Quantas Constituições o Brasil Teve: Histórico e Mudanças
A história constitucional do Brasil é marcada por transformações profundas que refletiram as mudanças políticas, sociais e econômicas do país ao longo dos séculos. Desde a sua independência, diversas constituições foram promulgadas, cada uma delas estabelecendo novas bases para o funcionamento do Estado e garantindo direitos aos cidadãos. Neste artigo, vamos explorar quantas constituições o Brasil teve até o momento, entender as principais diferenças entre elas e analisar a evolução do ordenamento jurídico brasileiro.
Introdução
Desde a sua independência em 1822, o Brasil passou por diversas fases políticas, que culminaram na elaboração de diferentes constituições ao longo de sua história. Cada uma dessas constituições foi fruto de contextos específicos, refletindo a conjuntura política daquele período. A transição de um império para uma república, o fim de períodos autoritários e a busca por um modelo de Estado democrático e de direitos contribuem para a complexidade dessa trajetória constitucional.

Este artigo busca responder à pergunta central: Quantas constituições o Brasil teve? Além de listar e explicar cada uma delas, apresentaremos análises sobre as principais mudanças e seus impactos sociais e políticos.
História das Constituições do Brasil
Ao todo, o Brasil teve quatorze constituições até 2023. Cada uma delas marca uma fase distinta de desenvolvimento político, econômico e social do país.
| Nº | Título da Constituição | Ano de Promulgação | Regime Político | Principais Características |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Constituição de 1824 | 1824 | Império | Primeira constituição do Brasil, estabelecendo o Império e o poder moderador. |
| 2 | Constituição de 1891 | 1891 | República | República Velha, com federalismo e separação de poderes. |
| 3 | Constituição de 1934 | 1934 | República | Consolidação do Estado Novo, maior intervenção estatal. |
| 4 | Constituição de 1937 | 1937 (Promulgada pelo Estado Novo) | Estado Novo | Ditadura getulista consolidada, autoritária. |
| 5 | Constituição de 1946 | 1946 | Democrática | Retorno à democracia após o Estado Novo. |
| 6 | Constituição de 1967 | 1967 | Ditadura Militar | Reforço do regime militar, centralização do poder. |
| 7 | Constituição de 1969 | 1969 | Ditadura Militar | Emenda à de 1967, mais rígida. |
| 8 | Constituição de 1988 | 1988 | Democrática | Atual, Estado de Direito, garantias sociais e direitos civis. |
Detalhamento das Constituições
A Constituição de 1824: A Primeira Constituição do Brasil
Promulgada em 25 de março de 1824, durante o período do Império do Brasil, ela foi a primeira lei fundamental do país. Estabeleceu a estrutura do Estado imperial, incluindo o poder moderador, exercido pelo imperador, além de criar os órgãos políticos e jurídicos.
"A Constituição de 1824 refletiu a tentativa de consolidar o poder imperial e centralizador na figura do imperador." — Fonte: Portal Brasil Escola
A Constituição de 1891: A República Velha
Após a Proclamação da República em 1889, foi promulgada a Constituição de 1891, que instituiu o federalismo, limitou os poderes do executivo e fortalecia o legislativo. Este período ficou conhecido como República Velha devido à predominância do poder das oligarquias estaduais.
A Constituição de 1934
Um marco na história do Brasil, ela foi promulgada após a Revolução de 1930 e marcou a entrada do país na Era Vargas. Essa constituição trouxe maior intervenção do Estado na economia, direitos trabalhistas e o voto feminino.
O Estado Novo e a Constituição de 1937
Em 1937, Getúlio Vargas atravessou um golpe de Estado e instaurou o Estado Novo, regime autoritário que durou até 1945. Foi promulgada uma nova constituição que consolidou o regime totalitário e restringiu direitos civis.
A Constituição de 1946
Após o fim do Estado Novo, o Brasil retomou a democracia. A Constituição de 1946 garantiu eleições livres e restabeleceu o Estado de Direito, preparando o Brasil para seu período de redemocratização.
As Constituições de 1967 e 1969
Durante o regime militar, o Brasil teve duas constituições que consolidaram o controle autoritário, restringiram liberdades civis e fortaleceram o poder executivo em detrimento do Legislativo e do Judiciário.
A Constituição de 1988: A Constituição Cidadã
A atual carta magna do Brasil foi promulgada em 5 de outubro de 1988, marcando o retorno à democracia após os anos de ditadura militar. Ela reforça direitos civis, sociais e políticos, além de estabelecer o Estado de Direito.
Principais Mudanças ao Longo da História
As mudanças mais marcantes nas constituições brasileiras refletem momentos de crise, transições democráticas ou regimes autoritários. Algumas das principais diferenças são:
- De uma constituição imperial: para uma republicana, com a Constituição de 1891.
- De um regime autoritário para uma democracia: com a promulgação da Constituição de 1946 e, posteriormente, a de 1988.
- De um Estado centralizado para um federativo: várias mudanças ao longo do tempo reforçaram o federalismo brasileiro.
- Garantia de direitos sociais: incluindo direitos trabalhistas, civis e políticos, consolidada na Constituição de 1988.
Mudanças institucionais e sociais
As constituições mais recentes também trouxeram avanços na proteção de direitos humanos, combate às desigualdades e fortalecimento de instituições democráticas, refletindo a evolução da sociedade brasileira.
Perguntas Frequentes
Quantas constituições o Brasil teve até hoje?
O Brasil teve 14 constituições até 2023, abrangendo desde o período imperial até a atual constituição democrática de 1988.
Qual foi a constituição mais longa da história do Brasil?
A Constituição de 1988 é a mais extensa e detalhada, consolidando um avanço significativo nos direitos civis, políticos e sociais.
Quais fatores levaram à mudança de uma constituição para outra?
Fatores políticos, sociais e econômicos, como golpes de Estado, revoluções, crises institucionais, mudanças de regime e o desejo de modernizar o Estado, influenciaram as mudanças constitucionais.
A Constituição de 1988 ainda pode ser alterada?
Sim. A Constituição de 1988 é uma constituição aberta a emendas e reformas, desde que respeitados os processos legislativos previstos na própria Carta Magna.
Conclusão
Ao longo de sua história, o Brasil passou por diversas transformações constitucionais, refletindo sua evolução política, social e econômica. Desde o império até a atual Constituição de 1988, cada documento desempenhou papel fundamental na construção do Estado brasileiro e na garantia dos direitos de seus cidadãos. Conhecer essa trajetória é essencial para compreender o funcionamento do país e os desafios atuais.
A história constitutional brasileira mostra a busca contínua por maior democracia, justiça social e governança eficaz. Como afirmou o jurista Carlos Ayres Britto, “A Constituição é o documento de esperança de uma sociedade que busca suas próprias raízes e futuros”.
Referências
- Brasil Escola. História das Constituições Brasileiras. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br
- Senado Federal. Constituição Federal de 1988. Disponível em: https://www25.senado.leg.br
- Ministério da Justiça. História Constitucional do Brasil. Disponível em: https://www.justica.gov.br
Considerações finais
A compreensão do número de constituições brasileiras e suas mudanças é fundamental para entender a evolução do Estado de Direito no país. Cada constituição reflete um momento de transformação, luta por direitos ou necessidade de ajustes institucionais. Assim, o estudo contínuo da nossa história constitucional permite uma participação mais consciente na construção de uma sociedade democrática e justa.
Esperamos ter esclarecido suas dúvidas sobre as constituições brasileiras e sua evolução histórica. Compartilhe este artigo com quem tem interesse em história e direito!
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