadas que automaticamente justifique uma ação de busca e apreensão. No entanto, há orientações jurídicas e jurisprudenciais que determinam critérios específicos.

Critérios legais e jurisprudenciais

  • Inadimplência recorrente e injustificada: Em geral, a busca e apreensão pode ser requerida quando existe atraso superior a uma parcela ou quando o atraso se torna recorrente e compromete o pagamento do débito.

  • Cláusula contratual: Muitas empresas incluem cláusulas nos contratos estipulando o inadimplemento após um determinado número de parcelas vencidas, geralmente duas ou três. Essas cláusulas, entretanto, só têm validade se estiverem de acordo com a lei.

  • Jurisprudência: Tribunais brasileiros têm entendido que o inadimplemento de uma ou duas parcelas já pode justificar a medida, especialmente quando há provas de tentativa de cobrança extrajudicial infrutífera.

Posição do Superior Tribunal de Justiça (STJ)

De acordo com a Súmula 543 do STJ, "não se admite a busca e apreensão de bem móvel por inadimplência de parcela de financiamento, sem que trinta dias tenham decorrido da vencimento da obrigação." Ou seja, há uma orientação para esperar pelo menos 30 dias após o vencimento de uma parcela para ingressar com a ação de busca e apreensão.

Prazos e procedimentos para a busca e apreensão

Prazos

SituaçãoPrazo após vencimento da parcela
Contrato de financiamento de veículo (Lei nº 13.043/2014)Deve haver pelo menos 30 dias de atraso para a ação ser proposta
Demais contratos de créditoVaria conforme cláusula contratual e jurisprudência

Procedimento

  1. Notificação extrajudicial: Normalmente, o credor realiza contatos ou envia notificações ao devedor.
  2. Ação judicial: Caso não haja regularização, o credor ingressa com ação de busca e apreensão.
  3. Decisão judicial: O juiz analisa o pedido, podendo deferir ou indeferir a limitação.
  4. Execução: Se autorizado, o bem é localizado, apreendido e, posteriormente, leiloado ou vendido conforme legislação.

Elementos importantes na análise do caso

Ao avaliar quantas parcelas atrasadas podem gerar uma ação, é essencial considerar:

  • O contrato firmado entre as partes.
  • As cláusulas relativas a inadimplência.
  • Os prazos de carência e aviso prévio previstos na lei.
  • A jurisprudência dos tribunais locais.

O papel da garantia real

No financiamento de veículos, por exemplo, o bem dado em garantia funciona como uma tradição de propriedade fiduciária, facilitando a ação de busca e apreensão. No entanto, existem direitos do devedor que também precisam ser respeitados.

Quais as consequências do atraso de parcelas?

O inadimplemento pode gerar diversas consequências, além da busca e apreensão, como:

  • inclusão do nome do devedor nos cadastros de inadimplentes (SPC, SERASA)
  • cobrança judicial e extrajudicial
  • juros e multas contratuais
  • ações de execução para cobrança

Citação: Como afirma o jurista Paolo Carrazza, "o cumprimento das obrigações contratuais é essencial para a manutenção das relações econômicas e sociais, contudo, o equilíbrio deve sempre ser garantido por legislação que proteja as partes."

Perguntas Frequentes (FAQs)

1. Quantas parcelas atrasadas são necessárias para que a busca e apreensão seja requerida?

Não existe um número exato fixado na lei; contudo, a jurisprudência do STJ recomenda que o credor aguarde ao menos 30 dias após o vencimento de uma parcela antes de propor a ação de busca e apreensão.

2. Pode uma única parcela atrasada levar à busca e apreensão?

Sim, dependendo do contrato e das circunstâncias, uma única parcela vencida há mais de 30 dias pode justificar a ação, sobretudo se houver provas de inadimplência recorrente ou tentativa de fraude.

3. Há limites para a quantidade de parcelas atrasadas que levam à ação?

Não há um limite legal fixo, mas a prática comum e a jurisprudência indicam que o inadimplemento de uma ou duas parcelas, especialmente com atraso superior a 30 dias, são suficientes para a ação.

4. Quais direitos tenho se uma busca e apreensão for iniciada contra mim?

Você tem direito de contestar a ação na Justiça, apresentar defesa e provas de pagamento ou de irregularidades no procedimento. É fundamental consultar um advogado especializado.

Conclusão

A quantidade de parcelas atrasadas necessária para que seja possível propor uma ação de busca e apreensão varia conforme a legislação, o contrato e a jurisprudência aplicáveis. De maneira geral, o atraso superior a 30 dias de uma parcela é um indicativo comum utilizado pelos tribunais para justificar a medida, embora a jurisprudência também observe o contexto de inadimplência recorrente.

É importante que consumidores e credores conheçam seus direitos e deveres, buscando sempre o diálogo e soluções extrajudiciais antes de recorrer às medidas mais extremas, como a busca e apreensão. A compreensão desses aspectos evita conflitos desnecessários e garante uma relação de crédito mais equilibrada.

Referências

Este artigo foi elaborado com foco em otimização para mecanismos de busca (SEO) e visa fornecer uma compreensão clara e atualizada sobre o tema.