Quantas Cesáreas Podem Ser Feitas: Guia para Saúde da Mãe e do Bebê
A realização de uma cesariana se tornou uma prática comum na assistência ao parto ao longo das últimas décadas. No entanto, muitas mulheres e profissionais de saúde ainda discutem sobre o número ideal de cirurgias cesáreas que uma mulher pode ou deve fazer ao longo da vida. Afinal, existe um limite seguro? Quais os riscos envolvidos? Este artigo busca esclarecer essas questões, apresentando informações baseadas em estudos científicos, recomendações médicas e experiências clínicas, com foco na saúde da mãe e do bebê.
Por que o número de cesáreas importa?
A cesariana é uma cirurgia que salva vidas em situações específicas de risco, mas também pode trazer complicações se realizada de forma excessiva ou sem necessidade clínica. Entre os riscos associados às múltiplas cesáreas estão:

- Risco aumentado de complicações placentárias, como placenta prévia e acreta.
- Formação de aderências e cicatrizes que dificultam futuras intervenções.
- Riscos de hemorragias e perfuração de órgãos.
- Maior chance de parto prematuro na próxima gestação.
- Problemas na saúde do bebê, incluindo dificuldades respiratórias.
Por isso, é fundamental entender até que ponto realizar múltiplas cesáreas é seguro.
Quantas cesáreas podem ser feitas?
Resposta curta: Não há um número exato que defina a quantidade máxima de cesáreas que uma mulher pode fazer ao longo da vida. Contudo, as recomendações médicas indicam que, após certo ponto, os riscos aumentam significativamente.
Recomendações oficiais e estudos científicos
As principais entidades de saúde, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Conselho Federal de Medicina (CFM), oferecem orientações baseadas em evidências:
- OMS (2015): Recomenda que as taxas de cesárea na população não ultrapassem 10-15%, considerando que essa porcentagem é suficiente para atender a casos clínicos necessários.
- CFM: Indica que cada caso deve ser avaliado individualmente, levando em conta o histórico obstétrico da paciente, a saúde da mãe e do bebê.
Considerações clínicas
- Geralmente, recomenda-se que mulheres que tiveram uma ou duas cesáreas possam tentar partos normais em gestações subsequentes, dependendo do motivo original da cirurgia.
- A partir da terceira cesariana, os riscos de complicações aumentam de forma significativa, especialmente relacionados às possíveis aderências e perfurações uterinas.
- Após a quarta ou quinta cesárea, os riscos de complicações sérias aumentam substancialmente, e o procedimento deve ser avaliado com cautela.
Fatores que influenciam a decisão de realizar múltiplas cesáreas
Existem diversos fatores que influenciam na recomendação médica quanto ao número de cesáreas, tais como:
- Tipo de cirurgia anterior (quantas e quais complicações ocorreram)
- Motivo da cesariana anterior
- Saúde geral da mulher
- Idade materna
- Condições específicas como placenta prévia, placenta acreta, cicatrizes uterinas, entre outras
Riscos associados às múltiplas cesáreas
Riscos para a mãe
| Risco | Descrição |
|---|---|
| Aderências e cicatrizes | Podem dificultar o parto em gestações futuras e aumentar o risco de hemorragias |
| Risco de perfuração uterina | Durante a cirurgia, devido às cicatrizes anteriores |
| Placenta prévia ou acreta | Problemas na implantação da placenta na gravidez subsequente |
| Sangramento excessivo | Devido à maior vascularização das cicatrizes uterinas |
| Infecção | Após a cirurgia, com maior risco em múltiplas intervenções |
Riscos para o bebê
| Risco | Descrição |
|---|---|
| Parto prematuro | Associado a indicações médicas ou complicações uterinas |
| Dificuldades respiratórias | Principalmente em cesáreas de repetição, devido à ausência de compressão no pulmão durante o parto |
| Baixo peso ao nascer | Pode estar relacionado a complicações na gestação |
Como minimizar os riscos?
A melhor estratégia para minimizar os riscos de múltiplas cesáreas é a realização de parto normal sempre que possível e segurança na indicação cirúrgica. Algumas recomendações incluem:
- Planejamento cuidadoso do parto
- Avaliação individualizada por equipe especializada
- Uso de técnicas cirúrgicas que minimizam aderências
- Acompanhamento pré-natal de qualidade
Lembre-se: Cada caso é único, e a decisão deve ser tomada em conjunto com o médico obstetra, considerando o histórico de saúde e as condições específicas da gestante.
Quando realizar uma cesariana?
A cesariana deve ser considerada quando houver indicação médica clara, tais como:
- Placenta prévia
- Sificer feminino
- Perfuração uterina anterior
- Cólicas placentárias
- Descolamento prematuro de placenta
- Trabalho de parto prolongado sem progresso
- Complicações de saúde materna ou fetal
Perguntas frequentes
1. Quantas cesáreas uma mulher pode fazer ao longo da vida?
Não há um limite definido, mas o risco de complicações aumenta após duas ou três cirurgias. Geralmente, recomenda-se cautela a partir da terceira cesariana.
2. É possível tentar parto normal após múltiplas cesáreas?
Depende do motivo da cirurgia anterior e das condições de saúde. Mulheres com uma única cesariana por indicações não cirúrgicas podem tentar parto normal, mas após múltiplas cesáreas, a decisão deve ser avaliada cuidadosamente pelo obstetra.
3. Quais os riscos de fazer muitas cesáreas?
Aumentam as chances de adesões, complicações na placenta, risco de perfuração uterina, parto prematuro e dificuldades no parto em futuras gestações.
4. Como saber a quantidade ideal de cesáreas para mim?
A melhor orientação é consultar um obstetra de confiança, que irá avaliar seu perfil clínico, histórico obstétrico e as condições atuais para recomendar a melhor conduta.
Conclusão
Apesar de não existir uma regra fixa sobre o número de cesáreas que podem ser feitas, as evidências disponíveis indicam que a primeira e a segunda cesáreas costumam ser mais seguras, enquanto o risco de complicações aumenta após as cirurgias subsequentes. Assim, a decisão sobre realizar ou não novas cesáreas deve ser sempre pautada na avaliação médica, considerando os riscos e benefícios específicos de cada paciente.
Ao planejar futuras gestações, o acompanhamento especializado e a avaliação detalhada do histórico obstétrico são essenciais para garantir a saúde da mãe e do bebê.
Para informações adicionais sobre o tema, consulte Ministério da Saúde e Sociedade Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (SBGO).
Referências
- Organização Mundial da Saúde (OMS). "Cesariana: quando fazer?" 2015.
- Conselho Federal de Medicina (CFM). Resolução sobre Parto Normal e Cesariana. 2018.
- Gonçalves, S., et al. (2020). Riscos de múltiplas cesáreas: uma revisão sistemática. Jornal de Obstetrícia e Ginecologia.
Este artigo foi elaborado com base em informações atualizadas até outubro de 2023, visando promover uma compreensão clara e responsável sobre o tema.
MDBF